sexta-feira, 12 de junho de 2015

A Língua Portuguesa - Trabalho completo


Elaborado por Vieira Miguel Manuel


ÍNDICE







 




A língua portuguesa por muitos é considerada a língua mais difícil de ser aprendida. A língua portuguesa originou-se do latim vulgar falado no noroeste da Península Ibérica. Na Idade Média, ela formou uma única língua, conjuntamente com o galego, hoje conhecida nos meios científicos como galaico-português. No reinado de D. Dinis a língua portuguesa, então designada como língua comum, foi tornada oficial em todos os documentos régios, em detrimento do latim. A língua portuguesa, tal como o francês, tem uma herança céltica, visivelmente ouvida através da utilização das vogais nasais.

O Português está classificado na seguinte hierarquia de famílias:

Indo-europeia
 Itálica
  Românica
   Ítalo-ocidental
    Românica ocidental
     Galo-ibérica
      Ibero-românica
       Ibero-ocidental
        Galaico-portuguesa
         Português

Actualmente, ela é falada em todos os continentes, sendo oficial em Portugal, Brasil, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique, Timor-Leste e em Macau, hoje uma região autónoma chinesa. Existem comunidades falantes de português em todo o Mundo - em territórios que pertenceram a Portugal como por exemplo Goa, Damão, Diu (Índia) e Malaca (Malásia) - e comunidades emigrantes do Brasil, Portugal, Cabo Verde, Angola e Moçambique que se estabeleceram em outros países. A língua portuguesa tem duas variantes: o português europeu e o português brasileiro. No futuro espera-se que o português falado em Angola e em Timor-Leste sejam promovidos a novas variantes do português. Actualmente, o Brasil, pela sua influência económica, tem desenvolvido um esforço notável na promoção da língua portuguesa.

"Fala, para que eu te escute", diz Sócrates.

Assim enaltecemos claramente o porquê do estudo gramatical, a intrínseca relação do homem e a comunicação. O conhecimento da própria língua não se inclui na categoria de saberes inúteis, o saber independente de utilidade prática. Lembremos que a língua não é morta, parada no tempo; a sociedade está em constante produção desta identidade cultural: a língua portuguesa.






A palavra língua tem várias acepções, por um lado, refere-se ao órgão muscular que se situa na cavidade bucal dos animais vertebrados e que permite degustar, deglutir, mastigar e articular os sons que lhes são próprios. Trata-se do órgão mais forte do corpo humano, com uma musculatura de origem hipobranquial como a epiglote. Tem uma face superior, também conhecida como o dorso da língua, a qual apresenta a forma de V (o sulco terminal, aberto para a frente e formado pelas papilas caliciformes). Na face inferior (a parte ventral), encontra-se o freio (ou o filete), que limita os movimentos da língua e que é bastante resistente.

Por outro lado, o conceito de língua pode fazer referência ao idioma, que é um sistema de comunicação verbal ou gestual próprio de uma comunidade humana.

O termo língua natural permite referir-se a uma variedade linguística ou forma de linguagem humana com fins comunicativos que é dotado de uma sintaxe e que é suposto obedecer aos princípios da economia e da optimalidade. Embora as línguas naturais usem símbolos sonoros, também podem usar sinais.

No que diz respeito à língua materna, igualmente conhecida como língua popular, idioma materno, língua nativa ou primeira língua, é o primeiro idioma que aprende um ser humano.
No caso das aves, dá-se o nome de língua à hipofaringe. Também se refere à parte da armadura bucal de alguns insectos. Finalmente, a língua (ou língua-de-vaca) pode designar a solha que é típica nas costas marítimas do Sul de Portugal.


A língua nacional é a língua falada num determinado território que, por reflectir uma determinada herança étnico-cultural, representa um elemento caracterizador de uma consciência nacional e, nos casos mais evoluídos, é também suporte de uma expressão literária autónoma.

Há línguas nacionais que coincidem com as línguas oficiais, e esse é o caso do português em Portugal. Mas há casos em que tal não acontece, uma vez que existem comunidades infraestaduais que também falam, ou só falam, outra língua, diferente da oficial. É o caso, por exemplo, do galego na Galiza, do basco no País Basco ou do catalão na Catalunha, Baleares e Comunidade Valenciana, em relação ao castelhano (vulgo espanhol), língua oficial de Espanha. O mesmo se passa com grande parte das línguas autóctones no espaço político-geográfico em que se expandiu a Lusofonia.

Daí que a protecção, promoção e valorização das línguas nacionais seja, em muitos casos, promovida explicitamente nas próprias constituições nacionais. É o caso de Moçambique que, na Constituição, expressa claramente: "o Estado valoriza as línguas nacionais e promove o seu desenvolvimento". Também a Constituição de Timor-Leste estabelece que "o tétum e as outras línguas nacionais são valorizadas e desenvolvidas pelo Estado".

Actualmente, as línguas nacionais vêm sendo objecto de protecção internacional, uma vez que, sendo normalmente faladas por minorias étnicas ou culturais (minorias nacionais), a sua preservação é uma forma de evitar tendências hegemónicas da maioria ou de discriminação daquelas minorias. No fundo, a utilização da língua nacional corresponde a um direito fundamental das pessoas que integram uma qualquer comunidade nacional.


A língua portuguesa era uma língua falada pela população de assimilados que estava situada próxima à costa atlântica, especialmente em Luanda. Sendo a língua materna e nacional para muitos daqueles que estiveram à frente do processo independentista e constituíram o MPLA na década de 1950. E que ao terem saído de Angola na juventude para estudarem em Portugal não tiveram a oportunidade de conhecerem os amplos e complexos rincões culturais, sociais, políticos e filosóficos tradicionais presentes nas diversas etnias do país. Eles foram formados a partir da ideologia e da literatura marxista-leninista e procuraram efectiva-la no momento posterior a independência em 1975, sem, contudo, estabelecerem uma relação crítica e de oposição a língua portuguesa, posto que a viam como a língua que patrocinava o intercâmbio entre todos os angolanos e, ainda, não gerava a valorização de uma língua em detrimento de outra nativa. A língua portuguesa foi apropriada pelos líderes independentistas angolanos como a língua oficial do novo Estado em 1975. Daí que se constata que esta língua convive com as demais línguas nacionais em nítida concorrência. Ela se afirma quotidianamente nos altos escalões do governo e da burocracia, mas também na literatura e na música. Ela hierarquiza grupos e indivíduos que estão em particular na cidade de Luanda. O português organiza e estrutura o grande mercado de bens materiais e simbólicos em Luanda e no restante do país, mas não é a língua que monopoliza o mercado das ruas, pois não é a língua do candongueiro e das zungueiras.



Definição: Utilização fluente de uma só língua, por um indivíduo ou uma comunidade.


O termo bilinguismo, aplicado ao indivíduo, pode significar simplesmente a capacidade de expressar-se em duas línguas. Numa comunidade, pode ser definido como a coexistência de dois sistemas linguísticos diferentes (língua, dialecto, etc.), que os falantes utilizam alternadamente, a depender das circunstâncias, com igual fluência ou com a proeminência de um deles.

O bilinguismo pode ocorrer em diversas situações, tais como:

·         Uma segunda língua é aprendida na escola: 
·         Emigrantes estrangeiros falam a língua do país hospedeiro (mesmo que com alguma dificuldade),
·         Em países nos quais há mais de uma língua oficial,
·         Crianças cujos pais são de diferentes nacionalidades,
·         Pessoas surdas que, além da língua de sinais, utilizam alguma língua oral, na tentativa de se comunicar com a comunidade ouvinte (observando-se que o bilinguismo dos surdos é um caso especial).

Estes grupos de pessoas têm necessidades distintas e desenvolvem, por isso, capacidades distintas nas línguas que falam, dependendo das necessidades e dos diferentes contextos.
Tipos:

Existem dois tipo de bilinguismos, conforme a idade de aquisição das línguas, o bilingue precoce (ou primário) é, a criança que, até três anos de idade, aprende a falar duas línguas ao mesmo tempo; e o bilingue tardio (ou secundário, ou diglota,), é a criança já que tem aprendida a primeira língua e, depois de quatro anos de idade, começa a estudar uma ou mais de uma língua.

Se considerarmos que, segundo a ONU, há 191 países independentes, e que o mundo tem hoje algo entre 3.00 e 10.000 línguas (dependendo do conceito de língua adoptado), podemos perceber que o bilinguismo é um fenómeno muito comum. Na verdade, mais da metade da população mundial é bilingue ou multilingue.

O conceito de bilinguismo sofreu profundas mudanças no último século, passando de uma visão excludente e fechada para uma definição mais socialmente situada e próxima das situações reais de uso das línguas. Se em 1935 Bloomfield definia bilinguismo como o "controle nativo de duas línguas", Macnamara, em 1967, admitia "uma competência mínima em pelo menos uma das quatro habilidades de compreensão, fala, leitura e escrita". Wiliams e Sniper, em 1990, vêem o bilíngue como um sujeito capaz de processar duas línguas nas habilidades de compreensão da mensagem e na produção de uma resposta adequada à situação em ambas as línguas, enquanto Grosjean, em 1985, alerta ao fato de que o bilingue é mais que a soma de dois monolingues, pois apresenta características específicas.

O Bilinguismo é um fenómeno multidimensional, e como afirmam Hamers & Blanc (2001), "cada nível de análise requer abordagens disciplinares específicas: psicológica a nível individual, sócio-psicológica no nível interpessoal e sociológica a nível intergrupal". Ao estudar o bilinguismo individual pesquisadores como Mackey (1968) propõe considerar 4 dimensões: Proficiência; função e uso; Alternância de código (code-switiching) e Interferência. Valdês e Figueroa (1994) propõem que o bilinguismo seja visto como um contínuo, e os sujeitos bilingues se colocando em pontos diferentes deste contínuo, dependendo dos pontos fortes e das características cognitivas de suas línguas".

O bilinguismo não é sinónimo de educação bilingue, já que pode ocorrer fora se situações formais de ensino. Quando o bilinguismo é parte de um programa planejando e estruturado pedagogicamente, constitui-se em educação bilingue.


Definição: E a utilização de varias línguas; Vem da palavra plurilingue, que é referente a várias línguas. Pessoa que fala diversos idiomas; Poliglota.


       Tradição Oral

Desde o início dos tempos e até a descoberta da escrita a transmissão da história, mitos, lendas, contos, provérbios, enigmas e poemas era passado de geração em geração através de relatos orais.



       Nascimento da Literatura Angolana

O início da literatura que se escreve em Angola ocorreu durante a fase de colonização, período durante o qual a nossa literatura nasceu e desenvolveu-se como extensão da Portuguesa. Até meados do século 20 não há períodos claros e definidos de uma literatura própria Angolana.

1901 Marca o ano da publicação do primeiro órgão indígena de carácter inteiramente literário, o Almanach - Ensaios Literários. O almanaque era impresso em Luanda na 'Tipografia do Povo'. Da primeira edição fez parte o volume Voz de Angola Clamando no Deserto — Oferecida aos Amigos da Verdade pelos Naturais, obra fruto da colaboração de vários jornalistas indígenas e Africanos que influenciaram a imprensa de Luanda no século 19. Há a realçar que esta foi a primeira manifestação colectiva de protesto da sociedade indígena contra a colonização Portuguesa.

Em 1934 foi publicado o livro O segredo da Morta de António de Assis Júnior. Anos mais tarde, este livro haveria de considerado a obra iniciadora da prosa de ficção Angolana.

       O período de afirmação: 1944-1974

A partir de 1945 começa a nascer uma consciência cultural, ligada a nacionalização, que busca adicionar um novo valor ao conto popular. Em 1948 lançou-se em Luanda um movimento denominado "Vamos conhecer Angola" que incentivava a jovem geração da elite literária Angolana à descobrir o país em todos os seus aspectos.

Em 1949 foi publicado no Brasil o romance Terra Morta de Castro Soromenho. Esta obra relata os efeitos da colonização Portuguesa sobre Angola.

A década de 1950 define a clara existência de uma elite literária indígena composta de ensaístas, poetas e escritores. Estes contornaram a repressão exercida sobre a imprensa e definiram a futura literatura nacional. Com algumas excepções, este período marca também o cultivo da poesia em detrimento da prosa e da narração e ainda a expansão da indústria editorial.

Em 1951 começam a ser publicados revistas e jornais de liceu nos quais se podem ler os primeiros ensaios de escritores e poetas Angolanos. Sobre os autores nacionais se denotam fortes influências de correntes neo-realistas da literatura, cinema e pintura em voga a seguir a 2ª guerra mundial.

       Clássicos da Literatura Angolana

·         A Geraçăo da Utopia - romance de Pepetela.
·         Havemos de Voltar - poema de A. Agostinho Neto.
·         Jaime Bunda, agente secreto - policial de Pepetela.
·         Mayombe - romance de Pepetela.
·         O Ano do Căo - romance de Roderick Nehone.
·         Quem Me Dera Ser Onda - prosa de Manuel Rui Monteiro.
·         Sobreviver em Tarrafal de Santiago - poesia de António Jacinto.
·         Terra Morta - romance de Castro Soromenho.





·         Adriano Botelho de Vasconcelos (1955)
·         Agostinho Neto (1922—1979)
·         Ana Paula Ribeiro Tavares (1952)
·         António Jacinto (1924—1991)
·         Arlindo Barbeitos (1940)
·         Henrique Abranches (1932—2002)
·         Isabel Ferreira (1958)
·         João Melo (1955)
·         José Eduardo Agualusa (1960)
·         José Luandino Vieira (1935)
·         Kardo Bestilo (1976)
·         Luís Filipe Guimarães da Mota Veiga (1948—1998)
·         Ondjaki (1977)
·         Paulo de Carvalho (1960)
·         Pepetela ou Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos (1941)
·         Ribeiro Tenguna (1979)
·         Uanhenga Xitu (1924)
·         Víctor Kajibanga (1964)
·         Viriato Clemente da Cruz (1928—1973)

       Autores Premiados Internacionalmente

·         Agostinho Neto (1922 - 1979): Prémio Lotus da Associaçăo dos Escritores Afro-Asiáticos (1970).
·         António Jacinto (1924 - 1991): Prémio Noma, Prémio Lotus da Associaçăo dos Escritores Afro-Asiáticos (1979).
·         José E. Agualusa (1960 - ): Grande Prémio Gulbenkian de Literatura para Crianças (2002).
·         Óscar Ribas (1909 - 2004): Prémio Margaret Wrong (1952), Prémio Monsenhor Alves da Cunha (1964).
·         Pepetela (1941 - ): Prémio Camões (1997).


Escritor, poeta, jornalista e ensaísta angolano, Óscar Ribas nasceu no dia 17 de Agosto de 1909, na cidade de Luanda, e faleceu a 19 de Junho de 2004, em Cascais. Fez uma breve passagem por Lisboa onde estudou aritmética comercial. Regressou, depois, a Luanda, empregando-se na Direcção de Serviços de Fazenda e Contabilidade. Aquando da sua estadia em Benguela, com apenas catorze anos de idade, começou a sentir os primeiros sintomas da cegueira que o viria a afectar total e definitivamente vinte e dois anos mais tarde. Considerado como o fundador da ficção literária angolana moderna, no seguimento de Assis Júnior, o autor deu os primeiros passos da sua actividade no campo das letras, publicando, em 1927, Nuvens que passam e, dois anos mais tarde, em 1929, Resgate de uma falta.

Depois de vinte anos sem editar, Óscar Ribas surpreendeu os seus leitores com o livro Flores e Espinhos, publicado em 1948, o qual, juntamente com dois novos títulos publicados em 1950, Uanga, e em 1952, Ecos da Minha Terra, constituem, de acordo com alguns estudiosos da área das Literaturas Africanas, a segunda fase de publicações do autor. O romance Uanga constituiu-se como um relato da sociedade luandense da época (finais do século XIX), onde se apercebem os traços caracterizadores do seu folclore, das suas superstições, da sua oralidade, da sua gastronomia e das suas formas de relacionamento.

Denotando uma preocupação extrema com a pesquisa, conservação e registo das tradições do seu país, o autor debruçou-se sobre temas de literatura oral, filologia, religião tradicional e filosofia dos povos de língua Kimbundu. Estas temáticas iriam, então, alicerçar e enformar o conjunto da sua obra, constituída pelos seguintes títulos:

Foi também homenageado com os seguintes títulos: Membro titular da Sociedade Brasileira de Folk-lore (1954); Oficial da Ordem do Infante, título concedido pelo governo português (1962); Medalha Gonçalves Dias pela Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro (1968); Diploma de Mérito da Secretaria de Estado da Cultura (1989).


Considerado fundador da ficção literária, Óscar Ribas iniciou a sua actividade literária ainda estudante do Liceu.

·         Nuvens que passam, (1927), (novela)
·         Resgate de uma falta, (1929), (novela)
·         Flores e espinhos Uanga, (1950)
·         Ecos da minha terra, (1952)

Em toda a produção literária posterior, Óscar Ribas demonstra na verdade uma propensão pouco comum entre os escritores da sua geração e mesmo em gerações posteriores. Revela-se profundamente preocupado com os temas da literatura oral, filologia, religião tradicional e filosofia dos povos de língua kimbundu. Destas preocupações resultam a sua bibliografia dos anos 60:

·         Uanga - Feitiço (Romance Folclórico)
·         Ilundo - Espíritos e Ritos Angolanos (1958,1975)
·         Missosso 3 volumes (1961,1962,1964)
·         Alimentação regional angolana (1965)
·         Izomba - Associativismo e recreio (1965)
·         Sunguilando - Contos tradicionais angolanos (1967, 1989)
·         Kilandukilu - Contos e instantâneos (1973)
·         Tudo isto aconteceu - Romance autobiográfico (1975)
·         Cultuando as musas - poesia (1992)


Agostinho Neto nasceu na aldeia de Kaxicane, região de Icolo e Bengo, a cerca de 60 km de Luanda. O pai era pastor e professor da Igreja Metodista e, a sua mãe, era igualmente professora.

Após ter concluído o curso liceal em Luanda, trabalhou nos serviços de saúde e viria a tornar-se rapidamente uma figura proeminente do movimento cultural nacionalista que, durante os anos quarenta, conheceu uma fase de vigorosa expansão em Angola.

Decidido a formar-se em Medicina,  embarca para Portugal em 1947 e matricula-se na Faculdade de Medicina de Coimbra, e posteriormente na de Lisboa. Dois anos depois da sua chegada à Portugal, foi-lhe concedida uma bolsa de estudos pelos Metodistas Americanos.

Envolve-se desde muito cedo   em actividades políticas sendo preso em 1951, quando reunia assinaturas para a Conferência Mundial da Paz em Estocolmo. Após a sua libertação, retoma as actividades politicas e torna-se representante da Juventude das colónias portuguesas junto do Movimento da Juventude Portuguesa, o MUD juvenil.

E foi no decurso de um comício de estudantes a que assistiam operários e camponeses que a PIDE o prendeu pela segunda vez, em Fevereiro de 1955 só vindo a ser posto em liberdade em Junho de 1957.

Por altura da sua prisão em 1955 veio ao lume um opúsculo com poemas seus, que  denunciavam as amargas condições de vida do Povo angolano.

A sua prisão desencadeou uma vaga de protestos em grande escala. Realizaram-se encontros; escreveram-se cartas e enviaram-se petições assinadas por intelectuais franceses de primeiro plano, como Jean-Paul Sart, André Mauriac, Aragon e Simone de Beauvoir, pelo poeta cubano Nicolás Gullén e pelo pintor mexicano Diogo Rivera, e em 1957, Agostinho Neto, foi eleito Prisioneiro Político do Ano pela Amnistia Internacional.

Em 1958, Agostinho Neto licenciou-se em Medicina e, casou com Maria Eugénia, no próprio dia em que concluiu o curso. Neste mesmo ano, foi um dos fundadores do clandestino Movimento Anticolonial (MAC), que reunia patriotas oriundos das diversas colónias portuguesas.

Em 30 de Dezembro de 1959. Neto voltou ao seu País, com a mulher, Maria Eugénia, e o filho de tenra idade, e passou a exercer a medicina entre os seus compatriotas. Em 8 de Junho de 1960, o director da PIDE veio pessoalmente prender Neto no seu Consultório em Luanda.

Uma manifestação pacífica realizada na aldeia natal de Neto em protesto contra a sua prisão foi recebida pelas balas da polícia. Trinta mortos e duzentos feridos foi o balanço do que passou a designar-se pelo Massacre de Icolo e Bengo.

Receando as consequências que podiam advir da sua presença em Angola, mesmo encontrando-se preso, os colonialistas transferiram Neto para uma prisão de Lisboa e, mais tarde enviaram-no para Cabo Verde, para Santo Antão e, depois para Santiago, onde continuou a exercer a medicina sob constante vigilância política. Foi durante este período, eleito Presidente Honorário do MPLA.

Por mostrar a alguns amigos em Santiago (Cabo Verde) uma fotografia, em que um grupo de jovens soldados portugueses sorriam para a câmara, segurando um deles uma estaca em que foi espetada a cabeça de um angolano e inserta em diversos jornais (por exemplo, no Afrique Action, semanário que se publica em Tunes) Agostinho Neto foi preso na cidade da Praia em 17 de Outubro de 1961 e transferido depois para a prisão de Aljube em Lisboa.

Sob forte pressão, interna e externa, as autoridades fascistas viram-se obrigadas a libertar Neto em 1962, fixando-lhe residência em Portugal. Todavia, pouco tempo depois da  saída da prisão, Agostinho Neto, em Julho de 1962, saiu clandestinamente de Portugal com a mulher e os filhos pequenos, chegando a Léopoldville (Kinshasa), onde o MPLA tinha ao tempo a sua sede exterior.

Em Dezembro desse ano, foi eleito presidente do MPLA durante a Conferência Nacional do Movimento. Em 1970 foi-lhe atribuído o Prémio Lótus, pela Conferência dos Escritores Afro-Asiáticos com a "Revolução dos Cravos" em Portugal e a derrocada do regime fascista de Salazar, continuado por Marcelo Caetano, em 25 de Abril de 1974.

O MPLA considerou reunidas as condições mínimas indispensáveis, quer a nível interno, quer a nível externo, para assinar um acordo de cessar-fogo com o Governo Português, o que veio a acontecer em Outubro do mesmo ano.

Agostinho Neto regressa a Luanda no dia 4 de Fevereiro de 1975, sendo alvo da mais grandiosa manifestação popular de que há memória em Angola

Agostinho Neto que na África de expressão portuguesa é comparável à Léopold Senghor na África de expressão francesa. Foi um esclarecido homem de cultura para quem as manifestações culturais tinham de ser, antes de mais, a expressão viva das aspirações dos oprimidos, armas para a denúncia de situações injustas, instrumento para a reconstrução da nova vida.

Membro fundador da União dos Escritores Angolanos, foi eleito pelos seus pares o seu primeiro Presidente.


       Poesia

·         1957 Quatro Poemas de Agostinho Neto, Póvoa do Varzim, e.a.
·         1961 Poemas, Lisboa, Casa dos Estudantes do Império
·         1974 Sagrada Esperança, Lisboa, Sá da Costa (inclui os poemas dos dois primeiros livros)
·         1982 A Renúncia Impossível, Luanda, INALD (edição póstuma)

       Política

·         1974 - Quem é o inimigo… qual é o nosso objectivo?
·         1976 - Destruir o velho para construir o novo
·         1980 - Ainda o meu sonho







A língua Portuguesa vem do Latim vulgar, e uniformizou-se a partir do século XVI e adquiriu as características do português actual. Em razão das navegações portuguesas nos séculos XV e XVI, tornou-se um dos poucos idiomas presentes na África, América, Ásia e Europa, sendo falado por mais de 200 milhões de pessoas.

Quanto à literatura, A literatura angolana apresenta uma complexidade e riqueza na sua história, temáticas e estrutura, consistindo num dos casos mais bem-sucedidos da CPLP. Na última década e graças essencialmente a uma maior estabilidade a nível político e social foi possível o desenvolvimento da mesma e o despoletar de uma criatividade cultural e artística, que lentamente é reconhecida internacionalmente.

De modo a contribuir para um maior valor além-fronteiras, é essencial iniciar o processo
de dentro, com os cidadãos, dotando-os de conhecimento sobre os textos nacionais. Os estudantes surgem como principal target ou alvo, tendo em conta a fragilidade das suas bases, provenientes de um sistema educativo deficiente e de uma mentalidade que não estimula hábitos de leitura, tanto na escola, como na família.

Neste seguimento, deve ser construída uma estratégia de comunicação de input com o objectivo de cultivar os cidadãos de uma forma consistente e duradoura, através das ferramentas atrás citadas, onde a escola tem um papel fundamental desde o primeiro ano de escolaridade. Valores primordiais devem ser tidos em conta: mudança; acesso; informação; divulgação. Só o sucesso desta fase permite acelerar uma estratégia de output para a esfera internacional, permitindo a divulgação da riqueza artística e cultural angolana, bem como do país, da sua gente e tradições de uma forma coerente e documentada, criativa e original.



       GARCIA, O. M. Comunicação em prosa moderna. 14. ed. Rio de Janeiro, Fundação Getúlio Vargas, 1988.

       GENOUVRIER, E. & PEYTARD, J. Linguística e ensino do português. Coimbra, Almedina, 1974.

       ABRANCHES, José Mena (Org.). Angola em paz: novos desafios. Luanda: Maianga, 2005.

       BENDER, Gerald J. Angola sob o domínio português – mito e realidade. Luanda, Col. Ensaio - 21, 2004.

       OLIVEIRA, E. Todo o mundo tem dúvida, inclusive você.; português. 5. ed. Porto Alegre, Sagra Luzzatto, 1999.

       OLIVEIRA, L. C. ABC da intelecção de textos e da redacção. 3. ed. São Paulo, edição do autor, 1984.

       OLIVEIRA, N. C. Português ao alcance de todos. 23. ed. Rio de Janeiro, Barbero, 1972.

       BOAHEN, Albert Adu. A África diante do desafio colonial. In: A África sob dominação colonial, 1880-1935. Org. Albert Adu Boahen. São Paulo/Paris: Ática/UNESCO, História Geral da África, vol. VII, 1991a, p. 25-41.

       ERVEDOSA, Carlos, Roteiro da Literatura Angolana. Cuba: União dos Escritores Angolanos, Cuba,  1985.

       Óscar Ribas (Portuguese-Angolan folklorist) (em inglês) Britannica Online Enciclopédia. Visitado em 10/08/2009.

       Morreu escritor e etnólogo angolano Óscar Ribas (em português) Jornal de Notícias (21 de Junho de 2004). Visitado em 29 de Dezembro de 2011.

       Pires Laranjeira (1995). Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa, Universidade Aberta, pág. 51.

       Infopédia. Porto: Porto Editora, 2003-2013

       Hamilton, Russel G.. Voices from an empire: a history of afro-portuguese literature. [S.l.: s.n.]. 45 - 48 p.

       Quatro Poemas de Agostinho Neto, 1957, Póvoa do Varzim, e.a.

       Carreira, Iko, O pensamento político de Agostinho Neto, Lisboa: D. Quixote, 1996 ISBN 9789722013482



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