sexta-feira, 12 de junho de 2015

CENTROS DE DOCUMENTAÇÃO - Trabalho Elaborado Por Vieira Miguel Manuel

Trabalho Elaborado Por Vieira Miguel Manuel




ÍNDICE







 




Centro de Documentação é o objecto deste trabalho. Podemos apresentá-lo como uma entidade híbrida, cuja definição e características discutiremos a seguir. Talvez por ser entidade “mista”, que não conta com uma teoria e metodologia específicas para o tratamento do acervo, o Centro de Documentação seja a instituição de documentação que menos ocupou espaço na bibliografia das diferentes áreas que compõem as Ciências da Informação, embora esteja frequentemente presente em empresas, órgãos públicos, entidades de trabalhadores, movimentos sociais e universidades.

A área que mais se ocupou deles foi a Biblioteconomia, pois os considera parte de seu domínio, e o fez numa dimensão bastante específica: organizando e referenciando os documentos como peças isoladas, qualquer que fosse sua natureza, e tratando as informações neles contidas como dados a serem decompostos e reordenados. Somos contrários à aplicação dos princípios e normas que regem a Biblioteconomia à totalidade dessa documentação, na medida em que esse procedimento desrespeita as características diversificadas dos acervos que os Centros abrigam, e os vemos como entidades bem mais complexas. Essa visão baseia-se, sobretudo, nas dimensões que têm assumido os Centros de Documentação Universitários e de Instituições Culturais.





O Centro de Documentação representa uma mescla das entidades anteriormente caracterizadas, sem se identificar com nenhuma delas. Reúne, por compra, doação ou permuta, documentos únicos ou múltiplos de origens diversas (sob a forma de originais ou cópias) e/ou referências sobre uma área específica da actividade humana. Esses documentos e referências podem ser tipificados como de arquivo, biblioteca e/ou museu. Tem como características:

·         Possuir documentos arquivísticos, bibliográficos e/ou museológicos, constituindo conjuntos orgânicos (fundos de arquivo) ou reunidos artificialmente, sob a forma de colecções, em torno de seu conteúdo;
·         Ser um órgão coleccionador e/ou referenciador;
·         Ter acervo constituído por documentos únicos ou múltiplos, produzidos por diversas fontes geradoras;
·         Possuir como finalidade o oferecimento da informação cultural, científica ou social especializada;
·         Realizar o processamento técnico de seu acervo, segundo a natureza do material que custodia.

Os Centros de Documentação extrapolam o universo documental das Bibliotecas, embora possam conter material bibliográfico (que será sempre e unicamente aquele relacionado à temática na qual o Centro é especializado), e aproximam-se do perfil dos arquivos, na medida em que recolhem originais ou reproduções de conjuntos arquivísticos.

A acumulação desse acervo possibilita aos Centros cumprirem suas funções de preservação documental e apoio à pesquisa, no mais amplo sentido: não só colocando à disposição do pesquisador referências para a localização das fontes de seu interesse, mas também tornando-se um pólo de atracão da produção documental de pessoas e entidades que actuam ou actuaram no seu campo de especialização.

A aquisição, o armazenamento e o processamento técnico desse acervo possuem características biblioteconômicas, arquivísticas e/ou museológicas devido à própria diversidade do material reunido – diversidade que é, ao lado da especialização temática, a marca distintiva dos Centros de Documentação, e que está presente também em suas actividades referenciadoras.

Modernamente, há a predominância dos procedimentos arquivísticos, pois a tendência dos Centros tem sido a de enfatizar a obtenção de arquivos pertinentes à sua área. Essa tendência se justifica pelo fato de os arquivos serem a expressão material da actuação quotidiana de pessoas e entidades, nos diferentes campos, que se tornaram objecto de um repensar por parte dos mais variados segmentos sociais. Assim procedendo, os Centros de Documentação tornaram-se depositários de documentos únicos por natureza, os quais, em poder de seus detentores originais, eram, normalmente, pouco ou nada acessíveis e não contavam com outro local que os reunisse e tratasse adequadamente.

São, portanto, competências gerais de um Centro de Documentação:

·         Reunir, custodiar e preservar documentos de valor permanente e referências documentais úteis ao ensino e à pesquisa em sua área de especialização;
·         Estabelecer uma política de preservação de seu acervo;
·         Disponibilizar seu acervo e as referências colectadas aos usuários definidos como seu público;
·         Divulgar seu acervo, suas referências e seus serviços ao público especializado;
·         Promover intercâmbio com entidades afins.


Como vimos “…a documentação tende a preocupar-se mais com o material ‘não livro’, que dificilmente pode ser controlado pelas técnicas tradicionais da biblioteconomia feita para livros, notadamente a análise do conteúdo de periódicos nas ciências naturais e sociais.” (COBLANS, 1957). Observa-se assim a relevância da sistematização das técnicas documentais para o tratamento das informações decorrentes das actividades humanas.

Entende-se sistema documental como o conjunto de funções que desempenham os diversos Centros de Documentação, segundo o objectivo que lhes foi fixado ou que definem. Estes apresentam uma característica de linearidade, com um processo de informação que compreende graus separados ou operações elementares: produção, registo e formação, catalogação, conservação e difusão, despistagem e exploração pelo utilizador. Identificadas suas inter-relações e seus graus de dependência, todo o processo de informação é comparado a uma cadeia.

A cadeia de transmissão da informação é formada por quatro elos:

1)      Recolha: função básica de todos os sistemas documentais. Um dos principais problemas é a existência da chamada informação subterrânea, que é a documentação não publicada via edição clássica, tal como os relatórios de pesquisa de laboratório e institutos, teses, pré-impressões, comunicações de congressos e seminários, que tornam a operação de recolha demorada, complicada e dispendiosa.

2)      Tratamento da informação documental: trata-se do conjunto de operações básicas efectuadas para a transformação, ou formação, memorização e a restituição das informações contidas nos documentos recolhidos. São fases do tratamento informacional:

a)      A análise documental: operação ou conjunto de operações que se destina a apresentar o conteúdo de um documento de forma diferente do original, a fim de facilitar a consulta ou a sua referenciação. São métodos de análise documental:

i)                    Resumo: representação condensada de um documento. Podem ser classificados:

(1)   Segundo o nível de análise
(a)    Sinal ético
(b)   Analíticos
(c)    Críticos
(2)   Segundo a Origem
(a)    Resumos de autores
(b)   Resumos redigidos por analistas

ii)                  Indexificação ou indexação: expressão condensada das características do documento nos termos de uma linguagem adequada ao sistema considerado e fortemente restrito à linguagem natural. Determina os dados e critérios a memorizar e sobre os quais se efectuarão as operações de procura.

b)      A procura documental: O documento analisado é sujeito à busca para fins de recuperação. São operações de procura documental (ou operações de selecção) ”:

i)                    A memória documental: que pode apresentar dois tipos principais de organização.

(1)    Organização por documento: onde a unidade de registo é o documento e seguido de suas características com tantos registos quanto documentos. Ideais para fichas pé-perfuradas ou ficheiros sequenciais.

(2)    Organização por ideia: onde a unidade de registo é a característica seguida de todos os documentos que apresentam essa característica.

ii)                  As operações de selecção se fundamentam na álgebra lógica para introduzir as relações lógicas entre as classes de documentos. Tendo como as principais operações a reunião de classes (extrair da memória todo A e todo B), intersecção (extrair todo documento que é A e B ao mesmo tempo) e a exclusão (extrair todo A que não é B).

3)      A difusão das informações: função final da cadeia documental. Trata-se da disseminação das informações recolhidas e tratadas dos diversos âmbitos dos sistemas documentais. Tem como aspectos principais:

a)      Difusão Geral: Redistribuição geral da informação ao conjunto das pessoas interessadas no sistema;

b)      Difusão selectiva: redistribuição parcial da informação a pessoas ou grupo de pessoas afectadas, segundo o interesse dispensado a certos tipos de informações. As técnicas documentais estão sobre a responsabilidade dos Centros de Documentação, que elaboram os sistemas mais adequados ao desempenho da missão que lhe é atribuída, sendo identificáveis quatro tipos de centros:

1)      Centros Nacionais Interdisciplinares: abarcam o conjunto dos campos científicos e técnicos do conhecimento. Muitas vezes de carácter estatutário, tem como objecto de actuação o conjunto da documentação nacional e uma grande parte da documentação internacional. Tem como funções essenciais a recolha e a conservação.

2)      Centros Internacionais: actuam no âmbito das disciplinas ou técnicas claramente definidas. Tem o objectivo de reunir o conjunto da documentação que possa existir em um campo de actuação. São centros de informação especializada, muitas vezes com objectivos comerciais financiadas por grandes organizações internacionais;

3)      Centros especializados: são centros que trabalham em escala nacional num campo particular.

4)      Serviços de Documentação: tem seu campo definido pelo campo de actuação do organismo a qual pertence. Não possui o grau de autonomia de seus precedentes. São essenciais na difusão da informação, pois, devido a proximidade com os utilizadores, podem conhecer com precisão suas necessidades.






Desde a antiguidade, a prática de organização de registos gráficos está interligada com as actividades de conhecimento humano. Nesta necessidade desenvolveram-se as actividades biblioteconômicas e documentarias. A partir da instituição do método científico, é produzidas uma enorme quantidade de material informacional. São relatórios, microfilmes, microfichas, fotos, partituras, todo o tipo de material documental que precisa ser correctamente tratado para fins de recuperação da informação.

Dai se estabelece a importância do trabalho do documentalista, ao dispor de técnicas documentais para a garantia do acesso da informação ao usuário correcto.

A partir das definições dos diversos autores, define-se Centros de Documentação como: uma mescla das entidades anteriormente caracterizadas, sem se identificar com nenhuma delas. Reúne, por compra, doação ou permuta, documentos únicos ou múltiplos de origens diversas (sob a forma de originais ou cópias) e/ou referências sobre uma área específica da actividade humana. Esses documentos e referências podem ser tipificados como de arquivo, biblioteca e/ou museu.










BECK, Ingrid. Manual de conservação de documentos. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 1995.

BRADFORD, S. C. Natureza, origem e finalidade da documentação. In: BRADFORD, S. C. Documentação, s. I: Editora Fundo de Cultura, 1948. P.69-77

CHAUMIER, Jacques. As técnicas documentais. Lisboa. Publicações Europa-América, 1971.

COBLANS, Herbert. Introdução ao estudo da documentação. Trad. do original inglês por Maria Antonieta Requião Piedade. DASP, Rio de Janeiro, 1957. 147 p. (Ensaios de Administração 8)

CORTEZ, Maria Tereza. Centro de Documentação: implantação com microcomputador. 2. ed. revista e ampliada. São Paulo: s.p.c., 1987.

FONSECA, Edson Nery da. Problemas de comunicação da informação científica. São Paulo: Thesaurus Editora, 1973. P. 95-100

KHOURY, Yara Aun (coord.). Guia da Central de Documentação e Informação Científica – CEDIC – PUC/SP. São Paulo: CEDIC/EDUC, 1995. (Memória, Documentação e Pesquisa, 3).

LITTON, Gaston. A Documentação: ed. bras. rev. e adapt.. São Paulo : McGraw-Hill do Brasil, 1976. P.65-78.


SHERA, J. H., EGAN, M. E. Exame do estado atual da biblioteconomia e da documentação. 1953. In: BRADFORD, S. C. Documentação, s. I: Editora Fundo de Cultura, 1948, p.15-61.

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