sexta-feira, 25 de setembro de 2015

GRUPOS E EQUIPAS NA ORGANIZAÇÃO - Trabalho elaborado por Vieira Miguel Manuel


INSTITUTO SUPERIOR DE ANGOLA
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS HUMANAS
LICENCIATURA EM GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS




                                            




GRUPOS E EQUIPAS NA ORGANIZAÇÃO










ANA NZOKO DA SILVA









PROFESSOR


DR. SAMUEL WASSUCA (PhD)







LUANDA
2015

INSTITUTO SUPERIOR DE ANGOLA
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS HUMANAS
LICENCIATURA EM GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS












GRUPOS E EQUIPAS NA ORGANIZAÇÃO









ANA NZOKO DA SILVA





Trabalho a ser apresentado ao Curso de Gestão de Recursos Humanos como requisito parcial ao desenvolvimento da elaboração de Monografia.

Profesor: Dr. Samuel Wassuca “PhD”
 
 
















LUANDA, SETEMBRO DE 2015
DEDICATÓRIA


Dedico este trabalho à minha família, colegas que tem servido de um grande exemplo para mim, com empenho que eles tem demonstrado e o resultado que têm obtido por isso, tem sido uma prova de que também sou capaz se eu me esforçar, em suma, eles são a minha fonte de inspiração por isso a minha dedicatória é, de forma especial, aos meus estimados colegas.




Em primeiro lugar agradeço à Deus pelo simples facto de estar e viva e me dar força de vontade e me mostrar que com o seu apoio tudo é possível mesmo que aparentemente para mim não seja, à Ele o meu mais sincero agradecimento por tornar um facto a realização do presente trabalho.

Sou grata, em segundo lugar, à minha família e às muitas idéias que meus professores e colegas em todos os níveis têm compartilhado comigo.

Quero também, por meio desta, agradecer de uma forma geral todos os que directa ou indirectamente tem me apoiado nesta fase da minha vida que já mais será esquecida.






No presente estudo encontraremos um conjunto de informações relacionadas à grupos e equipa na organização, assim como às peculiaridades que caracterizam o comportamento dos seus membros. Mais do que um roteiro de como trabalhar com grupos e equipas deseja-se favorecer a sua reflexão a respeito da complexidade do comportamento humano, quando inserido numa coletividade que, neste caso, desempenha as suas atividades num cenário maior chamado “organização”. O trabalho está dividido em duas partes sendo que, na primeira, o foco recai sobre os grupos, enquanto a segunda enfatiza o estudo das equipas de trabalho. A primeira seção está organizada de maneira a guiar-nos, em primeira instância, a definição e características dos grupos. A segunda parte também se inicia com uma breve introdução na qual as equipas são definidas e as suas características são especificadas com o objectivo de estabelecer as diferenças entre grupos e equipas de trabalho.


Palavras-chave: Grupos, Equipas de Trabalho, Organizações.




SUMÁRIO







A vida humana é grupal. Desde que nascemos até a fase adulta nos relacionamos com diversas pessoas, cada uma com suas características e peculiaridades, refletindo o grupo de referência a que pertence. Ou seja, estamos inseridos numa coletividade, onde conhecemos e fazemos parte de vários grupos.

No meio corporativo, de acordo com o comportamento dos indivíduos, encontramos os grupos de trabalho e as equipas de trabalho, cada qual com características bem distintas, cada qual com suas normas e regras conforme veremos no desenrolar deste trabalho.

Como podemos compreender, os grupos permeiam toda a sociedade e diante de um cenário empresarial competitivo, onde o trabalho em equipa é uma das competências mais valorizadas actualmente, é necessário conhecer a diferença entre os grupos e as equipas, de modo a compreender a funcionalidade de cada um, assim como o comportamento de seus indivíduos, tudo isso será considerado com mais detalhes científicos com base em referências bibliográficas usada nesta pesquisa.





Um peixe, se consciência tivesse, provavelmente não se daria conta de que vive permanentemente na água. Nós, raramente tomamos consciência de que vivemos imersos numa grande camada de oxigénio. Do mesmo modo, quase nunca nos apercebemos que vivemos em contato direto com os grupos e as instituições. Somente quando o peixe é retirado da água, quando sofremos alguma privação de oxigénio, quando nos afastamos ou perdemos um grupo de referência, é que sentimos o quanto estávamos envolvidos por este meio ambiente, que nos abraça de forma tão sutil, tão cotidiana, que o temos como um fato, pouco nos importamos com ele. Tal qual o amor, não a paixão, que nos acarinha com tranquilidade, segurança e que alguma vez sentimos sua falta, mas não a sua presença.

Pois de maneira parecida ocorre com os grupos. De tão habituados a viver em relação com os demais, poucas vezes nos damos conta de sua importância ou de sua influência em nossos comportamentos ou em nossas decisões.

Portanto, porque é importante o estudo do grupo e equipa na organização? Será que esse estudo pode melhorar aspectos importantes nos nossos comportamentos como gestores de recursos humanos? E, como os estudos sobre grupos e equipas podem ser aplicados as organizações?



·         Compreender as principais características e contraste entre um grupo e uma equipa e mostrar a sua importância numa organização.


·         Discriminar conceitos relativos a grupos e equipas, compreendendo a inter-relação entre eles;
·         Identificar os elementos que afetam a estrutura das equipas de trabalho.
·         Refletir sobre como o estudo sobre os grupos e equipas pode auxiliar no entendimento dos processos organizacionais.


Falar de grupo e equipa na organização é um assunto que prende atenção de muitos, particularmente para nós como estudantes de Gestão de Recursos humanos, pois para muitos, assim como para mim antes desta pesquisa, têm muitos obstáculos em diferenciar quando é que estamos diante de um grupo e quando é que um conjunto de pessoas são consideradas uma equipa, será que existe efectivamente uma diferença entre um grupo e uma equipa? Talvez nos perguntados, se existe uma dissemelhança, como estão organizados estes grupos? Ora, compreender estes aspectos é indispensável para todo gestor de recursos humanos, pois esta matéria está comumente relacionada à liderança e a maneira como ela é exercida define nitidamente o jeito como devemos entender grupo e equipa na organização.


·         Toda equipa é um grupo, mas nem todo grupo é uma equipa;
·         Equipa é um grupo que compreende seus objectivos e está engajado em alcançá-los de forma compartilhada.










Embora todos conheçamos grupos e pertençamos a vários deles, é mais fácil descrever um grupo que defini-lo. Uma definição que tem se mostrado adequada é a de que um grupo é um conjunto formado por duas ou mais pessoas que para atingir determinados objectivos necessita algum tipo de interação, durante um intervalo de tempo relativamente longo, sem o qual seria mais difícil ou impossível obter o êxito desejado. Ou dito de outro modo, um conjunto de pessoas se caracterizará mais fortemente como grupo segundo as seguintes condições: a) quanto menor for o número de seus membros; b) quanto maior for a interação entre os seus membros; c) quanto maior for a sua história e d) quanto mais perspectiva de futuro partilhado seja percebido pelos seus membros. Como se vê, definições funcionais que pretendem apenas situar o leitor de forma que ele possa compreender o processo que se estabelece em uma relação na qual se pode dizer que existe um grupo.

Talvez um contraponto sirva para aclarar as idéias. Pessoas esperando um autocarro em uma paragem não constituem um grupo porque o objectivo a alcançar depende unicamente de cada uma delas. Mesmo só a pessoa pode atingir seu objectivo de tomar a condução. Já amigos que se reúnem nos finais de semana para jogar futebol, pode ser considerado um grupo na medida em que necessitam um dos outros para poder se divertir. Podem até ser concorrentes em outras áreas da vida profissional, mas ali, naquele momento, formam um grupo sim.

Desse modo, os grupos possuem determinadas características como serem pequenos, ou seja, as pessoas se conhecem entre si, existe uma relação face a face; compartilham objectivos e aceitam as normas construídas pelo próprio grupo. Em relação às normas construídas pelo próprio grupo, cabe se remeter a alguns estudos sobre construção de normas sociais. Geralmente pouca conta nos damos de que partilhamos normas e ao mesmo tempo estamos contribuindo para a sua construção através dos diversos encontros que temos com nossos companheiros, familiares, cônjuges, enfim, com quem nos relacionamos socialmente. Quando fofocamos, estamos estabelecendo normas de comportamento. Se fulano fez isto ou aquilo, passa por nosso comentário, maldoso ou não, a aceitação do seu comportamento. Assim, estamos nesse instante determinando se aquele comportamento é coerente com o que desejamos ou se pelo contrário ele deve ser modificado, e estabelecemos sanções ou reforços destinados a manter ou a mudar a maneira como nosso colega comportou-se.

Essas normas são conhecidas por todos os membros do grupo. Não estão escritas, porém quase sempre são seguidas à risca. Pertencer ao grupo implica em se submeter às suas regras e normas. Para isto são também estabelecidos prêmios e castigos. Os prêmios em geral se dão na forma de aceitação e prestígio. As punições variam desde as que se administram em forma de brincadeiras, passando por admoestações explícitas, até a expulsão ou morte física do antigo companheiro. Exemplos diversos podem ser identificados ao analisar o que ocorre muitas vezes nos grupos de delinquentes, de presos ou em grupos terroristas. A morte é sempre uma possibilidade a quem fugir de determinadas regras. A história é rica em exemplos como estes, os jornais diários, infelizmente, também.

As organizações não fogem à regra, ali também os grupos existem e constituem a matéria prima do seu desenvolvimento. Em duas organizações que têm mesmo objectivo, como dois colégios, duas lojas comerciais ou duas fábricas de automóveis, muitas vezes o que vai diferenciar uma da outra é a maneira como as normas grupais foram estabelecidas. Muitos gerentes ou administradores pensam que um roteiro de normas a serem seguidas é suficiente para fazer com que as pessoas sigam ao pé da letra tudo aquilo que ali está escrito. Este sempre é o grande sonho dos administradores mais autoritários, mais controladores. Ledo engano! Nem nos quartéis as normas são respeitadas ao pé da letra. Ali vige a norma de que vale não ser pego em flagrante. Isto ocorre porque os grupos têm um poder muito forte nas organizações e este poder pode ser utilizado em favor da busca do cumprimento de objectivos organizacionais ou contra esses objectivos. O administrador capaz é aquele que consegue lidar com essas normas de tal maneira que elas se orientem para a consecução dos objectivos organizacionais e não, contra. Como existe uma tensão constante nos grupos, pois as pessoas possuem diferentes cognições e valores que devem compartilhar, distintas percepções estão sempre presentes. A capacidade administrativa em lidar com as pessoas consiste fortemente em lograr a superação dessas tensões canalizando-as para objectivos grupais, que sejam concatenados com os objectivos organizacionais. Uma administração participativa implica necessariamente em saber lidar com essas diferentes percepções, e abrir canais de expressão para as forças de ação desenvolvidas no grupo, de sorte que encontrem seu lugar, liberando de forma assertiva o contraditório dentro de cada grupo ou equipa e, portanto, na organização.



Os homens são seres sociais, portanto, necessitam viver em grupo. Apesar de passar despercebidos para si mesmos que já estão inseridos nesse contexto social. O primeiro grupo a que pertencemos é a família, e aos poucos vamos estendendo a participação no ambiente em que vivemos, como a escola, grupos religiosos e na vida adulta a admissão ao grupo organizacional.

Ao pertencermos a determinados grupos, adquirimos atitudes e comportamentos parecidos que nos molda de uma forma que levam as pessoas a perceber que somos participantes de certo seguimento, que muitas vezes chamamos de estereótipo. Quando isso acontece estamos nos referindo aos comportamentos próprio do grupo a que um sujeito é integrante, onde os participantes apresentam comportamentos parecidos ou semelhantes. Alguns grupos parecem tão homogêneos (com exceção das diferenças individuais) que as pessoas falam, gesticulam e riem da mesma forma, por exemplo.

Fazer parte de um grupo é importante para todo e qualquer indivíduo, mesmo para aqueles que negam isso. Toda pessoa que é integrante de um grupo tem um papel dentro dele. Um papel definido e ativo (ou ativo-passivo ou passivo). Caso tenha que encarar a situação de ser inserido em um novo grupo, como a entrada num grêmio estudantil, nova comunidade, nova escola, faculdade, entre outros, a tensão e a ansiedade diante dessa realidade assusta, porque há uma angústia em se encaixar, procurar semelhantes e/ou aliados. Sair do anonimato é complexo para alguns e para outros é mais uma oportunidade, mas não deixa de ser um desafio.

Todo grupo tem regras, normas, direitos e deveres, que necessariamente não precisam ser colocadas em Atas, mas apenas implícitas. Aos poucos, se reconhece o poder exercido, os benefícios e punição por não cumprir o que já está determinado, qual a forma de participar obtendo sucesso e prestígio ou então sofrer as consequências da má participação.
Algo que as pessoas não entendem, seja escola, faculdade, organização ou núcleo familiar, elas é que tem que se encaixar e não ao contrário. O que pode acontecer é entrar para o grupo e tentar transformá-lo o que nem sempre é fácil ou possível. Por inúmeras razões, uma delas é se o grupo está propício a mudanças, a segunda se ele quer mudanças ou se as regras já são tão velhas e arraigadas que não cabe nada novo e o terceiro e último é se as mudanças que a pessoa quer no grupo são realmente necessárias.



Pelo visto até agora podemos estar nos perguntando em que medida o nosso comportamento representa a nossa individualidade ou reflete as características do nosso grupo. São as duas coisas. Somos fruto de nossa personalidade, porém somos ao mesmo tempo resultado da interação dessa personalidade com os grupos a que pertencemos, aos quais valoramos. Todos queremos aparecer bem ante os demais. A questão é que não a todos os demais e sim àqueles que elegemos como mais importantes para nós. Em outras palavras, nosso comportamento é também fruto da interação com os outros, até quando estes não estão fisicamente presentes. É aí que muitas vezes esbarra a capacidade de algumas pessoas: pais, professores ou gerentes, para administrar o comportamento dos demais. Pensa-se que o comportamento é só o indivíduo, mas não, é resultante do indivíduo e suas circunstâncias, seus grupos de referência. E mudar o indivíduo sem entender o grupo ao qual pertence é muito mais complicado. Mais fácil resulta mudar o grupo, e como consequência o indivíduo, do que o contrário.

Para administrar pessoas, devemos compreender que o grupo é maior do que os indivíduos, embora por eles seja constituído. Possuir uma visão global ou sistêmica é o caminho mais adequado para conseguir estabelecer padrões de comportamento desejáveis em uma organização. Compreendendo que os grupos existem, que estabelecem normas de convivência e que estas normas podem ir a favor ou em contra dos objectivos organizacionais, o administrador pode estabelecer suas próprias regras comportamentais de forma a interagir de maneira adequada com os diversos grupos e assim lograr seus objectivos.

Embora possa parecer simples, gerenciar o comportamento humano é uma tarefa complexa. Os membros da organização reconhecem as diferenças entre os comportamentos socialmente sustentados pelo seu grupo e as cobranças feitas pela organização. Nestas circunstâncias, a comunicação constitui um elemento que favorece o adequado gerenciamento. Contudo, ela é benéfica apenas na medida em que as pessoas encarregadas de gerenciar esses indivíduos conhecem os grupos aos quais pertencem assim como as regras que, nesses grupos, norteiam o comportamento. Com base nessa informação é possível estabelecer normas de comum acordo que favoreçam as metas organizacionais, e estejam em harmonia com as necessidades individuais. Existem evidências que apontam que na complexidade de comportamentos da organização, um aspecto de fundamental importância para o adequado gerenciamento de indivíduos e grupos é a comunicação aberta na qual ouvir é tão importante quanto falar. Fazer de conta que está ouvindo, jogar uns contra os outros pode desencadear competição nociva entre os indivíduos o que desemboca em baixos níveis de satisfação e comprometimento, prejudicando todos os membros da organização.



Quando falamos em liderança nos vem à mente figuras da história ou das religiões que fortes influências exerceram em seus povos. Aí existem explicações para tudo, do mesmo modo que havia explicações contraditórias sobre se somos ou não influenciados pelos grupos, como visto acima. O que nos interessa chamar a atenção é para o quotidiano, o dia-a-dia da empresa, da organização, onde as relações de poder são exercidas a diário, os objectivos devem ser cumpridos e as metas são estabelecidas. Este é o terreno em que queremos discutir sobre liderança.

Defendemos neste estudo que o comportamento é resultado de muitas variáveis, algumas internas ao próprio indivíduo e outras externas a ele. Pois com a liderança se dá o mesmo, o líder é um fenômeno grupal, funcional, ele existe em determinada circunstância e lugar histórico e não de forma descontextualizada. E o líder também se dá por momentos, assim, uma pessoa não é líder todo o tempo. Um grande líder em casa será esposo e pai.

Então, o líder geralmente é a pessoa que em determinadas circunstâncias tem a possibilidade de melhor refletir as aspirações do grupo a que pertence. Nem é o mais inteligente, nem o mais bonito, nem o mais radical ou conservador, na maioria das vezes exerce esse papel aquele que melhor síntese faz das aspirações do grupo. Mudando as aspirações, ou o líder muda com elas ou se muda o líder.

Em sistemas institucionais, ou seja, nas organizações, exercer liderança significa estar centrado nos grupos, podendo ou não possuir cargos ou apoio institucional. É o processo, a maneira de lidar com as pessoas, a capacidade de enfrentar obstáculos para defender os interesses do grupo ou a capacidade de correr riscos para cumprir metas, o que faz um líder. Quer dizer, estamos considerando que liderar é resultado de um processo interativo entre pessoas que têm aspirações e que devem ser cumpridas em um determinado espaço institucional. Saber conjugar os objectivos e aspirações dos que estão envolvidos nesse processo, com as metas e os objectivos organizacionais é o desafio de liderança que se coloca àquele que de alguma maneira representa o poder instituído.


Ao longo deste trabalho já apresentamos o que são os grupos, a influência que exercem sobre o comportamento dos seus membros e algumas características da dinâmica do seu funcionamento. Ao falar dos grupos nas organizações foi dito que podem afetar os resultados do desempenho dos seus membros, portanto, no funcionamento da organização. Tomando como base os mesmos princípios que orientam a vida e o funcionamento dos grupos, um tipo específico de grupo será focalizado nesta parte do nosso estudo: as equipas de trabalho.


Existe várias definições para equipas de trabalho e podem ser encontradas divergências dependendo do aspecto enfatizado pelos autores interessados no seu estudo. Assim, segundo Arrow e McGrath (1995) definem o grupo de trabalho como um padrão complexo de relações dinâmicas entre um conjunto de pessoas (membros), que utilizam uma determinada tecnologia para atingir propósitos comuns. Nesta definição, os autores apontam a existência de três elementos constitutivos: os membros, o propósito ou objectivo e a tecnologia. Esta última compreendida como as ferramentas e procedimentos utilizados para a efectiva realização do trabalho. Guzzo e Dickson (1996), por sua vez, definem grupo de trabalho como indivíduos que se percebem e são percebidos pelos outros como uma entidade social, interdependentes por causa das tarefas que desempenham, e inseridos num sistema social maior, a organização, que é afetada pelo desempenho do grupo. Conforme se pôde observar, esta definição não prioriza os propósitos, mecanismos ou produtos do trabalho da equipa, mas os indivíduos que as integram. A ênfase recai principalmente nas relações internas mantidas entre eles, assim como com o meio externo ao qual pertencem.

West Borrill e Unsworth (1998) definem o grupo de trabalho como uma entidade social, inserida no contexto organizacional, desempenhando tarefas que tanto contribuem para que o objectivo da organização seja atingido, como afetam outros indivíduos dentro e fora da organização. Segundo estes autores, os membros desta entidade social, são interdependentes entre si para a execução das tarefas e são identificados como grupo dentro e fora da organização. Esta definição, portanto, incorpora alguns dos aspectos apontados pelas duas anteriores.

A partir das definições apresentadas, podemos talvez nos perguntar se os termos grupo e equipa de trabalho são sinônimos quando usados para descrever unidades de trabalho inseridas no seio da organização. Pois bem, apesar de guardarem semelhanças, trata-se realmente de estruturas diferentes pelo que a seguir tais diferenças serão enfatizadas.


Identificar os tipos de equipas não é fácil, porque nem sempre as características que observamos podem não ser próprias da equipa. As classificações são diversas e fica complicado chegar a um consenso. Mas há alguns critérios que ajudam na identificação como: tempo, duração, missão, natureza da atividade, a ordem de seus elementos e a finalidade das tarefas.

Na organização podem existir equipas permanentes e as temporárias. Uma que se une em prol de um objectivo temporário e a outra que está na organização e faz parte de um trabalho permanente. No primeiro caso podemos citar as pessoas que são contratadas para a época de natal no comércio e em algumas indústrias ou na páscoa. Os permanentes são os contratados para integrar uma equipa que tem o objectivo de atender ou produzir por período indeterminado, como exemplo uma indústria têxtil ou de móveis. Casos em que estão sempre renovando seus produtos com o intuito de agradar seus clientes e mantê-los. Podemos citar também a indústria automobilística.

Quando o foco é a missão temos as equipas de trabalho. Já para “incrementar a efetividade dos processos organizacionais”, surgem às equipas de desenvolvimento. Os grupos de tarefas, equipas propriamente dita e tripulação surgem quando o elemento da estrutura da equipa é priorizado. Nos grupos de tarefa é enfatizado o cumprimento da tarefa antes que a sobrevivência do grupo. Quando o objectivo é atingido o grupo se desfaz. Nas equipas o elemento mais importante são os indivíduos e o sucesso da inter-relação deve ser favorável para cumprir as tarefas necessárias. Já as tripulações o mais importante é o objectivo, vindo em segundo a tecnologia que geralmente é complexa.

O modo de classificar se as equipas são temporárias ou permanentes se refere à duração e ao objectivo. Essas não são as únicas formas de classificação, sendo preciso realizar uma pesquisa maior.


Existem elementos que afetam a estrutura das equipas de trabalho. Uma delas são as normas que regem o comportamento e o desempenho dos membros e a tolerância com o sucesso ou fracasso de cada um. São diferentes das regras de uma organização por serem estabelecidas de forma informal. Outra seria a forma como são apresentados os papéis atribuídos aos participantes dentro da equipa. Pois o papel atribuído deve ser desenvolvido de forma aceitável.

Realizando aquilo para o que foi proposto. Sendo que esse papel pode não ser espontâneo. Existe ainda o prestígio ou status que se alcança. Que pode ser interpretado como um reconhecimento social dado a um membro. Isso pode trazer consequências positivas ou negativas. O prestígio geralmente leva aos objectivos, enquanto o contrário pode colocar obstáculos ao desempenho e a realização.


Segundo Greenberg e Baron (1995) destacam que parte da confusão é decorrente do uso corriqueiro da palavra time ou equipa quando a estrutura apontada nem sempre responde as características que uma equipa deveria ter. Com certa frequência a palavra equipa é usada para definir conjuntos de pessoas que trabalham num mesmo departamento ou seção, sendo que elas nem sempre têm um objectivo comum, claramente especificado. Por exemplo, no caso de funcionários do departamento financeiro de uma empresa, embora o objectivo de trabalho de todos eles seja cuidar das finanças da empresa, cada empregado funciona como uma unidade mais ou menos independente. Constituir-se-iam uma equipa de trabalho no momento em que, alguns deles, fossem chamados a juntar os seus esforços, interagirem e relacionarem-se com a finalidade de atingir um objectivo específico como traçar um plano de trabalho que permitisse à empresa alcançar novos mercados. Assim, os autores apontam o primeiro aspecto que diferencia grupos de equipas. Nos grupos, a realização do trabalho depende fundamentalmente do esforço individual, enquanto na equipa, depende tanto do esforço individual como do esforço conjunto.

Uma segunda diferença diz respeito à responsabilidade em quem recai a realização do trabalho. Embora, em determinadas circunstâncias, os membros do grupo possam fazer um esforço conjunto para atingir determinados objectivos, a responsabilidade pelos resultados obtidos é individual. Portanto, cada empregado se responsabiliza apenas pelos seus resultados. No caso das equipas de trabalho, a responsabilidade pelo resultado final é compartilhada, seja em maior ou menor grau. A vitória no campeonato é uma responsabilidade da equipa brasileira, e de todos seus membros é cobrada, ainda que contribuições diferenciadas possam ser identificadas como a do goleiro ou a do treinador.

Em terceiro lugar, as equipas de trabalho se caracterizam por ter um objectivo de trabalho compartilhado. Ainda que cada membro possa ter metas específicas que devam ser atingidas, haverá um objectivo global, da equipa, que é a razão pela qual foi criada e que é compartilhado por todos. A relação entre o esforço individual e o objectivo geral é mais próxima do que nos grupos, pelo que exige um certo grau de comprometimento no sentido de direcionar o esforço à sua consecução. No caso dos grupos, os objectivos são distantes e vagos pelo que não se observa, de maneira clara, o comprometimento dos membros com eles.

Por último, Greenber e Baron (1995) afirmam que os grupos se diferenciam das equipas na relação que mantêm com a empresa. Os objectivos de trabalho que devem ser atingidos pelos membros do grupo, por exemplo os funcionários do departamento financeiro, são definidos pela organização que também estabelece os passos a serem seguidos, as atribuições individuais e as normas que regem comportamentos e desempenhos. No caso das equipas de trabalho, por exemplo uma equipa de pesquisa, se bem o objectivo geral seria definido pela organização, certamente os membros teriam mais flexibilidade na tomada de decisões e no estabelecimento de mecanismos de ação a ser implementados para atingir o objectivo trazendo como resultado, não apenas o sucesso na tarefa mas reações afetivas positivas dos seus membros. Desta forma, é possível afirmar que as equipas de trabalho são, por natureza, células semiautónomas ou autónomas.

Outros autores interessados no estabelecimento de diferenças entre grupos e equipas de trabalho são González, Silva e Cornejo (1996). Estes autores manifestam que elas (as diferenças) são claras pois enquanto os grupos se caracterizam por: a) ter um líder claramente designado por um elemento externo perante o qual responde pelo grupo, b) trabalhar em prol do objectivo da organização, c) enfatizar em aspectos individuais para o desempenho, definição de responsabilidades e estabelecimento de recompensas, e, d) ter a sua efetividade evidenciada a partir da influência que exercem sobre outros membros ou grupos da organização, as equipas se caracterizam por: a) compartilhar as responsabilidades que não recaem apenas sobre o líder, b) trabalhar em prol de um projeto específico e próprio, c) enfatizar no esforço conjunto tanto para o desempenho como para recompensas e responsabilidades, e, d) ter a sua efetividade evidenciada a partir dos produtos da equipa.

A partir das contribuições oferecidas por Greenberg e Baron (1995) e González e cols. (1996) é pertinente concluir que equipas e grupos de trabalho constituem duas estruturas de desempenho diferentes. Contudo, dada a frequência com que estas denominações são empregadas de maneira alternada, desconhecendo as peculiaridades que caracterizam às equipas de trabalho, divergências podem ser encontradas entre autores interessados no seu estudo assim como entre gerentes ou administradores que adotam estas denominações com o objectivo de nomear as unidades de desempenho que comandam.

Katzenbach e Smith (1993) expõem no quadro a seguir algumas diferenças entre grupo de Trabalho e Equipa:

GRUPO
EQUIPA
Há um líder explícito;
Papéis de liderança compartilhados;
A responsabilidade é do líder;
Comprometimento mútuo;
A responsabilidade é de apenas alguns dos membros do grupo;
Responsabilidades compartilhadas;

Há grupos de especialistas;
Multiplicidade de funções (Produção,
Marketing, Recursos Humanos e Finanças);
As reuniões são ‘‘racionais“ e chegam logo a conclusões;
Encorajamento da aparição de divergências de opiniões e conflitos construtivos;
Mensura-se sua efetividade indiretamente em outros grupos;
Mensuração de seus resultados pelo desempenho de cada indivíduo do grupo;
As decisões ocorrem pelo voto da maioria;
Decisões por consenso;
A decisão final é do líder;
Decisão final do grupo;
Os objectivos são “clarificados” ou sugeridos pelo líder.
Objectivos aceitos e incorporados por todos os membros do grupo.

Fonte: Katzenbach e Smith (apud MUNCK, 1999, p.39).

Porém, os outros autores resumem a diferenciação entre equipas e grupos nas organizações da seguinte forma:



Grupos

Ø  Esforço individual;
Ø  Responsabilidade por resultados individuais;
Ø  Objectivo de trabalho individual;
Ø  Unidades de trabalho dependentes.

Equipas

Ø  Esforço coletivo;
Ø  Responsabilidade compartilhada pelos resultados globais;
Ø  Objectivo de trabalho compartilhado;
Ø  Unidades de trabalho semiautónomas ou autónomas.




No grupo, apesar de todos trabalharem voltados para o mesmo objectivo, ninguém sabe direito o que o outro pensa, pois as pessoas não se comunicam ou não falam o que realmente pensam. Em uma equipa, a comunicação entre os membros é verdadeira e as opiniões diferentes são estimuladas.

Outro elemento essencial de uma equipa é a atuação do líder. O líder deve ser consciente de suas responsabilidades, assumindo o papel de gestor das atividades a serem feitas. Em síntese, o papel do líder é obter coesão entre as tarefas de cada um dos componentes da equipa, motivando-os a atingirem os resultados propostos ou esperados e atenderem os prazos combinados.

           
Um grupo transforma-se em equipa quando passa a prestar atenção à sua própria forma de operar e procura resolver os problemas que afetam o seu funcionamento, criando um processo de auto-exame e avaliação contínuos. A equipa compreende seus objectivos e está engajada em alcançá-los de forma compartilhada. Assumem-se riscos (o que não existe num grupo) e há investimento constante em seu próprio crescimento.
A comunicação entre os membros é verdadeira e as opiniões diferentes são estimuladas, fazendo com que as pessoas se conheçam, aumentando a compreensão mútua e evitando os preconceitos e julgamentos superficiais indevidos. Respeito, mente aberta e cooperação são elevados. No entanto, a transformação de um grupo em uma equipa de trabalho é sempre um grande desafio.









Mediante o presente estudo, foi possível compreender que os grupos e as equipas são instâncias inerentes à vida organizacional, e que a maneira como são organizados interfere no processo produtivo. Os psicólogos têm desenvolvido estudos de forma a permitir que esses grupos e equipas possam desenvolver interações que propiciem um desenvolvimento organizacional adequado, tanto do ponto de vista produtivo quanto do ponto de vista social.

Portanto, trabalhar em equipa é uma das competências mais valorizadas pelo mercado de trabalho actualmente e para desempenhar essa habilidade em conjunto com outras pessoas, portanto, é necessário conhecer a diferença entre os grupos e as equipas de trabalho existentes nas organizações.

Diante dessas diferenças, podemos perceber que, para uma equipa evoluir, todos necessitam estar entrosados e empenhados em cada tarefa, não existindo espaço para individualismo.


Visto que as diferenças na equipa são importantes e geram reflexões, mudanças no comportamento e a soma de habilidades e competências profissionais e pessoais, qualificando a equipa de trabalho a responder de modo mais assertivo frente a situações adversas. Recomendo que as relacionamentos interpessoais devem pautar o trabalho em equipa e que as pessoas interajam umas com as outras devido à necessidade de complementação exigida por essa modalidade de atuação organizacional. Desse modo, se comportar com receptividade ao outro, agir com compreensão, companheirismo e cooperação, já que essa atitude impulsiona o desempenho de sucesso da equipa. Recomendo ainda tanto grupos como equipas desenvolvam seu trabalho com sinergia, ou seja, que seus membros atuem em conjunto, num mesmo ritmo, valorizando as habilidades e as competências, além de respeitar as diferenças e limitações de seus integrantes.


Até aqui já falamos muito sobre os grupos e equipas na organização, mas há ainda muito para aprendermos sobre este estudo, portanto, dada a importância do assunto, sugiro que mais estudos relacionados ao tema sejam desenvolvidos a fim de estarmos prontos e plenamente preparados para entendermos profundamente diferentes aspectos da socialização humana, especialmente no ambiente de trabalho ou nas organizações.






ÁLVARO, J.L., & Garrido, A.L. (2003). Psicología Social: perpectivas psicológicas y
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ARROW, H., & McGrath, J. (1995). Membership dynamics in groups at work: a theoretical framework. In L. Cummings & B. M. Staw (Eds.), Research in Organizational Behavior (Vol. 17, pp. 373-411). London: JAI Press Inc.

GONZÁLEZ, M., Silva, M., & Cornejo, J. (1996). Equipos de trabajo efectivos. Barcelona: EUB.

LAPASSADE, G.(1983). Grupos, organizações e instituições. Ed. Francisco Alves, R.J.

LEWIN, K. (1965) Teoria de Campo em ciência social. Ed. Livraria Pioneira, São Paulo.

MAILHOT, G.B. Dinâmica e gênese dos grupos: actualidades da descobertas de Kurt Lewin.. São Paulo: Duas Cidades.

MAXIMINIANO, Antônio César A. Gerência de trabalho em equipa. São Paulo: Pioneira, 1986.

MUCCHIELLI, Roger. O trabalho em equipa. São Paulo: Martins Fontes. 2010

MANUEL, Vieira Miguel, Grupos e Equipas no ambiente de trabalho, 2ª Ed. Edições Reditep, Luanda, 2011.







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