sexta-feira, 27 de maio de 2016

ANGOLA, A ABERTURA AO ATLÂNTICO – O IMPACTO INICIAL - Por Vieira Miguel Manuel

REPÚBLICA DE ANGOLA
GOVERNO DA PROVÍNCIA DE LUANDA
GABINETE PROVINCIAL DA EDUCAÇÃO DE LUANDA
ESCOLA DO IIº CICLO DO ENSINO SECUNDÁRIO N.º 4083 – JICA







HISTÓRIA







ANGOLA, A ABERTURA AO ATLÂNTICO – O IMPACTO INICIAL



















LUANDA
2016
ESCOLA DO IIº CICLO DO ENSINO SECUNDÁRIO N.º 4083 – JICA





HISTÓRIA



ANGOLA, A ABERTURA AO ATLÂNTICO – O IMPACTO INICIAL

- O DESENVOLVIMENTO DO TRÁFICO DE ESCRA-
  VOS NA REGIÃO
- OS PRIMEIROS CONTACTOS COM O NDONGO


INTEGRANTES DO GRUPO

Luciano Nelson Ginga nº 44
Manuel Alberto Canhanga nº 45
Mera Lemos Nunes nº 47
Osvaldo Sandulo nº 48
Pedro Albano Pascoal nº 49
Edgar Eurico Savissoquele nº60
Manuel Zacarias Afonso nº 64
Manuela Francisco Simões nº 46

Classe: 1
Curso: Ciências Económicas e Jurídicas
Grupo nº: 08
Turma: TX3
Período: Tarde
Sala: 03



Trabalho apresentado ao Curso de Ciências Económicas e Jurídicas na disciplina de História como requisito parcial para obtenção de notas.


Orientadora: Ernestina Marcolino da Silva



LUANDA
2016
SUMÁRIO





 




Neste trabalho, no âmbito da disciplina de História, inclinámo-nos a abordar sobre o tema “Angola, A Abertura ao Atlântico – O Impacto Inicial”, porém vamos nos concentrar mais especificamente nos seguintes subtemas que dominaram a nossa pesquisa: O desenvolvimento do tráfico de escravos na região e os seus primeiros contactos com o Ndongo.

Este trabalho vai nos ajudar a compreender de forma mais clara, a história do início da escravidão em nosso território, que é imprescindível para nós qual Angolanos.







Os mercadores europeus, com o crescer da procura por mão-de-obra escrava, motivada pela instalação de colónias agrícolas na América, associaram-se militarmente e financeiramente com sobas e régulos africanos, que viviam nas costas marítimas, dando-lhes armas, pólvora e cavalos para que afirmassem sua autoridade numa extensão a maior possível. Os prisioneiros das guerras tribais eram encarcerados em “barracões”, em armazéns costeiros, onde ficavam a espera da chegada dos navios tumbeiros ou negreiros que os levariam como carga humana pelas rotas transatlânticas.

Os principais pontos de abastecimento de escravos, pelos menos entre os séculos XVII e XVIII eram o Senegal, Gâmbia a Costa do Ouro e a Costa dos Escravos. O delta do Níger, o Congo e Angola serão grandes exportadores nos séculos XVIII e XIX. Quantos escravos foram afinal transportados pelo Atlântico? Há muita divergência entre os historiadores, alguns chegaram a projectar 50 milhões, mas os censos de 1969 estimam entre 9 a 10 milhões, a metade deles da África Ocidental, sendo que o apogeu do tráfico ocorreu entre 1750 a 1820, quando os traficantes carregaram em média uns 60 mil por ano. O tráfico foi o principal responsável pelo vazio demográfico que acometeu a África no século XIX.

O comércio de escravos no Atlântico ou comércio transatlântico de escravos, também chamado de tráfico negreiro, ocorreu em todo o Oceano Atlântico entre os séculos XVI e XIX. A grande maioria dos escravizados que eram transportados para o Novo Mundo, a maior parte pela rota de Comércio Triangular, eram membros de povos da África Ocidental, nas partes centrais e ocidental do continente, vendidos por outros africanos ocidentais para os comerciantes de escravos da Europa Ocidental ou capturados directamente pelos europeus.

O número de pessoas trazidas foi tão grande que, antes do final do século XVIII, os africanos que vieram por meio do comércio de escravos tornaram-se os mais numerosos imigrantes do Velho Mundo tanto no Norte quanto no Sul da América. Uma quantidade muito maior de escravos foi levada para a América do Sul em relação ao norte. O sistema económico do Atlântico Sul era centrado na produção de culturas de comanditeis e produtos têxteis para vender na Europa. Aumentar o número de escravos africanos trazidos para o Novo Mundo foi crucial para os países da Europa Ocidental que, nos séculos XVII e XVIII disputavam entre si a criação de impérios ultramarinos o comércio de escravos é às vezes chamado de Maafa por estudiosos afro-americanos, o que significa "grande desastre" em suaíli. Outros, como Marimba Ani e Maulana Karenga, usam os termos Holocausto Africano ou Holocausto da Escravidão para se referir ao período.

O Império Português foi o primeiro a se engajar no comércio de escravos para o Novo Mundo no século XVI e outros logo o seguiram. Os donos dos navios negreiros consideravam os escravos como uma carga que deveria transportada para a América da maneira mais rápida e barata possível, para então serem vendidos para o trabalho escravo em lavouras de café, tabaco, cacau, açúcar e algodão, nas minas de ouro e prata, campos de arroz, de indústria de construção, corte de madeira e como empregados domésticos. Os primeiros africanos importados para as colónias inglesas eram classificados como "servos contratados" e também como "aprendizes para toda a vida". Em meados do século XVII, a escravidão tinha se consolidado como uma casta racial; os escravos negros e seus descendentes eram oficialmente uma propriedade de seus proprietários e as crianças nascidas de mães escravas também eram consideradas escravas. Enquanto uma propriedade, as pessoas eram consideradas um tipo de mercadoria ou unidades de trabalho e eram vendidas em mercados populares, ao lado de outros produtos e serviços.

Os principais comerciantes de escravos do Atlântico, ordenados por volume de comércio, foram: os impérios Português, Britânico, Francês, Espanhol e Neerlandês, além dos Estados Unidos (especialmente a região sul). Eles estabeleceram postos avançados na costa africana onde adquiriram escravos de líderes africanos locais. As estimativas actuais são de que aproximadamente 12 milhões de africanos foram enviados através do Atlântico, embora o número de pessoas compradas pelos comerciantes de escravos seja consideravelmente maior.


O comércio triangular foi uma rede de comércio muito lucrativa, o qual envolvia os continentes europeus, americanos e africanos, tendo como factor principal, o tráfico negreiro. A Europa fornecia produtos como algodão, ferro, armas e rum, em troca de escravos africanos, que tinham como destino às Américas. Porém, no caminho de travessia do continente africano ao americano, muitos escravos morriam devido as condições subhumanas em que viviam.

Os escravos que chegavam às novas terras eram comercializados com os colonos, e acabavam sendo vendidos aos donos de jazidas e plantações, e trocados por produtos como algodão, ouro, tabaco e açúcar. Esses escravos eram utilizados como mão-de-obra barata, e passariam a trabalhar na produção açucareira e em minas de ouro.

Tendo, portanto, a América do Norte adquirido certa base económica, visto que essa importava produtos manufacturados europeus, e também escravos à região das Antilhas, as Treze Colónias passou a ter sua relação com a Inglaterra acirrada, desencadeando, mais tarde, na independência dos Estados Unidos, em 1776.


A partir das expansões marítimo comerciais, no século XV, deu-se início a um novo sistema socioeconómico: o sistema colonial conjunto de relações entre metrópoles e colónias. Nesse sistema havia dois modelos de colonização: as colónias de exploração ocorrida principalmente na África, como na América do Sul, em que a metrópole portuguesa via nessa terra uma fonte rápida de obtenção de riqueza, sem a preocupação do desenvolvimento da colónia; e as colónias de povoamento, caracterizada pela presença dos ingleses na África e na América do Norte.

Esses ingleses viam na nova terra uma oportunidade de prosperarem e ali se desenvolverem, ou seja, tinham o ideal de permanecem nesse território, e assim o fizeram, resultando na construção da América do Norte. Com o desenvolvimento da colónia norte-americana, possibilitaram aos ingleses refugiados a se relacionarem comercialmente com outros continentes, surgindo o chamado Comércio Triangular.


O Comércio Triangular foi o principal instrumento do tráfico negreiro. Ele envolvia uma teia de interesses e de negociações entre Europa, África e América, com algumas ramificações englobando os produtos asiáticos. O processo era gerido pelas metrópoles europeias, principalmente Holanda, Inglaterra, França, Espanha e Portugal. Embora estas últimas nações estivessem já decadentes, ainda dispunham de poder em suas respectivas colónias e, portanto, nesta trajectória de produção e distribuição de mercadorias essenciais para a vida económica global: ouro, prata, diamantes, açúcar e tabaco.

Esta estrutura comercial enredava produtores e distribuidores, compradores e vendedores, dominadores e subjugados, um intrincado jogo conduzido pelas potências europeias, mas que dependia essencialmente da existência, no continente africano, de negreiros dispostos a trocar os produtos manufacturados transportados por mercadores da Europa armas de fogo, rum, tecidos de algodão provindos da Ásia, ferro, jóias de baixo valor, entre outros. Por seus próprios compatriotas, negros que seriam escravizados na América, onde eram permutados por açúcar, tabaco, moedas ou barras de ouro e prata, cedidos por seus futuros senhores, donos de minas ou proprietários de importantes plantações.

Assim, o continente africano tinha como função, no comércio triangular, oferecer trabalhadores escravos para as colónias da América e das Antilhas onde os barcos negreiros buscavam os portos da Jamaica, Bahamas, Haiti, Saint-Eustatius, Saba, Saint-Martin, Barbuda e Antigua, Guadalupe, Granada, Trinidad & Tobago, Bonaire, Curaçao e Aruba. Daí seguiam grupos de escravos para as Carolinas e a Virgínia nos EUA, enquanto outros tantos eram direccionados para o Norte e o Nordeste do Brasil, bem como ao Rio de Janeiro. O escravo era o motor que movia a produção das grandes lavouras de açúcar e tabaco que se estendiam do Rio de Janeiro até o Sul dos EUA, na Virgínia.

Os nativos africanos que negociavam com os europeus tinham um papel muito importante na captura e troca de seus conterrâneos, pois somente eles tinham coragem e conhecimento suficiente do território local para se enveredarem pelo interior da África em busca daqueles que se tornariam escravos em terras desconhecidas. Às vezes, porém, os próprios colonos se deslocavam até o continente africano, negociando directamente com os negreiros, dispensando o intermédio de comerciantes europeus. Sem os negros escravizados a economia da Europa não teria sido tão beneficiada por esta rede comercial triangular. Na verdade, estas transacções favoreciam, além das metrópoles, tanto os responsáveis por esta triangulação na África, quanto o mecanismo produtor das colónias americanas.


Os escravos eram utilizados pelas potências colonizadoras europeias como moeda de troca, através da qual elas importavam os produtos produzidos em suas colónias na América e nas Antilhas, completando assim os vértices do comércio triangular. Assim, não precisariam recorrer aos metais preciosos que detinham, a base do Mercantilismo. Resumindo, os produtos manufacturados europeus eram trocados por escravos na África, embarcados para a América e para as Antilhas nestes trajectos muitos escravos, submetidos a condições cruéis durante a viagem, não sobreviviam, onde eram permutados pelos produtos coloniais que interessavam às metrópoles.

Desde 1576, as trocas comerciais foram regulares entre Luangu e Luanda. Eram enviados tecidos, tapetes, espelhos e missangas para trocar tácula de Maiombe, marfim, peles de elefante e sobretudo panos de ráfia, usados como moeda de troca com os Mbundu. Então, em 1611, o volume das trocas aumentou porque holandeses pagavam melhor os escravos e o marfim e os seus agentes afastavam os pombeiros de Angola. Entretanto, estabelecem novas vias de escoamento de produtos de Kassai, ligando Mpumbu e Luangu; do Kuango ao Mbanza Congo, Cabinda e o Planalto do Bié até Benguela.

Os portugueses tinham perdido o controlo do comércio e não conseguiram competir economicamente com os seus rivais europeus. No entanto continuaram as fortalezas de S. Pedro da Barra e Cabinda, isto é, em 1783 e tentaram cortar as rotas que traziam os escravos de Kuango até ao litoral. Os mercadores estrangeiros vendiam os seus produtos nos mercados de Luanda.

Na costa do Luangu os concorrentes europeus satisfaziam as exigências perante a livre concorrência. Se os africanos exigissem aguardente, pólvora, tabaco, eram estes os produtos que tinha de ser dado em troca dos escravos ou do marfim.

Assim, no final do século XVIII, os grandes negreiros de Luanda tiveram fraco rendimento com o tráfico.

O historiador Walter Rodney afirma que foi uma queda na rentabilidade das operações triangulares que tornou possível que certos sentimentos humanos básicos para se consolidar as críticas contra o tráfico negreiro no Atlântico. Rodney afirma que as mudanças na produtividade, na tecnologia e nos padrões de intercâmbio na Europa e na América impulsionou a decisão dos britânicos de acabar com a sua participação no comércio de escravos em 1807.

O Senhor africano, após massacrar o comerciante português aliados de Dias de Novaes, que se encontravam na capital, reuniu suas tropas e atacou os lusitanos de Luanda. Uma longa e sanguinária guerra. Uma aliança entre Ndongo e Mtamba, um reino mais a leste permitiu vitórias importantes sobre os portugueses. A Aliança entre portugueses e os yagas (jagas) permitiu que aqueles fossem impondo sua soberania aos sobas e apoderando-se das terras do reino do Ndongo.

Os resultados da guerra foram prejudiciais a todos os tipos de comércio, todo mundo corria perigo e nos primeiros anos do século XVII, os portugueses foram obrigados a abrirem uma conversa sobre a paz em Luanda, com os Kimbundos dos Ndongo. Ai apareceu à figura de Nzinga pela primeira vez na vida dos lusitanos, Nzinga Mbundi – rainha Ginga dos documentos da época – embaixadora plenipotenciária de seu tio, o ngola. A Africana mostrou-se esperta na arte da diplomacia e mais tarde nas artimanhas da guerra. Ela com habilidade conquistou na mesa de negociação quase tudo que o Ndongo havia perdido na guerra. Morrendo o ngola, ela quebrou as regras de sucessão e subiu ao poder. Exigiu então dos portugueses os que haviam sido acordados no tratado.


O reino do Ndongo (ou reino do Ngola) é o nome de um estado pré-colonial
Africano na actual Angola, criado por subgrupos dos Ambundu.

Os primeiros contactos do reino Ndongo foram em 1518 o Ndongo enviou uma embaixada a Portugal pedindo missionários e indirectamente, pelo reconhecimento da sua independência face ao Congo.

Onde também encontramos a fundação da Colónia de Angola como colónia da Coroa na África Ocidental Portuguesa (1575 -1646), Soberania Holandesa na África Ocidental Holandesa (1641-1648), Soberania Portuguesa (1648-1885), Colónia Portuguesa da África Ocidental (1885-1914), Colónia de Angola (1914-1951), Província Ultramarina Portuguesa de Angola (1951-1975) e República Popular de Angola (1975 ao momento), e que o conflito entre a Angola e Congo que chegou até aos Estado Unidos para ter um consenso.

Os registos mais antigos acerca deste reino datam do século XVI. Ndongo foi como Matamba um dos vários estados vassalos do Reino do Kongo que existiram na área habitada pelos Ambundu. Ele foi liderado por um rei cujo título era ngola (que deu origem à palavra "Angola").

Em 1518 o Ndongo enviou uma embaixada a Portugal pedindo missionários e, indirectamente, pelo reconhecimento da sua independência face ao Congo. Uma missão portuguesa chegou ao Ndongo em 1520 mas disputas locais e talvez a pressão do Congo forçou os missionários a abandonar. Afonso I do Congo' levou os Missionários para o Congo e deixou o seu próprio padre no Ndongo.

Por volta de 1556, o Ndongo enviou outra missão a Portugal procurando ajuda militar e oferecendo-se para serem cristianizados mesmo apesar dos oficiais portugueses da altura terem duvidado da sua sinceridade religiosa. Em 1901,E. G. Ravenstein afirmou que esta missão foi o resultado de uma guerra entre o Congo e o Ndongo, na qual o Ndongo saiu vencedor e afirmou a sua independência. O mesmo disse JanVansina em 1966 (e a partir daqui vários outros escritores), porém isto parece ter sido uma incompreensão das fontes originais. O Ndongo poderá ter realmente visto a missão como uma espécie de declaração de independência, já que a resposta do Congo à missão de 1518 sugere que ainda mantinha poder suficiente para prevenir movimentos independentistas.

De qualquer forma, a segunda missão portuguesa, liderada por Paulo, Dias de Novais, neto do famoso explorador Bartolomeu Dias, atracou na foz do rio Kwanza em 1560, juntamente com vários padres jesuítas, incluindo o notável Francisco de Gouveia. A missão de Dias de Novais falhou igualmente, tendo ele voltado a Portugal em 1564, deixando o padre jesuíta Francisco Gouveia para trás.

Após a Restauração, os territórios africanos dominados pelos portugueses oram palco de vários conflitos envolvendo interesses e motivações diversas. A ameaça holandesa, e a sua efectiva ocupação, exigiram que os portugueses organizassem estratégias para minimizar os efeitos gerados pela aliança de alguns reis e de vários sobas que, nesse contexto, preferiram negociar com os agentes.

A resistência nas terras de Massangano foi fundamental para a garantia das alianças com Ngola Ari, rei do Ndongo e fiel vassalo português, e para o contra ataque liderado por Salvador Correia de Sá, que deu início a um período de governos, que em suas acções destoaram, e muito, dos discursos da Coroa que pregavam a cooperação e o estabelecimento de alianças pacíficas com as lideranças africanas.

A acção de ordens missionárias religiosas fomentou outro foco de conflitos nos territórios do Congo e de Angola. Inacianos e capuchinhos reflectiram na colonização do ultramar português, divergências entre os direitos sobre a evangelização e sobre os métodos para a condução dessa catequese cativeiro, representando também um feixe dos conflitos entre o Vaticano e a Coroa portuguesa. O missionarismo como um dos braços da colonização estabeleceu sua marca na conversão, e principalmente na legitimação da prática escravista dos lusitanos, dos lusos africanos e mesmo entre os nativos convertidos, que viam no resgate das almas um bom negócio avalizado pela consciência dos feitos cristãos.

Em síntese, a pluralidade de grupos distintos fez com que o antigo reino do Ndongo fosse cenário de embates políticos, disputas por promissores negócios, ao mesmo tempo em que se tornava um lugar de intensas trocas culturais. O recorte cronológico adoptado engloba um período onde ameaças internas e externas foram simultâneas, e onde a própria hierarquia dos mbundus se refinava para atender às demandas das negociações, como, por exemplo, a especialização das funções de chefe de comércio, embaixadores e de vários componentes do séquito do Ngola.

A crescente abertura do mercado atlântico, e a busca pela afirmação da soberania portuguesa nos territórios mbundus alterou de forma significativa a realidade dos grupos africanos e exigiu das autoridades portuguesas uma versatilidade em seu sistema defensivo entre várias frentes distintas.

As relações entre a embaixada portuguesa e o ngola ruíram-se a tal ponto que o único jesuíta que continuava na região foi reduzido praticamente à escravidão e Paulo Novas foi colocado sob residência forçada. O jovem português, em melhores condições com ngola, voltou à corte em l566, com um carregamento de escravos e de marfim. Em Portugal, Dias de Novas convenceu o rei a conceder-lhe, como donatária, as terras defronte à ilha de Luanda e os territórios orientais que conquistasse. Ele voltou em l575 como proprietário exclusivo das terras do manikongo e do ngola.

O desembarque de Dias de Novas não encontrou resistência. As terras, próximas ao reino de Ndongo, onde alguns portugueses já comerciavam com escravos, pertenciam ao distante reino do Kongo. Era nestas praias que os manikongos mandavam pescar os nzimbos, que serviam como moeda nacional no reino do Kongo. O ngola não se sentiu ameaçado. Mandou, no mesmo ano, uma delegação de boas-vindas ao nobre lusitano. O lusitano começou sua expansão a procura de preta e escravos. Invadiu terras do Ndongo.








Com base no exposto acima, podemos concluir que a escravatura foi determinante na conformação das sociedades africanas. Na África, a exploração da mão-de-obra escrava, primeiro pelos árabes e depois pelos europeus, provocou uma desestruturação de enormes proporções. Nesse movimento, muitos dos povos africanos perderam sua cultura, sua liberdade, suas riquezas. A história mostra que há pontos de inflexão, em que as transformações se mostram inevitáveis, e ocorrem em processos pacíficos ou por revoluções. Nos últimos momentos, com o advento da paz, com a estabilidade e reconstrução nacional, Angola entrou finalmente numa fase que o seu presidente já teve oportunidade de caracterizar como a da conquista da paz, consolidação da economia nacional e devolução da dignidade e da esperança a todos os angolanos.





ALENCASTRO, Luiz Felipe de. O Trato dos Viventes. Formação do Brasil nos quadros do Atlântico Sul. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

BARRETO, Luiz Felipe. Os Descobrimentos e a ordem do saber – uma análise sociocultural. Lisboa: Ed. Gradiva, 1989.

PEDRO, Bengui. História 10ª Classe, 2º Ciclo do Ensino Secundário – Reforma Educativa. 1ª Edição, Textos Editores – Luanda, 2006.

BIRMINGHAM, David. Alianças e conflitos. Os primórdios da ocupação estrangeira em Angola (1483-1750). Luanda: Arquivo Histórico de Angola, 2004.

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HEINTZE, Beatrix. Angola nos séculos XVI e XVII. Estudos sobre fontes, métodos e História. Luanda: Ministério da Cultura, 2007.


THORNTON, John. Africa and Africans in the making off Atlantic World, 400-1680. Cambridge University Press, 1992.  

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