quarta-feira, 18 de maio de 2016

ITS PROVOCADAS POR AGENTES FÚNGICOS - By VIEIRA MIGUEL MANUEL

INSTITUTO SUPERIOR POLITÉCNICO INOCÊNCIO NANGA (ISPIN)
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
LICENCIATURA EM ENFERMAGEM


                                            





ENFERMAGEM EM DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS





ITS PROVOCADAS POR AGENTES FÚNGICOS






















LUANDA
2016
 INSTITUTO SUPERIOR POLITÉCNICO INOCÊNCIO NANGA (ISPIN)
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
LICENCIATURA EM ENFERMAGEM




ENFERMAGEM EM DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS





ITS PROVOCADAS POR AGENTES FÚNGICOS
- CANDIDÍASE GENITAL





CLEMENTINA SILVA
ELIZABETH SEBASTIÃO
LOIDE MUQUEMBO
MAGDA DOMINGOS
MARCELA MUQUEMBO





Trabalho apresentado ao Curso de Enfermagem na disciplina de Enfermagem em Doenças Transmissíveis como requisito parcial para obtenção de notas.

Orientadora: Guilhermina Guilherme
 
 















LUANDA
2016
SUMÁRIO




 




O presente trabalho, no âmbito das infecções sexualmente transmissíveis (IST), visa abordar sobre os agentes fúngico, isolando assim o nosso estudo na patologia conhecida como Candidíase Genital.

Não obstante, os fungos são geralmente reconhecidos, primeiramente, pela sua capacidade de decompor a matéria orgânica.

Relativamente poucos fungos são suficientemente virulentos para serem considerados patógenos primários. Estes são capazes de iniciar uma infecção em um hospedeiro normal, aparentemente imunocompetente. Eles são capazes de colonizar o hospedeiro, encontrar um nicho microambiental com substratos nutricionais suficientes, a fim de evitar ou subverter os mecanismos de defesa do hospedeiro, e se multiplicar dentro do nicho microambiental.

As infecções fúngicas não costumam evoluir para quadros mais sérios de complicação. Entretanto, quando se trata de alguém com a imunidade comprometida, como portadores do vírus HIV, diabéticos, transplantados, etc., podem ser devastadores e, inclusive, provocar a morte em curto espaço de tempo, o que torna o nosso estudo bastante interessante, pois, no final veremos como podemos nos prevenir das doenças sexualmente transmissíveis causadas por agentes fúngicos.




















Infecções sexualmente transmissíveis também conhecidas por IST, são doenças infecciosas que se transmitem essencialmente (porém não de forma exclusiva) pelo contacto sexual. Antigamente eram denominadas de doenças venéreas. O uso de preservativo (camisinha) tem sido considerado como a medida mais eficiente para prevenir a contaminação e impedir a sua disseminação.


Os fungos são seres macroscópicos ou microscópicos, unicelulares ou pluricelulares, eucariotas (com um núcleo celular), heterótrofos e, na biologia, fazem parte do Reino Fungi, dividido em cinco Filos, a saber: quitridiomicetos, ascomicetos, basidiomicetos, zigomicetos e os deuteromicetos.

Especialistas afirmam que cerca de 1,5 milhão de espécies de fungos habitam o planeta Terra, como os cogumelos, as leveduras, os bolores, os mofos, sendo utilizados para diversos fins: culinária, medicina, produtos domésticos. Por outro lado, muitos fungos são considerados parasitas e transmitem doenças aos animais e as plantas.

2.2.1     REPRODUÇÃO DOS FUNGOS

Os fungos podem se reproduzir de maneira sexuada ou assexuada, sendo o vento considerado um importante condutor que espalha os propágulos e fragmentos de hifa, favorecendo, assim, a reprodução e a proliferação dos fungos.

Reprodução Assexuada

Nesse tipo de reprodução não há fusão dos núcleos e através de mitoses sucessivas, a fragmentação do micélio originará novos organismos. Além do processo de fragmentação, a reprodução assexuada dos fungos pode ocorrer por meio do brotamento e da esporulação.

Reprodução Sexuada

Esse tipo de reprodução ocorre entre dois esporos divididos, em três fases:

·         Plasmogamia: Fusão de protoplasma;
·         Cariogamia: Fusão de dois núcleos haploides para formar um núcleo diploide;
·         Meiose: Núcleo diploide se reduz formando dois núcleos haplóides.

2.2.2     CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS FUNGOS

No sistema de classificação em cinco reinos, os fungos ocupam um reino exclusivo – o reino Fungi. Os fungos são encontrados em quase todos os lugares da terra; alguns, (os saprófitos) vivem na matéria orgânica, na água e no solo, e outros (fungos parasitas) vivem na superfície ou no interior de animais e vegetais. Alguns são prejudiciais, enquanto outros são benéficos. Os fungos também vivem em muitos materiais utilizáveis causando deterioração e estragando alimentos. Os fungos benéficos são importantes na indústria como a fabricação de queijos, iogurtes, cervejas, vinhos e outros alimentos, e também tem seu papel importante na indústria farmacêutica na fabricação de certas drogas como a ciclosporina, que é uma droga imunossupressora e vários antibióticos.

Uma variedade de fungos (incluindo leveduras, bolores e alguns carnudos) tem importância médica, veterinária e na agricultura, devido às doenças que causam no ser humano, em animais e vegetal. Muitas doenças em plantas cultiváveis, grãos, milho e batata são causados por bolores. Algumas dessas doenças que acometem os vegetais são denominadas ferrugens. Esses fungos não destroem apenas plantações, mas alguns produzem toxinas que causam doença no ser humano e animais. As toxinas produzidas pelos bolores e por certos tipos de fungos carnudos são denominadas micotoxinas, e as doenças que causam são conhecidas coletivamente como micotoxicoses, que são produzidas por mais de 350 espécies de fungos. As micotoxinas são metabólicos complexos, prejudiciais ao ser humano e animais. Alguns fungos produzem apenas uma única micotoxina, porém outros produzem mais de uma. Os bolores e as leveduras também causam outras doenças infecciosas no ser humano e em outros animais, genericamente denominadas micoses. Considerando o grande número de espécies de fungos, há poucos que são patogênicos para o ser humano.



A candidíase (infecção por leveduras, monilíase) é uma infecção causada pelo fungo Candida albicans, antes denominado Monilia. Geralmente, a Candida infecta a pele e as membranas mucosas (p.ex., revestimento da boca e do órgão genital feminino). Raramente, ela invade tecidos profundos ou o sangue, causando uma candidíase sistêmica potencialmente letal. Essa infecção mais grave é comum entre os indivíduos com depressão do sistema imune (p.ex., indivíduos com AIDS e aqueles submetidos à quimioterapia). A Candida é um habitante normal do trato digestivo e da genitália feminina e, normalmente, não causa qualquer dano.

Quando as condições ambientais são particularmente favoráveis (p.ex., tempo úmido e quente) ou quando as defesas imunes do indivíduo encontram-se comprometidas, o fungo pode infectar a pele. Como os dermatófitos, a Candida cresce bem em condições quentes e húmidas. Às vezes, os indivíduos que fazem uso de antibióticos apresentam infecções por Candida, pois os antibióticos matam as bactérias que normalmente habitam nos tecidos, permitindo que a Candida cresça sem qualquer resistência. O uso de corticosteróides ou um tratamento com imunossupressores após um transplante de órgão também pode deprimir as defesas do organismo contra as infecções fúngicas. As mulheres grávidas, os indivíduos obesos e os diabéticos também apresentam uma maior probabilidade de serem infectados pela Candida.

2.3.1     CANDIDÍASE GENITAL

A candidíase genital é uma infecção causada por uma levedura (fungo) que afecta a vagina ou o pénis; é habitualmente causada por Candida albicans.

O fungo Candida normalmente reside na pele e nos intestinos. A partir destas zonas pode propagar-se para os órgãos genitais. A Candida não é habitualmente transmitida por via sexual.

É uma causa muito frequente de vaginite. A candidíase genital tem-se tornado muito frequente, principalmente devido ao uso cada vez maior de antibióticos, contraceptivos orais e outros medicamentos que modificam as condições da vagina de um modo que favorece o crescimento do fungo. A candidíase é mais frequente entre as mulheres grávidas ou que estão menstruadas e nas diabéticas. Com muito menos frequência, o uso de fármacos (como os corticosteróides ou a quimioterapia contra o cancro) e a presença de doenças que deprimem o sistema imunitário (como a SIDA) podem facilitar a infecção.


A candidíase genital é considerada uma infecção sexualmente transmissível (IST). Porém,  Não é uma doença de transmissão exclusivamente sexual. Existem fatores que predispõe ao aparecimento da infecção: diabetes melitus, gravidez, uso de contraceptivos orais, uso de antibióticos e medicamentos imunosupressivos, obesidade, uso de roupas justas etc.


A Candida albicans é responsável por 20-25% dos corrimentos genitais de origem infecciosa e outros 15-20% por outras cândidas (C. tropicalis e C. glabrata). E em 85% dos casos de candidiase vaginal, a infecção é de origem endógena.




O principal agente etiológico da candidíase é o Candida albicans. É um germe oportunista, ou seja, ela vive silenciosamente em nosso corpo durante anos, somente à espera de um desequilíbrio no nosso sistema de defesa para nos atacar.


As mulheres com candidíase genital costumam ter prurido ou irritação na vagina e na vulva e, ocasionalmente, uma secreção vaginal. A irritação é habitualmente incómoda, mas a secreção é ligeira. A vulva pode ficar vermelha e inflamar-se. A pele pode ficar em carne viva e, em certos casos, gretar. A parede vaginal cobre-se de uma substância semelhante a um queijo branco, mas pode também ter um aspecto normal.

Os homens não apresentam habitualmente sintomatologia, mas a extremidade do pénis (a glande) e o prepúcio (nos homens não circuncisos) por vezes irrita-se e dói, especialmente depois do coito. Às vezes aparece uma pequena secreção proveniente do pénis. A sua extremidade e o prepúcio podem adoptar uma cor avermelhada, apresentar pequenas ulcerações ou vesículas com crosta e estar cobertos por uma substância semelhante a um queijo branco.

Um diagnóstico imediato é possível, colhendo amostras da vagina e do pénis e examinando-as ao microscópio. Estas também podem ser cultivadas.





A intensa coceira no couro cabeludo pode ocasionar feridas que são portas abertas para infecções bacterianas, como impetigo, além do aparecimento de adenomegalias (aumento dos gânglios) cervicais.


Nas mulheres, a candidíase é tratada lavando a vagina com água e sabão, secando-a com uma toalha limpa e depois aplicando um creme antimicótico que contenha clotrimazol, miconazol, butoconazol ou tioconazol e terconazol. Alternativamente, administra-se quetoconazol, fluconazol ou itraconazol por via oral. Nos homens, o pénis (e o prepúcio nos circuncisos) deve ser lavado e seco antes de se colocar um creme antifúngico (que contenha, por exemplo, nistatina).

Em certos casos, as mulheres que ingerem contraceptivos orais devem deixar de os usar vários meses durante o tratamento da candidíase vaginal, porque podem fazer piorar a infecção. Certas mulheres que correm o risco de contrair candidíase vaginal, como as imunodeprimidas ou as que tomaram antibióticos durante muito tempo, podem necessitar de um fármaco antimicótico ou outra terapia de prevenção.


IST em uma população onde exista prevalência de monogamia e religiões que priorizam o matrimônio. Discutir sobre uso de preservativos e doenças sexualmente transmissíveis ainda apresenta barreiras, especialmente para mulheres grávidas, que revogam o uso do preservativo por considerarem desnecessário durante a gestação. O profissional enfermeiro deve utilizar intervenções educativas que promovam o conforto e liberdade para discussão do tema entre a população-alvo, alertando sobre práticas sexuais seguras inclusive no período gestacional motivando o interesse e aplicação do conhecimento adquirido pelos pacientes atendidos para que estes utilizem o novo aprendizado.

Um estudo realizado em duas universidades demonstrou que uma supremacia das mulheres ainda sentem bloqueios em solicitar ao parceiro que utilize preservativo e a maioria relatou outrora, histórico de alguma IST. Actualizar o conhecimento, adianta questões as quais as respostas não são exactamente claras ao momento. O enfermeiro que educa sobre as IST, impulsiona relações de confiança com os pacientes e atenua eventuais preocupações.

O paciente deve conhecer as opções de tratamento e ter as informações necessárias sobre as infecções transmitidas sexualmente. É preciso que tanto a paciente quanto o(s) parceiros sexuais reúnam o conhecimento empírico com o recém-adquirido para que o profissional de saúde articule meios para um tratamento apropriado para casos específicos e generalizados de forma eficaz e compatível como normatiza a secretaria de saúde de cada município.

A implantação de unidades básicas da família em áreas carentes e rurais por enfermeiros coopera para a monitoração e acompanhamentos dos pacientes sujeitos a tricomoníase, aumentando a disponibilidade do exame Papanicolau, interferindo no ciclo do parasito e aumentado a cobertura de usuárias beneficiadas. Mesmo com a Estratégia Saúde da Família, a adesão de usuárias em fase sexual activa é baixa, fato que pode ser explicado devido aos mitos relacionados à monogamia e baixo conhecimento sobre a tricomoníase.

O tratamento da parasitose deve ser acompanhado pela equipe de enfermagem, que deve atentar-se aos factores carcinogênicos que podem ser instalados devido ao uso do fármaco metronidazol, bem como o surgimento de cepas resistentes (LIMA, 2013).


Conselhos para prevenirmos e evitar reincidências de irritações e/ou infecções fúngicas genitais:

·         Escolher roupa que não seja justa ou apertada e que permita que a pele respire;
·         Optar por roupa interior de algodão para que absorva a transpiração e possa ser lavada a temperaturas superiores a 60ºC;
·         Depois de nadar no mar ou numa piscina, tomar duche e seca-nos cuidadosamente. Evita ficar com o fato de banho molhado durante muito tempo;
·         Depois de urinar, limpa-nos cuidadosamente sempre de frente para atrás;
·         Lava-nos uma a duas vezes por dia, com movimentos da parte da frente para a parte de trás e nunca na direcção contrária;
·         Quando nos lavamos, é importante enxaguares abundantemente com água e secar-nos suavemente com uma toalha limpa;
·         Utilizar produtos de higiene que não sejam agressivos e que sejam formulados especialmente para a zona íntima;
·         Não partilhar as toalhas e, é preciso troca-las regularmente.





Em harmonia com a matéria considerada no presente trabalho, concluímos que é importante usarmos preservativo durante as relações sexuais, uma vez que a candidíase é considerada uma IST, e tê-las apenas com uma única pessoa para prevenir que esta e outras doenças não se espalhem.









AMERICAN JOURNAL OF OBSTETRICS AND GYNECOLOGY 1985 – 152, no. 7 (1985): 924-935.

HEUKELBACH, J; OLIVEIRA, F. Ar. S.; FELDMEIR, H. Ectoparasitoses e saúde pública no Brasil: desafios para controle. Caderno de Saúde Pública. Rio de Janeiro. v.19. n. 5. p. 1535-1540, set./out. 2003.

LIMA, GERALDO RODRIGUES de; Girão, Manoel J.B.C.; Baracat, Edmund Chada. Doenças Sexualmente Transmissíveis. In: Ginecologia de Consultório. 2003.1ª Edição. P.193-210. Editora de Projetos Médicos. São Paulo-SP.

MINISTÉRIO DA SAÚDE, Protocolo Clínico e Directrizes Terapêuticas, Infecções Sexualmente Transmissíveis, Editora CONITEC, Brasília, 2015.

MINISTÉRIO DA SAÚDE, Protocolo Clínico e Directrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis, 2ª edição revisada, Editora MS/CGDI, Brasília, 2016.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, Orientações para o Tratamento de Infecções Sexualmente Transmissíveis, Genebra, Suíça, 2005.

ROSA MI, Rumel D. Fatores associados à candidíase vulvovaginal: estudo exploratório. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. 2004;26(1):65-70.

SOBEL, Jack D. “Epidemiology and pathogenesis of recurrent vulvovaginal candidiasis, realizado por Jack D. Sobel, do The Medical College of Pennsylvania.


Comente com o Facebook: