quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Vida e Obra de Óscar Bento Ribas - Por Vieira Miguel Manuel


INTRODUÇÃO


ÓSCAR Bento RIBAS nasceu em Luanda, 17 de Agosto de 1909 - 19 de Junho de 2004. É filho de Arnaldo Gonçalves Ribas, natural de Guarda-Portugal, e de Maria da Conceição Bento Faria, natural de Luanda-Angola. Após ter concluído os estudos primários em Luanda, frequenta então o Seminário e conclui o 5º ano no Liceu Salvador Correia de Luanda. Após uma estada em Portugal onde frequenta um curso comercial, empregar-se na Direcção dos Serviços de Fazenda e Contabilidade de Luanda.

Viveu em Novo Redondo, actual Sumbe, e Benguela, Ndalantando e Bié. Considerado fundador da ficção literária, Óscar Ribas iniciou a sua actividade literária ainda estudante do Liceu.

Dentro de todos os aspectos tende-se em analisar generalidades descritas no estudo da obra do autor Óscar Ribas Ilundo - Espírito e Ritos de Angola.


RESUMO ILUNDO - ESPÍRITO E RITOS DE ANGOLA

VIDA E OBRAS DE ÓSCAR R1BAS

Como dissemos anteriormente, Óscar Ribas nasceu a 17 de Agosto de 1909, em Luanda. Filho de pai português, Arnaldo Gonçalves Ríbas, e de mãe angolana, Maria da Conceição Bento Faria.

Cedo nasceu-lhe o bicho da escrita criativa, ainda adolescente, - conforme ele conta ao investigador francês Michel Laban: "Desde muito novo senti em mim o prurido de escrever, mas desde muito novo mesmo( ... ) talvez (pelos meus) catorze anos( ... ). E depois, comecei a escrever os meus primeiros trabalhos literários - considero-os como voos - são uns ensaios, uns voos literários: um livrinho - o primeiro - "Nuvens que passam", uma coisinha pequena, tinha talvez dezoito anos".

Fez os estudos primários, secundários e liceiais em Luanda, onde conclui o 5º ano no Liceu Salvador Correia, depois de ter frequentado o liceu-seminário durante dois anos.

" Quando fui para o Liceu Salvador Correia- recorda- tinha já concluído o segundo ano das cadeiras de francês e inglês, que eram do seminário. Aí as lições eram diárias. Eram duas horas por dia. Fiquei com grandes conhecimentos. Eu com , o segundo ano do Seminário, de francês, sabia tanto como um aluno do sétimo ano de Liceu".

Em 1923, uma vez concluído o 5º ano, parte para terra natal do seu progenitor, Guarda, Portugal, em companhia dos pais, onde estuda aritmética comercial. De regresso a Angola ingressa para o funcionalismo público, trabalhando na Fazenda. Onde acaba por largar o emprego, em virtude do pai ter sido colocado em Novo Redondo, actual Sumbe, província do Kwanza Sul. Em 1926, seu pai é novamente transferido para Benguela. Óscar Ribas acompanha a família para as terras das "acácias rubras", integrando-se e participando no meio social benguelense, vivendo e apre( e)ndendo a realidade( cultural) vivida e sentida por suas gentes e culturas.

Aos 36 anos, o decano dos escritores angolanos, perde a visão, passando o seu irmão a registar para o papel aquilo que ele ditava.

Do reviver da experiência benguelense, onde o convívio com os diversos extractos sociais, particularmente gente menos favoreci da nasce "Ecos da minha terra - dramas angolanos", em 1952. Da vivência no planalto de Benguela conta em entrevista a Michel Laban: " ... Lavadeiras, cozinheiras, criados ... E lá estava eu a dançar com eles. Isto tudo fez-me bem porque contactei directamente, não me afastei. Enfim gostava". De resto, vívência com gente humilde, depositários fiéis dos "usos e costumes" do seu povo que animavam o seu projecto estético- literário, o que só viria a ser vantajosa para a sua actividade de escritor, de recolha etnográfica e de recriação do imaginário angolano, particularmente da região kimbundu - sua zona de origem. Além do título acima referenciado consta da bibliografia do autor: "Nuvens que passam(novela), 1927, "Resgate duma falta”{novela], 1929, "Flores e espinhos. Lirismo, ensaios e contos" (1948.esgotado), "Uanga"(romance,1951), "Missosso- Literatura Tradicional Angolana", 3 tomos, primeira edição 1961. "Sunguilando. Contos tradicionais", 1 ª edição, 1967, "Alimentação regional angolana, lª ed. 1974, Izomba. "Tudo isso aconteceu. Romance auto-biográfico" (1975), "Cultuando as musas (poesia), 1995, e "Dicionário de regionalismos angolanos", 1997.

O falecido professor Manuel Ferreira, um dos mais destacados divulgadores das literaturas africanas de língua portuguesa, na sua obra "Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa" (Ática, 1987) teceu os seguintes comentários:

"A sua longa carreira de escritor, veio a bipartir-se na investigação etnográfica ou etnológica, que é das mais fecundas de Angola, e na ficção. ( ... ) Acontece, porém, que toda a sua obra romanesca é repassada pela intervenção de etnógrafo, facto que, do ponto de vista das exigências da estrutura literária, não favorece muitos dos seus textos ficcionais dada a marcada e persistente intenção de explicar, antropologicamente, determinados tipos de comportamento social, de carácter profano ou mítico. Seja como for, a sua obra literária, como Uanga, não deve ser ignorada. E bem destacada deverá ser ainda a sua obra de etnólogo, exemplo, e bem rico, para o conhecimento do angolano que sofreu a assimilação ou a aculturação".

Ainda a propósito da sua obra de escritor e etnográfo, o professor Pires Laranjeira escreve: "Óscar Ribas( ... ) é um narrador que se apropriou das tradições orais em quimbundu, e também da sociedade crioulizante, sobretudo da região de Luanda, e as transformou em histórias(contos, romance) com sabor etnográfico, permanecendo como um documentalista dos dramas angolanos da gente negra, ao modo dos primeiros livros de Castro Sorornenho". Pires Larangeira sublinha ainda que" Cordeiro da Mata, Óscar Ribas, Geraldo Bessa Victor e Castro Soromenho dedicaram-se a estudar e recolher elementos do saber africano das regiões que melhor conheceram. ( ... ) O Óscar Ribas permaneceu como um 'documentador de tradições minguantes', optando por um estilo popular, bastante oralizado, como que tocado pela imperfeição, na linha de António de Assis Júnior e, depois da independência, de Uanhenga Xitu, que se opõe. de certo modo, ao conceito de literatura de tradição escrita ocidental. O narrador é sempre um documentador que conhece bem o que relata, mas que se sente algo distanciado das tradições residuais ou dos atavismos que observa e transmite."

O poeta e ensaísta angolano Mário António(1932-1989) escrevia em 1968: "Óscar Ribas apareceu nas letras angolanas numa fase marasmática correspondente à liquidação de uma tradição local de actividade intelectual, recordada com saudade. O surto literário, com projecção no meio dos "filhos do país", vindo da segunda metade do século XIX, tivera seu último qualificativo representante em António Assis Júnior o escritor angolano surge como um elo necessário entre essa tradição em perigo de se obliterar e os anseios de afirmação literária das gerações mais novas da sua terra. Esta é a primeira justificação do lugar que por direito, Óscar Ribas adquiriu na literatura angolana".
Numa clara alusão à sua condição de invisual, Mário António destaca: "( ... ) Óscar Ribas realiza - talvez pela contingência da dura adversidade da sua vida - essa meta de toda a actividade literária: a profissionalização do escritor".

Referindo-se propriamente à sua obra, o ensaísta sublinha que" os diálogos dos seus contos baseados na tradição popular - particularmente de “A praga", por sinal galardoado, em momento de felicidade judicativa, num concurso de literatura africana realizado na Inglaterra - são sem dúvida, no conjunto das literaturas africanas expressas em idiomas europeus, o caso mais espantoso de preservação, através do veículo literário escolhido, da carga psicológica, do carácter vital próprio de uma cultura e de um modo de ser. Essas páginas devem ser consideradas como um guia por quantos se queiram aproximar da expressão literária do Homem Negro",

CRONOLOGIA DE SUAS OBRAS

As suas primeiras publicações são duas novelas:

Nuvens que passam em 1927 Resgate de uma falta em 1929.

Em 1950 pública: Flores e espinhos Uanga e em 1952 Ecos da minha terra.

Em toda a produção literária posterior, Óscar Ribas demonstra na verdade uma propensão pouco comum entre os escritores da sua geração e mesmo em gerações posteriores. Revela-se profundamente preocupado com os temas da literatura oral, filologia, religião tradicional e filosofia dos povos de língua kimbundu. Destas preocupações resultam a sua bibliografia dos anos 60:

•      Ilundo - Espíritos e Ritos Angolanos (1958,1975);
•      Missosso 3 volumes (1961,1962,1964);
•      Alimentação regional angolana (1965);
•      Izomba - Assocíatívismo e recreio (1965);
•      Sunguilando - Contos tradicionais angolanos (1967,1989)
•      Kilandukiiu - Contos e instantâneos (1973);
•      Tudo isto aconteceu - Romance autobiográfico (1975);
•      Cultuando as musas - poesia (1992);
•      Dicionário de Regionalismos angolanos.

Õscar Ribas foi por diversas vezes distinguido com prémios e títulos
honoríficos:

•      Prémio Margaret Wrong (1952),
•      Prémio de Etnografia do Instituto de Angola (1959),
•      Prémio Monsenhor Alves da Cunha (1964).

Quanto a títulos, com que foi agraciado:

•      Membro titular da Sociedade brasileira de Folk-lore (1954),
•      Oficial da Ordem do Infante do governo português (1962),
•      Medalha Gonçalves Dias pela Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro (1968),
•      Diploma de Mérito da Secretaria de Estado da Cultura ( 1989).




RESENHA DA OBRA

Título: Ilundo
Subtitulo: Espiritos e Ritos Angolanos
Obra Publicada com base na edição de 1989
Deposito legal: 4711/2009 em Lisboa

Nesta obra Ilundo que é uma palavra da língua Kírnbundo, que significa montanha. A obra foi dividida em cinco partes.

1ª Parte é a dedicatória, na qual ele tratou do passamento físico da sua esposa.             
2ª Parte os esclarecimentos ou introdução; onde o autor tratou da religião tradicional angolana. Sintetizou os privilégios dos quatro sacerdotes, que o mais poderoso era o Quimbanda que não se limitava em adivinhar e curar, também se, alargava ao domínio de os resultados e era altamente considerado o seu tempo.

Quimbanda significa, médico tradicional, homem que tem por objectivo promover o bem; segundo essa obra. Ao passo em que o feiticeiro, por natureza do seu carácter exclusivamente se consagrar a destruir a felicidade alheia. Nesta obra, o autor diz ainda que nem todo quimbanda aceita matar sobretudo injustamente.

Nesta obra predomina o género literário narrativa. Digo assim porque a página 41 e 50 dessa mesma obra, ele descreve a diferença entre quimbanda com o feiticeiro. O narrador intromete-se na narrativa, dá opiniões e exprime estado de alma. Está envolvido dentro da história a emoção, aparece ao longo do discurso.

Na 3ª Unidade

Iniciação do Xingulador. Pg 52. O autor tratou dos rituais de evocação de espíritos denominada dissaquela na Língua Kímbundo, A afeição de alma de parente que fora vítima de crime originalmente designada por Mukua- Kítuxí ou pessoa de geração que se dedicava a compra e venda de escravo.

4ª Unidade

Cerimonialismo do Xinguilador

Ele continua com os contos ou uma narração da religião tradicional angolana, estabelece a diferença entre os rituais, embora assente nos mesmos fundamentos nem sempre apresentam a uniformidade quer na concepção da mesma liturgia, não apenas de região para região mas até de vários ocultistas.  A função expressiva ou a conotação, atribui as apalavras de sentido não correspondem ao seu significado real ou ao seu próprio sentido.




RESUMO DA OBRA


Porque Escreveu o autor?

Segundo o próprio Ribas em meio a esse significativo manancial cultural dos povos angolanos, se tornava necessário a obra para de um lado conhecer suas mactrizes orais, mas por outro, era preciso se afastar dos feiticeiros ou do feitiço do ocultismo; ou de acordo com a sua visão, Angola, devia deixar de ser uma sociedade negra inculta. Ideia esta também presente, por exemplo, em seu romance Wanga.

Embora tenha vivido até 2004 Ribas teve sua escrita, sua forma de pensar marcada principalmente pelos textos históricos; da primeira metade do século XX. Período em que positivamente o evolucionismo ainda influenciaram muitas visões e conceitos não só em Angola mas em outras parte do mundo.        



CONCLUSÃO



Com base ao trabalho feito, concluímos que: Óscar Ribas( ... ) é um narrador que se apropriou das tradições orais em quimbundo, e também da sociedade crioulizante, sobretudo da região de Luanda, e as transformou em histórias(contos, romance) com sabor etnográfico, permanecendo como um documentalista dos dramas angolanos da gente negra, ao modo dos primeiros livros de Castro Soromenho. Óscar Ribas apareceu nas letras angolanas numa fase marasmática correspondente à liquidação de uma tradição local de actividade intelectual, recordada com saudade.

Enfim, importa destacar que o autor tem no prelo "Temas da vida angolana", "Eu e a minha vida literária", "Novamente as musas" (poesia), e um outro intitulado "Contos e outros temas dedicados aos animais.



BIBLIOGRAFIA



       Livro de literatura angolana - Bio quem - União dos escritores angolanos.
       Livro Ilundo - Espírito e Ritos de Angolano


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Cão Leão

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