terça-feira, 22 de maio de 2018

PLANEAMENTO FAMILIAR - Trabalho Completo




O presente trabalho refere-se ao planeamento familiar, que constitui um componente fundamental de saúde reprodutiva, visto que existem muitos problemas de mortalidade materna infantil por falta de sensibilização, informação e até aconselhamentos a todas as famílias para promover uma maternidade e paternidade responsável para melhorar a saúde e bem-estar da família.

O bem-estar de uma família e de uma sociedade está relacionada não só com as condições económicas e nível de instrução, mas também com o estado de saúde dos seus elementos. As famílias numerosas são as que têm maior dificuldade económica, baixo nível de escolaridade e, em consequência, deficiente estado de saúde. Os recursos alimentares são um factor extremamente importante para sobrevivência das famílias, independentemente de viverem em áreas rurais ou urbanas.



O planeamento familiar é o direito à informação, à assistência especializada e acesso aos recursos que permitam optar livre e conscientemente por ter ou não filhos, o número, o espaçamento entre eles e a escolha do método anticoncepcional mais adequado, sem coação.


Para criança:

       Melhor saúde;
       Garante aleitamento materno;
       Melhor crescimento físico e emocional;
       Diminui morbilidade e mortalidade infantil;
       Aumenta a chances de sobrevivência.

Para Mulher:

       Melhor saúde;
       Evita gravidez não desejada reduz a incidência de gravidez de auto risco;
       Reduz as taxas de mortalidade materna;
       Aumenta as oportunidades de educação e formação;
       Permite a participação na vida social, económica e política;
       Elimina a exclusão e o exercício da cidadania.

Para família:

       Melhorar o papel e a situação da mulher e bem-estar da família;
       Promover a paternidade responsável;
       Evita a fuga à paternidade;
       Reforça o respeito mútuo.


Métodos de planeamento familiar são as formas utilizadas pelas mulheres/ homens e/ou casais para evitar ou promover uma gravidez. Alguns métodos servem somente para evitar filhos, outros servem para ajudar a mulher a engravidar.

Os métodos de planeamento familiar podem ser classificados em: naturais, barreiras, hormonais, mecânicos e esterilização.


São aqueles que o casal ou a pessoa pode utilizar para evitar ou obter uma gravidez, identificando o período fértil da mulher.

Tabela

Através da tabela, a mulher é capaz de descobrir a época do mês em que está no período fértil. Tabelas prontas não são seguras. A tabela de uma mulher não serve para outra, pois cada uma tem um ciclo menstrual diferente. É importante ter um calendário para marcar, a cada mês, o início do ciclo menstrual.

Para usar esse método, a mulher deve conhecer os seus últimos seis (6) a doze (12) ciclos menstruais, espontâneos e a sua duração.

·         Inicio do período fértil – diminuir 18 dias do período mais curto.
·         Final do período fértil – diminui 11 dias do ciclo mais longo.

Temperatura

O método da temperatura ajuda a conhecer a época do ciclo menstrual em que a mulher pode ficar grávida (período da ovulação). Ele é feito através da tomada da temperatura do corpo. O corpo feminino sofre uma alteração de temperatura no período da ovulação, ou seja, no período fértil.

Para usar esse método, a mulher deve verificar a sua temperatura corporal da mesma maneira, oral, vaginal, rectal, no mesmo horário, todas as manhas antes de se levantar. Ela deve aprender a ler o termómetro e registar a sua leitura em um gráfico especial.

No período após a ovulação, aproximadamente no ciclo menstrual, para muitas mulheres o casal deve evitar relações sexuais com penetração vaginal desde o primeiro dia da menstruação até depôs de três dias que a temperatura Basal[1] tenha subido. Depois disso o casal pode ter relações sexuais durante os próximos dez a dose dias até o inicio da próxima menstruação.


São aqueles que evitam a gravidez impedindo a penetração dos espermatozoides no útero.

Condom (camisinha)

A camisinha é um método para ser usado pelo homem, no momento da relação sexual, constituída de borracha bem fina, porém resistente, impedindo que os espermatozóides penetrem na vagina da mulher e serve também para prevenir as DST/AIDS.

Diafragma

O diafragma é uma capa de borracha ou silicone, que a mulher coloca, na vagina, antes da relação sexual, tapando, assim, o colo do útero. Ele evita a gravidez, impedindo que os espermatozóides penetrem no útero. Deve ser usado com um espermaticida, para garantir maior segurança.

Espermaticida

Espermaticidas são produtos para serem colocados na vagina antes da relação sexual. Eles impedem que os espermatozóides penetrem no útero, evitando assim, a gravidez. Os espermaticidas podem ser usados sozinhos, porém são mais seguros quando usados juntos com outros métodos (camisinha, diafragma, tabela). Existem vários tipos: cremes, geleia, tabletes ou óvulos.


Pílula

As pílulas anticoncepcionais podem ter uma composição combinada (estrógeno + progestógeno) ou simples (apenas progestógeno). Elas impedem a ovulação, evitando assim a gravidez. Existem diferentes tipos de pílulas, as mais usadas vêm em cartelas com 21 comprimidos. A pílula só faz efeito se tomada correctamente. As pílulas anticoncepcionais de emergência podem ser tomadas a qualquer momento até cinco dias após o sexo desprotegido. Quanto antes elas forem ingeridas após o sexo desprotegido, maior será a sua eficácia.

Injectáveis

Os injectáveis mensais contêm dois hormônios - um progestógeno e um estrógeno – semelhantes aos hormônios naturais progesterona e estrógeno. Os anticoncepcionais injectáveis de “acetato de medroxiprogesterona de depósito” (AMPD – aplicação trimestral) e “enantato de noretisterona” (NET-EM aplicação mensal) contêm, cada um, um progestógeno similar ao hormônio natural progesterona. Não contêm estrógeno e, por isso, podem ser usados durante toda a amamentação e por mulheres que não podem utilizar métodos com estrógeno.


DIU

O dispositivo intra uterino – DIU – é um dispositivo feito de um plástico especial, que vem enrolado por um fio de cobre bem fino. Este aparelho é colocado através da vagina dentro do útero da mulher. Apenas o médico pode colocar o DIU. A época ideal para a colocação do DIU é durante ou logo após a menstruação. O DIU tem um tempo de validade (cerca de seis a dez anos), dependendo do tipo. Depois desse tempo, ele deve ser retirado ou trocado.


Além dos métodos recomendados pelo Ministério da Saúde, existem formas de evitar definitivamente a gravidez através de cirurgia. Pode ser feita no homem ou na mulher. No homem chama-se vasectomia e na mulher laqueadura (amarração ou ligadura de trompas).
Somente é permitida a esterilização em:

       Homens e mulheres com capacidade civil plena;
       Maiores de vinte e cinco anos de idade ou, pelo menos, com dois filhos vivos;
       Prazo mínimo de sessenta dias entre a manifestação da vontade e o ato cirúrgico, período no qual será propiciado acesso a serviço de regulação da fecundidade, incluindo aconselhamento por equipa multidisciplinar, visando desencorajar a esterilização precoce;
       Situação de risco à vida ou à saúde da mulher ou do futuro concepto, testemunhado em relatório escrito e assinado por dois médicos.

Laqueadura Tubária

A laqueadura feminina é uma operação feita nas trompas, para impedir o encontro do óvulo com o espermatozóide, evitando assim, a gravidez.

Vasectomia

Este procedimento consiste em esterilização ou contracepção masculina de carácter permanente através de punção ou pequena incisão cirúrgica. Após o procedimento, o sémen é ejaculado, mas não pode engravidar.


Diversos autores propõem alguns princípios éticos básicos, entre os quais se destaca o princípio da autonomia ou liberdade individual, ou seja, todo indivíduo tem plena liberdade de decisão e de acção, desde que esta não interfira com os direitos de outras pessoas. Pois, o planeamento familiar é livre decisão do casal sendo vedada qualquer forma coercitiva por parte de instituições oficiais ou privadas.

Tradicionalmente, o principal problema ético encontrado na prática do planeamento familiar é a possibilidade que o médico tem de impor este ou aquele método, seja por acção directa seja por omissão de informar e oferecer métodos que a mulher ou o homem poderiam preferir àquele que o médico recomenda.







O Planeamento Familiar é de responsabilidade multidisciplinar, sendo de importância fundamental um bom aconselhamento. As pessoas são diferentes entre si bem como as situações em que vivem tanto quanto as necessidades de ajuda que manifestam. O melhor aconselhamento é aquele que atende ao perfil individual, respeitando a liberdade individual sem violar o princípio ético básico da autonomia.

Pelos estudos científicos analisados nesta revisão, percebemos que é extremamente importante a realização de práticas educativas inovadoras, utilizando-se do lúdico como forma de estimular a adesão dos jovens e adolescentes ao planeamento familiar. Embora estas actividades se mostrem como desafiadoras para os profissionais de saúde, sua utilização deve ser incentivada.


LINDNER, SRL; COELLHO, EBS; BUCHELE, F; SOARES, C. Direitos reprodutivos: o discurso e a prática dos enfermeiros sobre planejamento familiar. Cogitare Enferm.. 2006 (acesso em: 16 de junho de 2015); 11(3): 197– 205. Disponível em: http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs/index.php/ cogitare/article/view/7304/5236

Planejamento Familiar: Um Manual Global para Profissionais e Serviços de Saúde. Projeto INFO – Disponível em: http://www.infoforhealth.org/ globalhandbook/remindersheets/portuguese. shtml Acesso em: junho 2010 [Links]

Portugal. Direcção Geral da Saúde. Divisão de saúde materna, infantil e adolescência. Saúde reprodutiva e planeamento familiar, orientações técnicas. Lisboa.1998.




[1] A temperatura corporal basal é a temperatura do corpo medida imediatamente após a pessoa acordar, antes de qualquer actividade física no dia seja feita.

OS SINAIS VITAIS - Trabalho Completo




Os sinais vitais (SSVV) são indicadores do estado de saúde e da garantia das funções circulatórias, respiratória, neural e endócrina do corpo. Tais sinais, podem servir como mecanismos de comunicação universal sobre o estado de um paciente e da gravidade da doença. Esses parâmetros, medidos de forma seriada, conforme veremos neste artigo, contribuem para que o enfermeiro identifique os diagnósticos de enfermagem, avalie as intervenções implementadas e tome decisões sobre a resposta do paciente à terapêutica (TIMBY, 2001).

No presente estudo serão abordados os principais sinais vitais, bem como breves procedimentos no âmbito da semiologia de SSVV.






Os sinais vitais (SSVV) são indicadores das funções vitais e podem orientar o diagnóstico inicial e o acompanhamento da evolução do quadro clínico de uma pessoa. O intuito da avaliação seriada dos sinais vitais é contribuir na prevenção de danos e identificação precoce à ocorrência de eventos que possam afectar a qualidade das acções cuidativas. Além disso, auxilia na redução dos riscos, ao mínimo aceitável, de danos desnecessários associados à assistência à saúde, por meio do alcance da qualidade e da segurança do paciente, atributos prioritários para todos os profissionais envolvidos no processo do cuidar (POTTER, 2011).

Na obtenção dos sinais vitais devemos considerar as seguintes condições:

·         Condições ambientais – tais como temperatura e humidade no local, que podem causar variações nos valores;
·         Condições pessoais – como exercício físico recente, tensão emocional e alimentação, que também podem causar variações nos valores.

Existem vários sinais vitais, no entanto, existem 3 principais:

·         Temperatura;
·         Pulso;
·         Respiração.


A temperatura reflecte a relação entre o calor produzido e o calor perdido pelo corpo, e é normalmente registada em graus célsius. O índice normal de temperatura é de 37ºC, admitindo-se variações de até 0,6ºC para mais ou para menos. As crianças têm temperaturas mais altas que os adultos, porque seu metabolismo é mais rápido. Tem-se observado que a temperatura do corpo é mais baixa nas primeiras horas da manhã, e mais alta no final da tarde ou no início da noite (SEMAN, 2011).

A temperatura corporal está directamente relacionada com a actividade metabólica, nomeadamente:

a)      Sono e repouso;
b)      Idade;
c)      Exercício físico;
d)     Emoções;
e)      Factores hormonais;
f)       Roupa;
g)      Alimentação.

A temperatura é medida utilizando-se termómetros. A medição pode ser efectuada via axilar, oral e rectal.


É o nome dado à dilatação pequena e sensível das artérias, produzida pela corrente sanguínea. Envolve a determinação da frequência cardíaca (número de batimentos por minuto), o seu ritmo padrão e a sua regularidade, assim como o volume de sangue bombeado em cada batimento. Pode ser influenciado por: exercício, febre, dor aguda, ansiedade, dor intensa não aliviada, drogas, hemorragia, posições posturais (TIMBY, 2001).


·         Artéria radial;
·         Artéria Carótida;
·         Artéria Femoral;


·         Homem: 60 a 70 bpm
·         Mulher: 65 a 80 bpm

·         Adultos – 60 a 100 bpm;
·         Crianças – 80 a 120 bpm;
·         Bebés – 100 a 160 bpm.


1.      Relaxar a pessoa. Para palpar o pulso radial, manter o braço da vítima descansando confortavelmente, preferencialmente cruzando a parte inferior do tórax. Para o pulso carotídeo, palpar a cartilagem tireóide no pescoço e deslizar os dedos lateralmente até sentir o pulso.
2.      Usar dois ou três dedos para encontrar e sentir o pulso. Usar somente a ponta dos dedos e nunca o polegar (usando o polegar o examinador poderá sentir o seu próprio pulso digital).
3.      Evitar muita pressão. Pressionar forte poderá interromper o pulso da vítima.
4.      Sentir e contar o pulso durante 30 ou 60 segundos (se contar por 30 segundos, multiplicar por dois). Usar um relógio que marque os segundos.
5.      Anotar a frequência, o ritmo e o volume do pulso, bem como a hora da medição. Exemplo: Pulso - 72, regular, cheio, 10h50min.
Numa pessoa com problemas cardíacos, o ideal é medir o pulso durante um minuto. Sentir o pulso de uma criança muito pequena também é bastante difícil: o pescoço de comprimento curto e, algumas vezes, rico em gordura, torna difícil localizar o pulso carotídeo, sendo recomendável que seja pesquisado o pulso braquial. Com o crescimento torna-se possível a palpação dos vasos periféricos (BARROS, 2002).


Respiração é o processo através do qual ocorre troca gasosa entre a atmosfera e as células do organismo. A frequência respiratória, por intermédio do ritmo, profundidade e som, reflecte o estado metabólico do corpo, a condição do diafragma e dos músculos do tórax fornecendo O2 ao trato respiratório e alvéolos (TIMBY, 2001).

Pode ser influenciada pelos seguintes factores:

a)      Idade
b)      Medicamentos
c)      Stress
d)     Exercício
e)      Altitude
f)       Sexo
g)      Posição corporal
h)      Febre
h)
A respiração é crítica para a sobrevivência do organismo. O cérebro sofrerá lesões irreversíveis (necroses) no máximo 6 minutos após a interrupção da respiração. Após 10 minutos, a morte cerebral é quase certa. A avaliação da respiração inclui a frequência respiratória (movimentos respiratórios por minuto – mrpm). Para verificar a respiração, flexionar a cabeça da vítima para trás, colocar o ouvido próximo à boca da pessoa, e ao mesmo tempo observar o movimento do tórax. Ouvir e sentir se há ar a sair pela boca e pelas narinas da pessoa com problemas. Ver se o tórax se eleva, indicando movimento respiratório (POSSO, 1999).

Quando não há movimentos respiratórios, isso indica que houve paragem respiratória.
Valores normais:

Adultos – 12 a 20 mrpm;
Crianças – 20 a 30 mrpm;
Bebés – 30 a 60 mrpm


1.      Se possível, estando a vítima consciente, colocar o braço da mesma cruzando a parte inferior do tórax. Segurar o pulso da mesma enquanto se observa a respiração, como se estivesse a medir o pulso radial.
2.      Aproximar a face ao rosto da vítima, olhando para o seu tórax. Com o tacto da pele do seu rosto e com a sua audição tentar perceber o movimento da corrente de ar mobilizada pela respiração e com a visão tentar observar os movimentos de subida e descida do tórax e/ou do abdómen.
3.      Contar os movimentos respiratórios durante um minuto (usar um relógio com marcação de segundos). Ao mesmo tempo observar o carácter e o ritmo da respiração.
4.      Anotar a frequência respiratória, o carácter, o ritmo e a hora. Exemplo: Respiração normal, 16 mrpm, 10h50min.

Em crianças muito pequenas, o movimento torácico é menos evidente que nos adultos e, usualmente, ocorre próximo ao abdómen. A mão colocada levemente sobre a parte inferior do tórax e superior do abdómen poderá facilitar a contagem da actividade respiratória. Por causa do pequeno volume e da reduzida força do fluxo de ar, a análise da respiração em crianças também é bastante complicada (BARROS, 2002).


É o processo mecânico empregado para restabelecer a respiração que deve ser ministrado imediatamente, em todos os casos de asfixia, mesmo quando houver parada cardíaca.

A respiração artificial é feita de três modos: boca-a-boca; boca-máscara e por aparelhos (entubamento).

Chegamos, assim, à conclusão que a aferição dos sinais vitais constitui um importante indicador de resultado do cuidado seguro, sendo seu efectivo controlo influenciado por uma cultura organizacional de segurança activa, que deve estar em consonância com a revisão dos processos de trabalho, da acessibilidade de materiais básicos e, especialmente, considerar os profissionais de saúde os principais parceiros da qualidade da assistência.




BARROS, ALBA et al. Anamnese e exame físico: avaliação diagnóstica de enfermagem no adulto. Porto Alegre: Artmed, 2002.

BRUNNER; SUDDARTH. Moderna Prática de Enfermagem. Rio de Janeiro: Interamericana, 2000.

HORTA, W. A. Processo de Enfermagem. Ribeirão Preto: Pedagógica, 1979.

POSSO, MARIA B. S. Semiologia e Semiotécnica de Enfermagem. São Paulo: Atheneu, 1999

POTTER PA, PERRY AG. Fundamentos de enfermagem. 7ª ed. Rio de Janeiro (RJ): Elsevier; 2011.

SEMAN AP, FARIA LFC, PAULA LHB, NEDEL S. Hipertermia e hipotermia. In: Freitas EV, Py L, Cançado Fax, Doll J, Gorzoni ML. Tratado de Geriatria e Gerontologia. 3ª ed. Rio de Janeiro (RJ): Guanabara Koogan; p. 1149-61, 2011.

TIMBY, B. K. Conceitos e Habilidades Fundamentais no Atendimento de Enfermagem. 6.ed. Porto Alegre: Artmed, 2001.