terça-feira, 3 de maio de 2016

OS TUMORES - Trabalho elaborado por VIEIRA MIGUEL MANUEL

INSTITUTO SUPERIOR POLITÉCNICO DE INTEGRAÇÃO NACIONAL
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
LICENCIATURA EM ENFERMAGEM


                                            




ADMINISTRAÇÃO DE ENFERMAGEM





OS TUMORES























LUANDA
2016
INSTITUTO SUPERIOR POLITÉCNICO DE INTEGRAÇÃO NACIONAL
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
LICENCIATURA EM ENFERMAGEM









ADMINISTRAÇÃO DE ENFERMAGEM



OS TUMORES



ORLANDO ESTÊVÃO ANDRÉ PANZO
LEANDRO TEIXEIRA PAULO
ALBERTINA MASSI MASSIMUANGA
SABALO MANUEL JOÃO
MARIA LUÍSA TEIXEIRA




Trabalho apresentado ao Curso de Enfermagem na disciplina de Administração de Enfermagem como requisito parcial para obtenção de notas.

Orientador: Dulce Rodriguez
 
 

















LUANDA
2016
SUMÁRIO






 




No presente trabalho buscamos, com base em pesquisa bibliográfica, falar sobre a neoplasia um termo referente à proliferação anormal de células, excessiva e descoordenada, que não cessa após o término do estímulo inicial. Essa massa recebe o nome de “neoplasma” e é o equivalente exacto de “tumor”, não havendo distinção entre os termos, nesse trabalho será usado o termo neoplasia com mais frequência duque tumor. A origem desse fenómeno é multifatorial, podendo pender mais para os factores genéticos ou para os ambientais. Invariavelmente, o que ocorre é uma perda da capacidade celular de controlar adequadamente sua proliferação e diferenciação. Entretanto, detalhes acerca disso fogem do escopo desse trabalho por envolverem complexos mecanismos celulares. (JONES et al., 2000).

Para fins tanto didácticos quanto clínicos, os tumores podem ser vistos como órgãos: possuem um parênquima, que contêm as células tumorais propriamente ditas, e um estroma, formado por vasos sanguíneos, tecido conjuntivo vário e até mesmo macrófagos e linfócitos. Enquanto o parênquima dita as consequências patológicas e o comportamento tumoral, seu estroma é que possibilita e determina o seu crescimento. As muitas combinações entre os dois caracterizam os tipos de tumores, abordados adiante.

Cancro é a denominação genérica usada somente para tumores malignos, e originou-se devido a capacidade de invadirem os tecidos vizinhos. O estudo das neoplasias é conhecido como oncologia (onco= massa).






2.1
Neoplasia, conforme já referimos acima, é um crescimento de células que proliferam automaticamente sem controlo, se assemelham em grau variável, às células normais das quais se originou, não possuem padrão ordenado de crescimento, não tem função útil ao hospedeiro e decorre de diversas causas (JONES et al., 2000).
A maioria dos tumores desenvolvem a partir de uma única célula transformada e portanto, são clones da original (FRAGOSO, 2001).

Cancro pode ser causado por macro e micro influências ambiental. Influências macros somente são extrínsecas enquanto influências micro são intrínsecas. Influências macro ambientais são: luz ultravioleta, radiação, química carcinogênica. As influências micro ambientais incluem: dieta, alguns efeitos hormonais, factores genéticos e idade (WALLACE, 2002)

Cancro não é uma doença única, mas uma colecção de doenças com a característica comuns de crescimento descontrolado do tecido canceroso (CAMACHO, 2011)

Todas as neoplasias são compostas de dois elementos básicos: um parênquima, de origem epitelial ou mesenquimatosa, constituído pelas células neoplásicas e de um estroma não neoplásico, de natureza fibrovascular, que proporciona a estrutura de sustentação para o crescimento, o sangue e os nutrientes necessários para o sustento da célula neoplásica (JONES et al., 2000).

As propriedades genotípicas e fenotípicas de um tipo de uma neoplasia são características de cada tecido em particular (FRAGOSO, 2001).

Os tumores são nomeados de acordo com sua célula e tecido de origem, padrão de crescimento e comportamento biológico, que é deduzido das relações histológicas conhecidas entre certas características morfológicas e desfechos clínicos (JONES et al., 2000)

A divisão celular rápida é uma característica de malignidade e o crescimento ocorre porque o aparelho de regulamentação normal das células esta defeituosa em outras palavras, há uma ruptura na homeostasia a nível molecular. As células tumorais são ainda caracterizadas pela sua independência em estímulos externos mitogênicos permitindo o crescimento acelerado e pela sua capacidade para evitar parada no crescimento. Mecanicamente isso depende na activação de oncogenes celulares (BANKS, 2009).

Os nomes da maioria dos tumores terminam com o sufixo “oma”, que simplesmente significa tumor. Se ao invés, “oma” está combinado o qualificador “carcino”, o termo significa respectivamente uma neoplasia maligna podendo ser de células epiteliais ou mesenquimatosas (JONES et al., 2000).
As células tumorais que se espalharam a partir do tumor primário, mas não foi detectado pelos métodos de diagnósticos actualmente disponíveis, são referidas como metástases ocultas. As células cancerosas que sobrevivem à terapia anti-neoplasica são conhecidas como cancro residual. Ambos podem permanecer dormentes por anos e de repente, tornarem-se uma metástase clinicamente aparente (CAMACHO, 2011).

Uma observação a ser feita é o teratoma, que é uma neoplasia que contém uma mistura aleatória de elementos teciduais derivados de todas as três camadas germinativas (endoderma, mesoderma e ectoderma) (JONES et al., 2000).


Os tumores benignos e malignos têm dois componentes básicos: parênquima que é constituído por células neoplásicas e estroma que é composto por tecido conjuntivo e vasos sanguíneos. A nomenclatura dos tumores é baseada na origem das células do parênquima.

Nas neoplasias benignas acrescenta-se o sufixo ‘oma’ à célula de origem. Os tumores benignos de células mesenquimais geralmente seguem esta regra. Por exemplo: neoplasia benigna de fibroblasto é chamada de fibroma. Como toda regra há excepções, linfoma, melanoma e mieloma múltiplo referem-se a neoplasias malignas.

A nomenclatura dos tumores epiteliais benignos é baseada nas células de origem, arquitectura microscópica ou padrão macroscópico. As neoplasias benignas com estruturas glandulares são chamadas de adenomas e, papilomas são tumores epiteliais benignos que produzem projecções epiteliais.

As neoplasias malignas de origem mesenquimal recebem o sufixo SARCOMA (sarco =
carne) às células de origem. Os tumores malignos de fibroblastos são chamados de fibrossarcomas. As neoplasias malignas de origem epitelial recebem a denominação carcinomas. Os tumores malignos com padrão glandular são chamados de adenocarcinomas.

Quadro 1: Nomenclatura dos principais tumores benignos e malignos
ORIGEM
BENIGNO
MALIGNO
MESENQUIMAL


Fibroblasto
Fibroma
Fibrossarcoma
Tecido adiposo
Lipoma
Lipossarcoma
Osso
Osteoma
Osteossarcoma
Cartilagem
Condroma
Condrossarcoma
Vasos sanguíneos
Hemangioma
Hemangiossarcoma
Vasos linfáticos
Linfangioma
Linfangiossarcoma
Músculo liso
Leiomioma
Leiomiossarcoma
Músculo estriado
Rabdomioma
Rabdomiossarcoma
EPITELIAL


Projecções epiteliais
Papiloma
Carcinoma
Padrão glandular
Adenoma
Adenocarcinoma



O termo diferenciação refere-se ao grau em que as células neoplásicas assemelham-se às células normais. As neoplasias benignas apresentam células bem diferenciadas ou seja, semelhantes às células do tecido de origem. As neoplasias malignas apresentam células com grau variável de diferenciação. As células indiferenciadas são também chamadas de anaplásicas.

As células anaplásicas apresentam variação de tamanho e forma. As principais características das células anaplásicas são:

a) Pleomorfismo;
b) Núcleo hipercromático;
c) Relação núcleo-citoplasma aumentada;
d) Aumento no tamanho e número dos nucléolos;
e) Mitoses atípicas.


Genericamente a maioria das neoplasias benignas cresce lentamente e as malignas crescem rapidamente. Entretanto, alguns tumores benignos podem apresentar crescimento mais rápido que tumores malignos.

 O ritmo de crescimento depende do tipo de tumor e de alguns factores como suprimento sanguíneo e hormonal.


As neoplasias benignas crescem por expansão, permanecendo no local de origem, sem infiltrar ou invadir tecidos vizinhos ou provocar metástase para outros locais. As neoplasias benignas são geralmente circunscritas por uma cápsula de tecido fibroso que delimita as margens do tumor.

Devido à cápsula, os tumores benignos formam massas isoladas, palpáveis e móveis, passíveis de enucleação cirúrgica. Entretanto, alguns tumores benignos são localmente invasivos e recidivantes, como os ameloblastomas e mixomas.

As neoplasias malignas são invasivas provocando destruição dos tecidos adjacentes e podendo desenvolver metástase regional e à distância. Devido a essa característica invasiva, é necessária a ressecção cirúrgica de considerável margem de tecido aparentemente normal, conhecida como cirurgia radical. É preciso ressaltar que alguns tipos de cancro evoluem de uma lesão inicial conhecida como carcinoma in situ. Neste estágio as células tumorais estão restritas ao epitélio e não romperam a membrana basal com consequente invasão do conjuntivo. As ressecções cirúrgicas nesta fase são menores com um maior índice de cura.


Metástase é a presença de células ou massas tumorais em tecidos que não apresentam continuidade com o tumor primário. É a principal característica das neoplasias malignas e a disseminação das células tumorais ocorre através dos vasos sanguíneos, linfáticos ou cavidades corporais.

Todos os tipos de cancro podem provocar metástases, com poucas excepções como o carcinoma basocelular de pele e os gliomas (neoplasias de células gliais do SNC). O desenvolvimento de metástase diminui de maneira acentuada a possibilidade de cura dos pacientes. As principais vias de disseminação são:

Disseminação através de cavidades e superfícies corporais:

Esse tipo de disseminação ocorre quando células neoplásicas penetram em uma cavidade natural, como a peritonial. Em casos de carcinomas de ovário não é raro que as superfícies peritoniais fiquem revestidas por células neoplásicas. Outras cavidades corporais podem estar envolvidas como a pleural, pericardial e subaracnóide.

Disseminação linfática:

As células tumorais são transportadas pelos vasos linfáticos. É a via preferencial dos carcinomas, e a menos frequente nos sarcomas.

Os gânglios linfáticos regionais funcionam como barreiras contra a disseminação generalizada do tumor, pelo menos por algum tempo.

Disseminação hematogênica:

É a via de disseminação mais utilizada pelos sarcomas, porém também pode ocorrer nos carcinomas. As artérias são mais resistentes que as veias a invasão tumoral. Os órgãos mais acometidos por essa disseminação são o fígado e o pulmão.

Quadro 2: Diferenças entre tumores benignos e malignos
CARACTERÍSTICAS
BENIGNOS
MALIGNOS
Diferenciação
Bem-diferenciados
Indiferenciados
Ritmo de crescimento
Lento
Rápido
Invasão
Não invadem
Invadem
Mitoses
Raras e normais
Frequentes e atípicas
Metástase
Ausente
Presente








Com base no exposto acima, concluímos que a actividade normal da célula depende da perfeita integração entre as várias vias metabólicas. Grande parte desse metabolismo é controlada pelos harmónios, lançados no sangue até os órgãos alvo.

Como as necessidades de um determinado harmónio variam continuamente, torna-se necessário que suas concentrações estejam sujeitas à regulação (GUYTON, 1991).

Quando há descontrole da secreção hormonal, ocorre perda da homeostasia celular advindo várias alterações, dentre elas o cancro. Os harmónios estão dentre os vários factores indutores ou promotores da carcinogênese. Sejam endógenos ou exógenos, eles estimulam a proliferação celular predispondo às alterações genéticas (HENDERSON & FEIGELSON, 2000).

Os genes controlam a hereditariedade e as actividades celulares dia-a-dia. O cancro é causado, na maioria dos casos, por mutação ou activação anormal dos genes que controlam o crescimento celular (LOURO, 2000), resultando em modificações progressivas da biologia celular caracterizadas por alterações na proliferação, diferenciação e na interacção das células com o meio extracelular (COTRAN et al., 2000).








BANKS, NORTH Introduction to small animals oncology 1 ed China Saunders Elservier
2009. pp. 65-71 e pp.144-159
COTRAN, R.S.; KUMAR, V.; ROBBINS, S.L. Patologia estrutural e funcional. 6.ed. Rio de Janeiro : Guanabara Koogan, 2000. 1400p.

EAST, L. M.; SAVAGE, C. J. Abdominal neoplasia (excluding urogenital tract).: Equine Practice, vol. 14: 3, p. 475-493, 1998.
FRAGOSO, F. S. Abordagem do paciente com cancro e Síndrome Paraneoplásica. México. Agosto, 2001. pp.05-31.

GUYTON, A.C. Tratado de fisiologia médica. 8.ed. Rio de Janeiro : Guanabara Koogan, 1991. 864p.

HENDERSON, B.E.; FEIGELSON, H.S. Hormonal carcinogenesis. Carcinogenesis, v.21, n.3, p.427-433, 2000.

LOURO, I.D. Oncogenética. Rev Soc Bras Canc, n.11, p.36-42, 2000.

WALLACE B. MORRISON Cancer – Medical and Surgical management 2.ed Hong-Kong Tetonnm 2002. pp. 31-37e 185


PROCESSOS DE AVALIAÇÃO DE ENFERMAGEM - Elaborado por Vieira Miguel Manuel

INSTITUTO SUPERIOR POLITÉCNICO DE INTEGRAÇÃO NACIONAL
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
LICENCIATURA EM ENFERMAGEM


                                            




ADMINISTRAÇÃO DE ENFERMAGEM





PROCESSOS DE AVALIAÇÃO DE ENFERMAGEM























LUANDA
2016
INSTITUTO SUPERIOR POLITÉCNICO DE INTEGRAÇÃO NACIONAL
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
LICENCIATURA EM ENFERMAGEM









ADMINISTRAÇÃO DE ENFERMAGEM



PROCESSOS DE AVALIAÇÃO DE ENFERMAGEM



ENGRÁCIA LANDO CANDA XONA
LUÍSA RODRIGUES






Trabalho apresentado ao Curso de Enfermagem na disciplina de Administração de Enfermagem como requisito parcial para obtenção de notas.

Orientador: Dulce Rodriguez
 
 

















LUANDA
2016
SUMÁRIO




 




Define-se o Processo de Enfermagem como um instrumental tecnológico ou um modelo metodológico para o cuidado profissional de enfermagem. Descreve-se a evolução do conceito e como o Processo de Enfermagem avançou, da ênfase inicial na identificação e resolução de problemas para o esforço de identificação e classificação de diagnósticos de enfermagem e, mais atualmente, para a especificação e verificação, na prática, de resultados do paciente que sejam sensíveis às intervenções de enfermagem.

Na enfermagem moderna, o conhecimento científico faz-se cada vez mais necessário, onde o cuidar individualizado e normatizado torna a relação mais próxima e humanizada do ser que cuida do ser cuidado. A Sistematização da Assistência de Enfermagem nesse contexto é importante porque catalisa as atividades, oferecendo um atendimento individualizado e continuo capaz de fornecer elementos para as avaliações de toda equipe que assiste ao paciente, identificando precocemente fatores que contribuam para o desequilíbrio do indivíduo no tempo e no espaço diante das necessidades não atendidas ou atendidas parcialmente.

Portanto a Sistematização da Assistência de Enfermagem tem por finalidade promover o trabalho técnico-científico do enfermeiro junto aos pacientes, consolidando a necessidade efetiva do enfermeiro na coordenação, planeamento, supervisão, execução e avaliação da assistência de enfermagem.

Este trabalho tem o propósito de fazer uma revisão bibliográfica sobre o Processo de Enfermagem nas fases de Prescrição e Evolução de Enfermagem apresenta o atual estágio em que se encontram estas etapas, necessárias para fornecer autonomia profissional ao enfermeiro, no desempenho da proposta de promover, manter ou restaurar o nível de saúde do paciente, assim como, documentar sua pratica visando a avaliação da qualidade da assistência prestada.





A administração da assistência de enfermagem tem como prioridade o paciente, e as atividades desenvolvidas pela equipe de enfermagem, como o planeamento, a supervisão e a avaliação que só podem ser alcançadas com a aplicação da Sistematização da Assistência de Enfermagem, pois esta auxilia no desenvolvimento de padrões mínimos direcionados pela sistematização.

Horta (1979), a primeira enfermeira brasileira que procurou construir uma enfermagem científica, dividiu o processo de Enfermagem em seis fases ou passos que deve ser atendidos de acordo com as necessidades do indivíduo familia-comunidade:

Histórico de Enfermagem, é o roteiro sistematizado para a coleta de dados referentes ao estado de saúde do cliente, da família e da comunidade (definidos de acordo com a teoria de enfermagem utilizada como marco conceitual), com o propósito de identificar as necessidades, os problemas, as preocupações e as reações humanas desse cliente, compõe-se de Entrevista e Exame Físico.

Diagnóstico de Enfermagem, é a identificação das necessidades do ser humano que precisa de atendimento e a determinação pela enfermeira em primeiro grau de dependência deste atendimento em natureza e extensão.

Plano de Assistência, é a determinação global da assistência de enfermagem que o ser humano deve receber diante do diagnóstico de enfermagem estabelecido.

Plano de Cuidados ou Prescrição de Enfermagem, onde a implementação do plano assistencial pelo roteiro diário vai coordenar a ação da equipe de enfermagem na execução dos cuidados adequados ao atendimento das necessidades básicas. O plano de cuidados é avaliado sempre, fornecendo dados para a quinta fase;

Evolução de Enfermagem, que é o relato diário das mudanças sucessivas que ocorrem no ser humano enquanto estiver sob assistência profissional, sendo possível avaliar a resposta do ser humano à assistência de enfermagem implementada. A análise e avaliação dos passos ou fases anteriores leva-nos a sexta fase;

Prognostico de Enfermagem, onde se faz a estimativa da capacidade do ser humano em atender suas necessidades básicas alteradas após a implementação do plano assistencial e de acordo com os dados fornecidos pela evolução de enfermagem, assim sendo, devido às características comentadas do processo de enfermagem é possível corrigir erros em qualquer uma das fases.

A divisão da assistência em fases foi na visão de Horta, um marco importante e norteador das ações de enfermagem individualizadas, surgindo desde então, várias propostas de melhoria na qualidade da assistência prestada.

Para Kurcgant et al (1991), a Sistematização da Assistência de Enfermagem é importante, como: Agente na comunicação e na educação contínua, pois o seu registro serve de intercomunicação pra toda a equipe, que somada às observações do próprio enfermeiro, contribui na avaliação das condutas de enfermagem; Catalisadora de atividades, pois com o planeamento seguro de suas atividades a equipe terá mais tempo para executar a assistência, retratando a qualidade do atendimento que é dado ao paciente, refletindo o grau de preparo da equipe, assim como, funcionando como um instrumento de supervisão das atividades desenvolvidas pela equipe de enfermagem;

Diante da necessidade de um atendimento individualizado, o enfermeiro precisa se conscientizar em relação à importância do uso de Sistematização de Enfermagem, deixando de ser executor de ordens medicas e institucionais e passar a utilizar estratégias que favoreçam o desenvolvimento de uma enfermagem cientifica, com um corpo de conhecimentos próprios que demonstre com ações efetivas, e registradas no prontuário do paciente à necessidade do profissional enfermeiro nas instituições de saúde.

Daniel (1981), diz que a “Enfermagem Planejada” visa orientar o profissional quanto à elaboração de um Planeamento de Enfermagem, Portanto é preciso identificar os problemas e recomendar as ações específicas às necessidades prioritárias do ser humano.

O enfermeiro no desempenho de sua profissão vê-se na contingência de executar muitas atividades, dentre elas destacamos a participação em atividades burocráticas e educativas, a manipulação eficiente de múltiplos e complexos aparelhos, o que proporciona melhor atendimento de enfermagem, porém contribui para aumentar a distância
Entre o enfermeiro e o paciente.

A Sistematização da Assistência de Enfermagem propõe individualizar o atendimento de enfermagem, estabelecendo prioridades no atendimento através da avaliação dos cuidados, do intercambio com outros membros da equipe de saúde, dentro de uma sequência organizada que assegure beneficio ao paciente.

Utilizar a Sistematização da Assistência de Enfermagem requer o preparo do enfermeiro, o respeito ao código de ética, aos direitos humanos, à formulação de procedimentos e rotinas. Faz-se necessário ainda que o enfermeiro utilize os seus conhecimentos e habilidades profissionais para ser capaz de preparar um Plano de Cuidados de Enfermagem que traga benefícios ao paciente e que consequentemente diminua a distância entre o profissional e o paciente.

Para Waldow (1998), o Processo de Enfermagem é a única forma de atuação do profissional de Enfermagem que ocorre de maneira organizada e cientifica. As ações são dinâmicas, isto é, elas mudam, influem umas nas outras e estão constantemente inter-relacionadas, sendo que o Processo de Enfermagem é ferramenta e metodologia de enfermagem, que auxilia o enfermeiro em suas decisões e a predizer e avaliar consequências, funcionando como um guia, que dá direção à pratica.

Acredita que para Processo de Enfermagem ser efetiva e eficazmente viabilizado, é imprescindível uma integração docente assistencial, devendo os docentes de enfermagem e enfermeiros se reunirem e expor suas dificuldades, seus experiências, suas expectativas em relação à assistência. Entretanto ressalta que a forma como a integração docente assistencial tem sido viabilizada, onde o docente presta serviço para a instituição, torna difícil a neutralização, pois, ele passa a incorporar os problemas da instituição dificultando a sua observação e visualização de forma critica e imparcial.

Atkinson; Murray (1989), acreditam que o Processo de Enfermagem é uma tentativa de melhorar a qualidade da assistência ao paciente, devendo ser planejado para alcançar as necessidades especificas do paciente, sendo então redigido de forma que a todas as pessoas envolvidas no tratamento possam ter acesso ao plano de assistência. O Processo de Enfermagem, além de trazer benefícios ao paciente, apresenta inúmeras vantagens para a enfermeira, pois, o plano de assistência bem elaborado resulta em uma participação efetiva do paciente, que associado a uma avaliação eficaz pode determinar se as necessidades individuais foram ou não atingidas.

Silva; Takito; Barbiere (1990), descrevem que as atividades de enfermagem exigem do profissional prontidão de ação, adaptação, criatividade e inovação, devendo ser implementadas dentro de um sistema de valores, tecnologia e ciência que não só contribuam para a melhoria da qualidade de assistência prestada à comunidade como também para o crescimento e desenvolvimento da profissão.

Portanto, acreditam ser necessários a revisão de crenças e valores do grupo de enfermeiros acerca de seu papel, assim como, aprimoramento técnico-científico destes enfermeiros, para que a implementação do Processo de Enfermagem possa ser incorporado e compreendido pela equipe multiprofissional que interage com a equipe de enfermagem.

Segundo Campedelli (1992), a capacitação da enfermeira e demais elementos da equipe utilizam a SAE – Sistematização da Assistência de Enfermagem, é fundamental no processo de implantação e manutenção desta proposta na instituição.

A enfermagem, como profissão responde a determinados valores sociais, estando a capacidade do profissional de intervir na situação de assistência à saúde diretamente dependente do grau de conhecimento que tem dessa realidade, de acordo com sua competência técnico-científica.

O Processo de Enfermagem é com certeza o melhor caminho para o enfermeiro ser reconhecido e valorizado, é uma tentativa de melhorar a qualidade da assistência ao paciente, pois as ações são planejadas oferecem segurança e são sempre baseadas em princípios e no conhecimento das ciências biológicas e sociais, proporcionando o acesso ao plano de assistência de todas as pessoas envolvidas no tratamento, evitando, portanto omissões das atividades prestadas individualmente, o que representa benefício especial para o paciente e a satisfação pessoal do enfermeiro e da sua equipe no atendimento das necessidades especificas de cada individuo.

Para Cianciarullo (1997), o Processo de Enfermagem é um método de resolução de problemas formalmente constituídos de fases ou passos, que implicam num domínio cientifico e instrumental do cuidado pelas enfermeiras. Percebe-se que quanto menor o numero de fases, maiores as chances de sua incorporação à assistência de enfermagem institucionalizada e ao processo de documentação desta assistência ao sistema de referencia, utilizado pela instituição.

De acordo com a opinião destes autores é exigida do profissional enfermeiro a participação efetiva no plano de implementação do Processo de Enfermagem, onde as ações devem ser bem especificadas de forma a não permitir interpretações erradas, sempre a resposta do paciente de forma total, acreditam ainda, que com a realização de todas as etapas da Sistematização da Assistência de Enfermagem, o desempenho do enfermeiro torna-se mais seguro, possibilitando uma fundamentação teórico-científica mais especifica que dirija as intervenções e consequentemente melhore a assistência prestada ao individuo-familiacomunidade.




A Prescrição de Enfermagem representa a ação do enfermeiro para implementar as propostas de eliminar ou confirmar as situações diagnosticadas, é o roteiro que coordena a ação da equipe de enfermagem no atendimento das necessidades básicas do ser humano, deve ser concisa, clara, especifica e individual. A utilização de carimbos ou impressos já elaborados contribui para a generalização dos cuidados o que torna operacionalmente ineficaz no atendimento das necessidades de cada paciente.

A operacionalização do plano de cuidados sob a forma de prescrição de enfermagem permite compartilhar informações sobre necessidades importantes de saúde do paciente, os problemas e resultados identificados pelo enfermeiro e as intervenções planejadas.

Santos (1994) ressalta que a prescrição de enfermagem representa a ação do enfermeiro para implementar as propostas de eliminar e/ou confirmar as situações diagnosticadas, porem, questiona-se como implementar uma prescrição de enfermagem, quando existe a ausência dos registros de diagnostico de enfermagem nestas prescrições.

Para Lunardi Filho, Lunardi & Paulitsch (1997), a prescrição de enfermagem é um método de comunicação importante sobre o paciente, concebida para promover cuidados de qualidade, através da facilitação do cuidado individualizado e da comunidade desse mesmo cuidado, constituindo ainda um importante mecanismo para a avaliação da assistência prestada.

Sendo o planeamento da assistência uma das mais básicas administrativas, deve o enfermeiro estabelecer quais os objetivos atingir e os meios de como antigi-los, dispondo para isso, de seus conhecimentos técnico-científicos que vão auxilia-lo na caracterização da pratica profissional e consequentemente na definição de seu papel.

Neste sentido a comunicação torna-se indispensável, e a prescrição de enfermagem contém por escrito os cuidados de enfermagem ou outras atividades necessárias para a resolução dos problemas, constituindo um referencial para uma intervenção da enfermagem, onde a operacionalização dos cuidados de enfermagem podem ser avaliados e modificados com a finalidade de promover cuidados de qualidade.

De acordo com os autores acima citados, só é possível fazer uma prescrição de enfermagem diante de dados anteriormente coletados, analisandos e acima de tudo registrados no prontuário do paciente. Assim sendo, apresentamos uma síntese da proposta sugerida por Campedelli (1992) e Cianciarullo (1997), para elaboração da Prescrição de Enfermagem. Exclusivamente pelo Enfermeiro, em impresso próprio, tendo como subsidio a Evolução de Enfermagem, abrangendo essencialmente os cuidados de enfermagem, com uma duração máxima de 24 horas e a possibilidade de alteração sempre que necessário.

Não devem constar da prescrição de enfermagem considerados de rotina ou normatizados pela própria unidade, devendo deixar claro o grau de dependência do paciente, determinado em termos de fazer, ajudar, orientar, supervisionar ou encaminhar, em cada item.

Deve ser redigida na forma de um objetivo operacional, e o verbo deve iniciar a frase, sempre no infinitivo, sendo complementada quando houver alteração nas condições do paciente, precedida por uma evolução pertinente à alteração. Uma vez aplicada essas propostas, acreditamos possa ser assegurado ao cliente, uma assistência de enfermagem individualizada e coerente de acordo com as necessidades afetadas.

Especificamente falando sobre a Evolução de Enfermagem, ela deve relatar diariamente as mudanças sucessivas que ocorrem no ser humano, sua redação deve ser clara sucinta, uma síntese do plano de cuidados, permitindo que sejam feitas na lista de problemas e na prescrição de enfermagem, visando melhorar a qualidade da assistência de enfermagem. Representa o registro das mudanças apresentadas pelo paciente aos cuidados implementados, que exige do profissional capacidade de observação e habilidade em examinar o paciente, onde os novos problemas são readaptados ao novo plano assistencial, exercendo ainda um papel importante no controle sobre a qualidade e quantidade do atendimento.

Para Chaves, Serpa (1990) com base na Evolução de Enfermagem se realiza a avaliação dos resultados alcançados e, em parte, do próprio desempenho da equipe de enfermagem. Dela resultam reajustes, novos diagnósticos de dependência, novos prognósticos, novas prescrições de enfermagem, ou seja, o estudo avaliativo da implantação dos cuidados de enfermagem.

É importante e acima de tudo obrigatório, que o enfermeiro participe das ações de enfermagem que lhe foram confiadas, assim sendo, deve o enfermeiro assistir ao paciente de forma sistematizada, contínua e individualizada fazendo diariamente a entrevista e o exame físico dos pacientes sob sua responsabilidade retornando ao Histórico de Enfermagem – coleta de dados, sempre que necessário para verificar outros problemas, fazendo a Evolução de enfermagem de cada paciente mediante as informações obtidas anteriormente através dos registros das anotações de enfermagem.

O enfermeiro deve realizar o exame físico em busca de dados significativos, que forneçam subsídios necessários para prescrever condutas de enfermagem, pertinentes aos problemas específicos do paciente.

A Evolução de Enfermagem deve ser feita exclusivamente pelo Enfermeiro em impresso próprio, diariamente a todos os pacientes internados ou em observação, centrada nos diagnósticos de enfermagem atuais e potenciais, ou ainda em outros problemas que não caracterizam diagnósticos de enfermagem, possibilitando uma visão geral das condições do paciente, podendo ser complementada caso ocorra alguma alteração com o paciente que implique no acréscimo ou suspensão da prescrição de enfermagem do dia, deve anteceder a Prescrição de Enfermagem.

Na elaboração da primeira Evolução de Enfermagem, o enfermeiro resume sucintamente as condições gerais do paciente detectadas durante o preenchimento do Histórico de Enfermagem, sendo que, no caso de paciente graves com problemas especiais deverá haver uma Evolução de Enfermagem por plantão, a alta de enfermagem deverá ser registrada na Evolução de Enfermagem.

As revisões idealizadas por Horta, com o processo de enfermagem, deixam clara a importância da inter-relação das fases diante de uma assistência individualizada e completa em beneficio do paciente assistido pela equipe de enfermagem.





Diante da necessidade e observância dos dispositivos legais no exercício da profissão, é importante que as instituições assistenciais favoreçam o desenvolvimento e principalmente o envolvimento dos enfermeiros, para que as atividades de enfermagem ocorram visando sempre uma melhoria na qualidade de assistência à saúde do individuofamilia-comunidade.

Muito embora seja difícil empreender mudanças, a aplicação do Processo de Enfermagem nas suas fases de Prescrição e Evolução de Enfermagem deve ser encerada como uma atividade que facilite a atuação de enfermagem, pois, a enfermagem moderna aproxima-se de um estagio em que o conhecimento cientifico sofistica-se e amplia-se, faz-se necessário, portanto, a participação efetiva do enfermeiro com uma revisão de suas crenças e valores capaz de romper sólidas barreiras claramente cristalizadas.

A revisão de literatura serviu para observar que os enfermeiros não estão preparados para utilizar o Processo de Enfermagem em todas as suas etapas, pois não encontram apoio das instituições, os recursos humanos são insuficientes na maioria das vezes e na sua grande maioria, os enfermeiros tem pouco conhecimento ou dominam parcialmente a Sistematização da Assistência de Enfermagem em todas as suas fases. Poucos se interessaram em estudar a Prescrição e a Evolução de Enfermagem em maior profundidade, dando atenção especial ao Diagnóstico de Enfermagem, esquecendo-se que a maioria dos registros de enfermagem, confundem-se com a de outros profissionais pela falta de aplicação das outras fases do processo. Desse modo, fica evidente que para o atendimento das necessidades do nosso cliente ser eficaz, é importantíssimo a integração das fases do Processo de Enfermagem e que a enfermagem se posicione enquanto ciência.







ATKISON, L.D., MURRAY, M.E. Fundamentos de enfermagem – introdução ao processo de enfermagem. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan, 1989.

CAMPEDELLI, M.C. Processo de enfermagem na prática. São Paulo: Ática, 1992.

CHAVES, E.H.B., SERPA, M.L. Processo de enfermagem. Rev HCPA 1992; 10(2): 87-94.

CIANCIARULLO, T.I. Teoria em auditoria de cuidados. São Paulo: Ícone, 1997.

CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DE SÃO PAULO. Principais legislações para o exercício da enfermagem. São Paulo: COREN, 1996.

DANIEL, L.F. A enfermagem planejada. São Paulo: EPU; 1981.

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