terça-feira, 7 de junho de 2016

TRANSTORNOS PSIQUIÁTRICO EM PACIENTES PORTADORES DO HIV E SIDA - Trabalho de ENFERMAGEM

INSTITUTO SUPERIOR POLITÉCNICO DE INOCÊNCIO NANGA
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
LICENCIATURA EM ENFERMAGEM



                                            






ENFERMAGEM EM DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS




TRANSTORNOS PSIQUIÁTRICO EM PACIENTES PORTADORES DO HIV E SIDA





















LUANDA
2016
INSTITUTO SUPERIOR POLITÉCNICO DE INOCÊNCIO NANGA
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
LICENCIATURA EM ENFERMAGEM






ENFERMAGEM EM DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS



TRANSTORNOS PSIQUIÁTRICO EM PACIENTES PORTADORES DO HIV E SIDA




ENGRÁCIA LANDO CANDA XONA
LUÍSA RODRIGUES DE SOUSA





Trabalho apresentado ao Curso de Enfermagem na disciplina de Enfermagem em Doenças Transmissíveis como requisito parcial para obtenção de notas.


Orientadora: Guilhermina Guilherme













LUANDA
2016
SUMÁRIO





 




Desde seu reconhecimento, no início dos anos 80, a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) se disseminou pelo mundo tornando-se um dos maiores desafios de saúde pública das três últimas décadas.

Essa doença caracteriza-se por um transtorno da imunidade celular, resultando em uma maior susceptibilidade a infecções oportunistas e neoplasias. No presente trabalho pretendemos identificar os transtornos psiquiátricos e os comportamentos físicos, social emocional dos indivíduos portadores do vírus HIV e/ou AIDS.





O HIV-aids é uma doença que, sem dúvidas, marca profundamente a pessoa acometida, pois, afecta o seu bem-estar físico, mental e social e envolve sentimentos negativos como depressão, angústia e medo da morte, interferindo em sua identidade e auto-estima. O estigma que há em torno da doença torna-se um destruidor invencível e produz atitudes refractárias à busca do diagnóstico, retardando essa descoberta.

O surgimento da Acquired Immunological Deficiency Syndrome (AIDS) foi um fenómeno social e histórico, o qual trouxe diversas dúvidas, mobilizando sentimentos e preconceitos que influenciaram o imaginário social, nascendo assim concepções negativas acerca da doença que a estigmatizaram, o que pode afectar a qualidade de vida dos infectados pelo vírus HIV.

A revelação da seropositividade é um evento crucial tanto na vida do portador, quanto na vida família e dos amigos. A percepção negativa, a discriminação e a falta de conhecimento semeiam o sofrimento. O medo do abandono e de julgamento, a revelação da identidade social, a quebra no padrão de vida, a ‘culpabilização’ individual por ter se infectado, a impotência diante da nova realidade, o isolamento, a não-adesão ao tratamento, a revolta e o consumo exagerado de bebida alcoólica são alguns dos aspectos relacionados a uma doença estigmatizada, oriunda de concepções de uma sociedade preconceituosa.

A estigmatização social causa, entre vários aspectos, impactos na saúde física e mental dos portadores de HIV/AIDS, uma vez que o estresse tende a baixar a imunidade, tornando o indivíduo mais sujeito à infecção pelo vírus e ao aparecimento de doenças oportunistas.
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Portanto, percebe-se que a saúde colectiva desempenha um papel fundamental no cuidar desse cliente, desenvolvendo acções que objectivam a quebra do estigma social, orientando sobre a doença e o tratamento, explicando o aumento da sobrevida e oferecendo uma assistência de qualidade ao indivíduo como um todo, respeitando a sua singularidade numa dimensão biopsicossocial-cultural.

O HIV é o vírus da imunodeficiência humana, um retro vírus que causa no organismo disfunção imunológica crónica e progressiva devido ao declínio dos níveis de linfócitos TCD4+, ou seja, quanto mais baixo for este índice, o indivíduo tem maior chance de desenvolver a AIDS, que é considerada o avanço da infecção pelo vírus.
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A AIDS é considerada a pandemia da actualidade, e sua rápida disseminação levou pânico a uma série de problemas sociais e psicológicos graves, não somente para a população geral, como também para aqueles que se infectaram com o HIV. Desde o surgimento, na década de 1980, vêm-se observando os fenómenos de heterossexualização, feminização, interiorização e pauperização da epidemia. Tal fato demonstra que a infecção não está mais restrita ao que antes considerava-se grupo de risco, como homossexuais, usuários de drogas injectáveis (UDI), profissionais do sexo e hemofílicos.



A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que, no mundo, aproximadamente 33,2 milhões de pessoas estão infectadas pelo vírus HIV ou apresentam a doença e que em 2007 ocorreram 2,1 milhões de mortes e cerca de 2,5 milhões de novos casos. Ao nível nacional há uma estabilidade na prevalência do VIH em Angola com 1,98% em 2010 comparado com uma prevalência de 5,2% (IC 4,9- 5,4%) na África subsaariana. Estima-se que aproximadamente 593 mil pessoas vivam actualmente com HIV ou AIDS e, segundo parâmetros da OMS, a prevalência da infecção pelo HIV é de 0,61% entre a população de 15 a 49 anos, sendo 0,42% entre as mulheres e 0,80% entre os homens.


A AIDS tem se tornado objecto de interesse por parte de psiquiatras, psicólogos e outros profissionais de saúde mental essencialmente por duas razões: o tropismo do HIV pelo sistema nervoso central (SNC) e o impacto psicológico do diagnóstico e da evolução da infecção nos indivíduos afectados. Diante disso, desenvolveram-se duas grandes áreas de interesse. A primeira situa-se nos limites da psiquiatria e da neurologia e tem como foco de interesse as consequências clínicas da acção do HIV e de outras patologias associadas no cérebro. A segunda situa-se nos limites entre a psiquiatria, a psicologia e as ciências sociais e estuda as reacções psicológicas, as complicações psiquiátricas da infecção e as repercussões sociais.

Ao lado do sistema linfoide, o Sistema Nervoso Central (SNC) é um importante alvo para o HIV e o vírus tem sido frequentemente detectado no líquido cefalorraquidiano (LCR) e tecido cerebral desde o início da infecção e em toda a sua evolução, independentemente de apresentar sintomas neurológicos. O vírus infecta e replica-se em macrófagos, micróglia e células multinucleadas da glia, mas está, principalmente, livre e presente no líquido cefalorraquidiano.

As manifestações neurológicas acometem 40% a 70% dos pacientes portadores do HIV no curso da sua infecção.


Entre os transtornos psiquiátricos mais comummente observados em indivíduos HIV positivos, a depressão é o mais prevalente. A depressão maior em indivíduos infectados pelo HIV parece estar associada a factores como estigma da doença, efeitos directos do vírus e infecções oportunistas no sistema nervoso central (SNC), além do desencadeamento de episódio depressivo em populações vulneráveis como usuários de drogas injectáveis e homossexuais.

Os quadros de mania (em que a pessoa fica agitada, tem ideias de grandeza, fala rápido e de maneira excessiva, pode gastar muito dinheiro em compras desnecessárias) são mais comum que surja com as afecções do sistema nervoso central secundárias à infecção e à imunodeficiência, como a toxoplasmose, a sífilis e a tuberculose, além do uso de medicações como o AZT ou corticoides.

Os transtornos de ansiedade também são muito frequentes em indivíduos com HIV/AIDS. Ocorrem desde crises de pânico, fobias, TOC, estresse pós-traumático e ansiedade generalizada. Sem dúvida, os sintomas ansiosos também têm um forte componente ambiental, não apenas orgânico. Os pacientes infectados são discriminados, sentem medo do isolamento, do abandono e da morte, ou do definhamento, com a progressão da doença.

Os quadros psicóticos também podem ocorrer, associados a vários factores, como acção do vírus, manifestação do processo demencial provocado pelo vírus ou efeitos adversos das medicações.

Temos também o abuso e a dependência de substâncias, que pode já existir antes da infecção e ser um factor importante para a aquisição da doença.

É importante falar também sobre o suicídio. É frequente que o portador do HIV/AIDS tenha pensamentos de morte. Os maiores factores de risco para o suicídio são as tentativas prévias de cometê-lo, os quadros de depressão moderados a graves, história familiar de depressão, solidão e apoio social insatisfatório, experiências negativas associadas à infecção (como história de violência), história de homo ou bissexualismo e de uso de drogas.


A infecção pelo HIV/Aids é frequentemente associada a transtornos psiquiátricos. Dentre eles, a depressão é o mais comum. O diagnóstico e o tratamento dos transtornos depressivos são fundamentais para melhorar a qualidade de vida desses pacientes. Esta revisão tem como objectivo sintetizar e discutir os resultados mais importantes da literatura a respeito das particularidades do tratamento dos transtornos depressivos em indivíduos infectados pelo HIV.

São discutidos a epidemiologia, o quadro clínico, a influência da depressão na evolução da infecção, o tratamento farmacológico com antidepressivos, testosterona e psicoestimulantes e a interacção farmacológica entre os antidepressivos e benzodiazepínicos e as drogas antivirais. Conclui-se que o tratamento antidepressivo nessa população é eficaz, seguro e não promove imunossupressão nos indivíduos afectados.

A Aids tem se tornado objecto de interesse por parte de psiquiatras, psicólogos e outros profissionais de saúde mental essencialmente por duas razões: o tropismo do HIV pelo sistema nervoso central (SNC) e o impacto psicológico do diagnóstico e da evolução da infecção nos indivíduos afectados.

Diante disso, desenvolveram-se duas grandes áreas de interesse. A primeira situa-se nos limites da psiquiatria e da neurologia e tem como foco de interesse as consequências clínicas da acção do HIV e de outras patologias associadas como por exemplo: neurotoxoplasmose eneurocriptococose) no cérebro.

A segunda situa-se nos limites entre a psiquiatria, a psicologia e as ciências sociais e estuda as reacções psicológicas, as complicações psiquiátricas da infecção e as repercussões sociais.

Dentre os transtornos psiquiátricos mais comummente observados em indivíduos infectados pelo HIV, a depressão é a mais prevalente, merecendo investigação sistemática de sintomas depressivos nessa população. Essa investigação é fundamental, já que a depressão é uma patologia com alto índice de melhora quando tratada, inclusive em indivíduos infectados pelo HIV.

Essas diferenças e contradições, observadas nos resultados dos estudos acima descritos, revelam a dificuldade de generalização dos achados ao se estudar as alterações psicopatológicas em pacientes com comportamento de risco ou infectados pelo HIV. Além do estágio da infecção em que se encontra a casuística, a heterogeneidade dos indivíduos que apresentam comportamento de risco para a infecção pelo HIV têm sempre de ser levada em conta. O indivíduo infectado pelo HIV pode ser usuário de drogas injectáveis, homossexual ou bissexual masculino, homem ou mulher heterossexual que não utiliza preservativos em suas relações sexuais, mulher monogâmica infectada pelo seu parceiro, além de receptor de sangue ou hemoderivados. As prevalências de transtornos depressivos nessas populações são diferentes, independentemente dos indivíduos estarem infectados ou não.






Com este trabalho podemos concluir que os pacientes HIV positivos (assim como muitos com doenças crónicas) tem maior probabilidade de sofrerem com distúrbios psiquiátricos, pois se sentem excluídos e discriminados pela sociedade.

Além disso existe o fato do vírus do HIV atingir directamente o sistema nervoso central, lesando o mesmo, causando também, sintomas psiquiátricos.

Ou seja, a fonte dos sintomas pode ter tanto origem psicológica, bem como relacionadas com a neurotransmissão e fisiológica, e ambas devem ser tratadas adequadamente e separadamente.









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Relatório Nacional da Vigilância Epidemiológica de VIH e Sífilis, Angola 2009



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