sexta-feira, 20 de abril de 2018

MECANISMOS DE DEFESA CONTRA OS AGENTES INFECCIOSOS - TRABALHO COMPLETO


INSTITUTO MÉDIO PRIVADO DE SAÚDE – DAPAJAK





MICROPARASITOLOGIA





MECANISMOS DE DEFESA CONTRA OS AGENTES INFECCIOSOS




INTEGRANTES DO GRUPO 01:

1.    Elma Sumbo
2.    Josefa Luís
3.    Judith Eduardo
4.    Lucinda Alberto
5.    Luísa dos Santos
6.    Maria dos Santos
7.    Mateus Lucas
8.    Tamásia Tchuca
9.    Teresa Fernando
10. Zeferina Chitula

Curso: Farmácia
Classe: 11ª
Período: Manhã
Sala: 05
Turma: E



O Docente

____________________
Álvaro Vicente




LUANDA
2018
SUMÁRIO






No presente estudo será abordado os mecanismos de Defesas Contra Agentes Infecciosos. Entretanto, o conhecimento dos principais mecanismos de defesa imune contra os diversos agentes infecciosos permite a compreensão da patogênese das doenças Infectoparasitárias e das várias estratégias do hospedeiro e do parasita. O sistema imunológico actua numa rede de cooperação, envolvendo a participação de muitos componentes estruturais, moleculares e celulares. Nesse cenário encontra-se o delicado equilíbrio entre a saúde e a doença, em que tanto a deficiência quanto o exagero resultam em dano tecidual. Este trabalho explora esses aspectos e algumas abordagens terapêuticas que surgem desse entendimento.

A resposta imune tem papel fundamental na defesa contra agentes infecciosos e se constitui no principal impedimento para a ocorrência de infecções disseminadas, habitualmente associadas com alto índice de mortalidade. É também conhecido o fato de que, para a quase-totalidade das doenças infecciosas, o número de indivíduos expostos à infecção é bem superior ao dos que apresentam doença, indicando que a maioria das pessoas tem condições de destruir esses microorganismos e impedir a progressão da infecção. Em contraste, as deficiências imunológicas, sejam da imunidade inata (disfunções de células fagocíticas e deficiência de complemento) ou da imunidade adaptativa (deficiência de produção de anticorpos ou deficiência da função de células T), são fortemente associadas com aumento de susceptibilidade a infecções.





O desenvolvimento de uma doença infecciosa em um indivíduo envolve interacções complexas entre os patógenos e o hospedeiro. Os eventos fundamentais durante a infecção incluem a entrada do agente infeccioso, invasão e colonização dos tecidos. Os patógenos requerem respostas imunológicas diferentes e especializadas, dependendo do local onde eles se replicam (meio extracelular/intracelular) e do seu tamanho (microrganismo/parasito). Para isso, os sistemas imunes inato e adaptativo irão cooperar entre si para que o agente infeccioso seja eficientemente eliminado.

A primeira linha de defesa do nosso organismo contra agentes infecciosos é composta pelas barreiras epiteliais. Além dessas barreiras, o organismo possui outros mecanismos que dificultam a entrada do agente infeccioso e sua proliferação no interior dos tecidos, como por exemplo, a produção de diversos agentes antimicrobianos, fluxo de fluído através do epitélio, pH estomacal ácido e presença de microbiota comensal.



Os agentes infecciosos extracelulares podem se replicar na circulação, no lúmen das vias respiratória e intestinal, bem como na superfície de epitélios. Desta forma, o principal mecanismo da imunidade inata utilizada para eliminar esse tipo de patógeno é a fagocitose. As principais células fagocitárias são os macrófagos, neutrófilos e células dendríticas. Estas células reconhecem os padrões moleculares associados a patógenos (PAMPs - pathogen-associated molecular patterns) através de seus receptores de reconhecimento padrão (PRRs - patterns recognition receptors). Após o reconhecimento, os patógenos são internalizados formando o fagossomo, que por sua vez funde-se ao lisossomo originando o fagolisossomo. A acção de enzimas e reactivos intermediários de oxigénio e nitrogénio presentes nesta vesícula culmina na eliminação do agente infeccioso. Apesar desses fagócitos possuírem mecanismos microbicidas de forma constitutiva, estes podem ser aumentados após activação. Esta activação ocorre através da exposição dos fagócitos a produtos microbianos ou através de citocinas derivadas de linfócitos T (p.ex IFN-γ).

A doença granulomatosa crónica é uma doença hereditária, caracterizada por uma incapacidade dos fagócitos em produzir peróxido de hidrogênio e outros oxidantes necessários para eliminar certos agentes infecciosos. Como resultado deste defeito, os pacientes tornam-se mais susceptíveis a infecções causadas por certas bactérias (Serratia marcescens, Staphylococcus, Klebsiella pneumoniae, Nocardia) e fungos (Aspergillus). Esta doença está também associada a uma acumulação excessiva de granulomas nos locais de infecção ou de inflamação.

Com relação à imunidade inata contra os helmintos, a fagocitose por macrófagos ou neutrófilos é impossibilitada pelo tamanho do parasita, sendo necessária outra estratégia do sistema imune inato na tentativa de eliminar o patógeno. Para tanto, os fagócitos liberam o conteúdo de seus grânulos para o exterior (exocitose). No entanto, este é um mecanismo ineficiente, uma vez que diversos helmintos possuem tegumento muito duro e resistente aos componentes dos grânulos.

O sistema complemento pode actuar como mecanismo da imunidade inata na resposta contra bactérias extracelulares. Este sistema pode ser activado através da via alternativa por bactérias Gram+ e Gram-, e aquelas bactérias que possuem manose na parede celular realizarão esta activação através da via das lectinas, desencadeando alguns mecanismos efetores do sistema complemento: fagocitose, lise celular e amplificação do processo inflamatório.

No caso de infecções virais, o interferon tipo I é produzido pelas células infectadas e liga-se a seus receptores presentes nas células não infectadas, promovendo a síntese de proteínas antivirais, que actuam na inibição da síntese protéica viral e degradação do mRNA, resultando na eliminação do vírus.


Com relação às respostas imunes adaptativas, a imunidade humoral é o principal mecanismo para eliminação de patógenos extracelulares, bem como para neutralização de toxinas. Os agentes infecciosos activam linfócitos B e desta forma há a produção de anticorpos específicos que poderão exercer as seguintes funções: (1) neutralização do agente infeccioso (p.ex. vírus, no seu estágio extracelular)/toxina; (2) opsonização do patógeno e fagocitose; (3) activação da via clássica do complemento (opsonização, fagocitose, lise celular e amplificação da inflamação).

A resposta imune humoral pode resultar em reacções cruzadas contra proteínas próprias do hospedeiro, como por exemplo, a febre reumática. Nesta doença, anticorpos são produzidos contra a proteína M de Streptococcus beta hemolíticos e acabam reagindo de forma cruzada com proteínas do coração, levando a uma inflamação cardíaca (cardite). Outro efeito deletério da resposta imune humoral é a formação de imunocomplexos, os quais podem ser depositados nos glomérulos, vasos e articulações resultando em glomerulonefrite, vasculite e artrite.

A agamaglobulinemia ligada ao cromossomo X é uma doença decorrente de uma falha nos precursores dos linfócitos B, que não permite que se transformem em linfócitos B e por fim em plasmócitos. Os pacientes tendem a desenvolver muitas infecções devido à falta de anticorpos. As bactérias que causam infecções recorrentes são: pneumococos, estreptococos, estafilococos e Haemophilus influenzae. As infecções gastrointestinais podem também ser um problema, em especial quando provocadas pelo parasita Giardia lamblia.

Os anticorpos também actuam na eliminação de helmintos através de um mecanismo denominado citotoxicidade celular mediada por anticorpos (ADCC- antibody-dependent cell-mediated cytotoxicity). A estimulação crónica pelo helminto activa as células TH2 que auxiliam a célula B na produção de anticorpos do isotipo IgE, IgG e IgA. Estes anticorpos são capazes de se ligar aos helmintos e suas porções Fc são reconhecidas pelos mastócitos (IgE) e eosinófilos (IgG e IgA), promovendo a activação dessas células e consequente liberação do conteúdo de seus grânulos.

 Imunidade contra agentes infecciosos extracelulares. O principal mecanismo da imunidade inata contra os patógenos extracelulares é a fagocitose. No entanto, organismos como os helmintos são muito grandes para serem fagocitados, sendo a exocitose (liberação do conteúdo dos grânulos para o exterior) realizada pelos fagócitos. A via alternativa do sistema complemento pode ser activada, levando a opsonização, fagocitose, lise celular do patógeno e amplificação da inflamação. O interferon do tipo I é produzido por células infectadas e impedem a infecção de outras células via produção de proteínas antivirais. A imunidade humoral é a resposta imune adaptativa predominante contra patógenos extracelulares. Os anticorpos produzidos podem neutralizar o agente/toxina, promover opsonização, fagocitose, activação complemento e actuar na citotoxicidade celular mediada por anticorpos (ADCC).



Algumas bactérias possuem a capacidade de resistir a fagocitose e de se replicar no interior dos fagócitos, estimulando a produção de IL-12. Esta citocina activa as células NK que passam a produzir IFN-γ com a finalidade de aumentar a produção de substâncias microbicidas no interior dos fagócitos. As células NK também são capazes de identificar células infectadas por vírus (diminuição expressão de moléculas MHC-I) e promover a destruição destas através da liberação de perforina e granzima que culmina na apoptose da célula alvo e eliminação do agente infeccioso.

Existem pacientes com ausência ou deficiência na actividade de células NK. Nesses indivíduos são observadas infecções virais recorrentes por Varicella Zoster Virus, Herpes Simplex Virus, Epstein Barr Virus, Cytomegalovirus e Papilloma Virus, uma vez que a resposta de células NK contra células infectadas é de extrema importância no combate aos vírus.


Diversos patógenos são capazes de se replicar no interior dos fagócitos (p.ex. Mycobacterium tuberculosis, Legionella pneumophila, Toxoplasma gondii, Leishmania) e podem ser destruídos mediante participação das células T CD4+. Os agentes infecciosos presentes dentro de vesículas no citoplasma da célula podem entrar na via de processamento e apresentação de antígeno via molécula de MHC de classe II. As células T CD4 que reconhecem este complexo são activadas e produzem IFN-γ que irá aumentar a actividade microbicida no interior dos fagócitos.

Tendo em vista que alguns agentes infecciosos são capazes de permanecer vivos no interior dos fagócitos, muitas vezes pode haver a formação de granulomas. Esta estrutura é formada predominantemente por macrófagos e linfócitos T, e tem a finalidade de evitar a disseminação do patógeno, mas que muitas vezes pode culminar em um processo inflamatório intenso levando a fibrose tecidual.

Já os patógenos que têm a capacidade de se replicar no citoplasma da célula infectada (vírus), ou mesmo os agentes infecciosos que escapam dos fagossomos ou impedem a formação do fagolisossomos (p.ex Listeria monocytogene, Trypanosoma cruzi) podem ser eliminados pelas células T citotóxicas (T CD8). Estes patógenos podem entrar na via de processamento e apresentação de antígenos via molécula de MHC-I e activar os linfócitos T CD8, que irão produzir granzima e perforina que destruirão as células alvo infectadas.

Imunidade contra agentes infecciosos intracelulares. Algumas bactérias são resistentes à degradação no interior dos fagócitos e ativam essas células, que passam a produzir IL-12. Esta citocina ativa células NK, as quais aumentam a capacidade microbicida dos fagócitos através da produção de IFN-γ. As células infectadas por vírus também ativam células NK (diminuição expressão MHC-I) que as destroem via perforina e granzima. Patógenos presentes em vesículas no interior das células são processados, apresentados via MHC-II e ativam células T CD4 produtoras de IFN-γ. Por outro lado, agentes infecciosos que se replicam no citoplasma, são processados e apresentados via MHC-I as células T CD8 produtoras de granzima e perforina.


Os agentes infecciosos desenvolveram diversos mecanismos para evadir a resposta imune do hospedeiro. A variação antigênica é uma estratégia adoptada tanto por bactérias, quanto por vírus e parasitos, e é caracterizada por mutações genéticas que podem modificar os epítopos que eram anteriormente reconhecidos por anticorpos ou outros componentes do sistema imune dificultando, desta forma, a eliminação do agente infeccioso.


Podemos assim concluir que embora o nosso organismo seja constantemente exposto a agentes infecciosos, a doença infecciosa é relativamente rara. A resposta imune adequada é, de certo modo, garantia de integridade e resistência do organismo a infecções. É realizada pelo sistema imunológico, representado didacticamente pelos mecanismos específicos e não específicos que actuam de modo sincronizado e defendem o indivíduo contra infecções, além de promoverem vigilância contra tumores e a rejeição de enxertos não compatíveis.

Como vimos, vários factores podem interferir na resposta imune, tornando-a menos eficaz: idade, ambiente, factores genéticos, anatómicos, fisiológicos, metabólicos e microbianos. Fazem parte dos mecanismos imunes não específicos ou imunidade inata o sistema complemento e o sistema fagócito. Estes dois sistemas desenvolvem-se independentemente da presença de infecções e não são providos de especificidade para um determinado microrganismo. A defesa inespecífica é a primeira a ser activada através dos fagócitos e permite excluir o agente agressor sem que haja dano tecidual na maioria das vezes. Por outro lado, os sistemas imunológicos específicos, ou imunidade adaptativa, são compostos pelos linfócitos B, produtores de anticorpos, e pelos linfócitos T. A interacção adequada destes diferentes mecanismos de defesa leva à prevenção ou eliminação das infecções.



Abul K. Abbas, Andrew H. Lichtman. Imunologia Celular e Molecular. Sexta Edição. Rio de Janeiro. Elsevier.2008

Charles A. Janeway, Jr., Paul Travers, Mark Walport, Mark J. Imunobiologia. Sexta Edição. 2006.

Goulart IMB, Penna GO, Cunha G. Imunopatologia da hanseníase: a complexidade dos mecanismos da resposta imune do hospedeiro ao Mycobacterium leprae. Rev Bras Med Trop. 2002, 35:365-75.





AS EMOÇÕES - TRABALHO COMPLETO





As emoções tem sido um tema de muitas pesquisas ao longo dos últimos anos, e o seu estudo vem se tornando importante devido à necessidade cada vez maior de compreender e controlar as actuais patologias associadas ao aspecto emocional. Por ser um tema presente e marcante na vida humana, esse assunto sofreu um grande avanço nos últimos anos e seu estudo constitui um domínio particularmente interessante nas áreas Sociais e Humanas.

A psicologia diz que o ser humano traz ao nascer algumas emoções básicas como o medo, a tristeza, a raiva e a alegria. Todas elas têm uma função importante em nossas vidas, principalmente no que diz respeito à sobrevivência da espécie. O estudo das emoções tem sido um assunto apaixonante e envolvente, apresenta diversas reflexões, que apontam a emoção numa interacção relacional humana, ou seja, das emoções como processo adaptativo da pessoa ao ambiente, bem como um processo adaptativo do homem aos contextos dinâmicos sociais.

As emoções foram ignoradas por muito tempo até mesmo por filósofos e pesquisadores das ciências em detrimento da razão ou do pensamento lógico. Elas eram consideradas processos menos importantes, primitivos e até mesmo indicadores patológicos.

O presente trabalho tem por objectivo uma breve revisão sobre o estudo das Emoções, a fim de fornecer contributos para um referencial teórico, localizando reflexões sobre as temáticas das emoções, bem como uma revisão de conceitos das mesmas e uma sucinta análise das principais teorias da Emoção.


De um problema genuinamente filosófico, as relações entre corpo e mente e entre razão e emoção passaram a ser também investigadas no âmbito teórico de outros saberes, como a psicologia, a psicanálise e a biologia, a partir da segunda metade do século XIX e princípios do século XX. O que marca esse período é o interesse científico voltado para os processos cognitivos, os quais incluem as actividades mentais relacionadas à aquisição de conhecimento e conectadas ao raciocínio e à memória. Esse anseio elucidativo explica-se pela maior comensurabilidade da cognição, levando ao desenvolvimento da chamada “revolução cognitiva”. A partir de então, realizaram-se inúmeras investigações, as quais culminaram na proposição dos mecanismos envolvidos na percepção, atenção e memória. Ademais, os poucos autores que se voltavam às emoções, concebiam-nas de modo “segmentado”, tratando os “circuitos emocionais” como eventos à parte e independentes das demais actividades neurais.

Mais recentemente – a partir do desenvolvimento de novas técnicas especializadas de pesquisa em neurofisiologia e em neuroimagem –, vem-se ampliando o interesse pelo estudo das bases neurais dos processos envolvidos nas emoções, a partir da caracterização e das investigações sobre o sistema límbico (SL). Sabe-se, com base em diferentes resultados, que há uma profunda integração entre os processos emocionais, os cognitivos e os homeostáticos, de modo que sua identificação será de grande valia para a melhor compreensão das respostas fisiológicas do organismo ante as mais variadas situações enfrentadas pelo indivíduo.

Assim, reconhece-se que as áreas cerebrais envolvidas no controle motivacional, na cognição e na memória fazem conexões com diversos circuitos nervosos, os quais, através de seus neurotransmissores, promovem respostas fisiológicas que relacionam o organismo ao meio (sistema nervoso somático) e também à inervação de estruturas viscerais (sistema nervoso visceral ou da vida vegetativa), importantes à manutenção da constância do meio interno (homeostasia).[1]

Apesar desses avanços, muito se tem discutido sobre a possibilidade de se tratar, cientificamente, as questões relativas à emoção. Com o desenvolvimento das neurociências, postula-se que, como a percepção e a acção, a emoção é relacionada a circuitos cerebrais distintos.

Ademais, as emoções estão geralmente acompanhadas por respostas autonómicas, endócrinas e motoras esqueléticas – que dependem de áreas subcorticais do sistema nervoso –, as quais preparam o corpo para a acção. Com efeito, acredita-se que a ciência será capaz de explicar os aspectos biológicos relacionados à emoção, mas não o que é a emoção: esta permanece como uma questão prevalentemente filosófica.
Emoção Conceito

Pinto defende:

A emoção é uma experiência subjectiva que envolve a pessoa toda, a mente e o corpo. É uma reacção complexa desencadeada por um estímulo ou pensamento e envolve reacções orgânicas e sensações pessoais. É uma resposta que envolve diferentes componentes, nomeadamente uma reacção observável, uma excitação fisiológica, uma interpretação cognitiva e uma experiência subjectiva (2001).

Por seu lado, Goleman disse:

Quanto a mim, interpreto emoção como referindo-se a um sentimento e aos raciocínios aí derivados, estados psicológicos e biológicos, e o leque de propensões para a acção. Há centenas de emoções, incluindo respectivas combinações, variações, mutações e tonalidades (1997).

Uma definição de emoção, numa simplificação do processo neurobiológico, conforme Damásio diz que consiste numa variação psíquica e física, desencadeada por um estímulo, subjectivamente experimentada e automática e que coloca num estado de resposta ao estímulo, ou seja, as emoções são um meio natural de avaliar o ambiente que nos rodeia e de reagir de forma adaptativa (2000).


Emoção, numa definição mais geral, é um impulso neural que move um organismo para a acção. Neurologia é uma especialidade médica que estuda o sistema nervoso. Foi inicialmente observando indivíduos com patologias neurológicas e posteriormente é através de experimentação científica que se começa a compreender a relação entre as diversas partes do sistema nervoso e as suas funções específicas.

A emoção diferencia-se do sentimento, sentimentos são informações que seres biológicos são capazes de sentir nas situações que vivenciam, porque, conforme observado, é um estado psico-fisiológico. O sentimento, por outro lado, é a emoção filtrada através dos centros cognitivos do cérebro, especificamente o lobo frontal, produzindo uma mudança fisiológica em acréscimo à mudança psico-fisiológica. Podemos dizer que o sentimento é uma consequência da emoção com características mais duráveis.

Existem algumas relações entre sentimentos e emoções, as emoções são públicas, os sentimentos privados, a emoção é inconsciente e o sentimento, pelo contrário, consciente.
Na classificação das emoções, António Damásio as divide em primárias e secundárias. As primárias são inatas, universais, evolutivas, partilhadas por todos e associadas a processos neurobiológicos específicos. Já as secundárias são sociais e resultam de aprendizagem, tal como a vergonha.


Para Ballone as emoções primárias são inatas e estão ligadas à vida instintiva, à sobrevivência. Haverá concomitante contracção generalizada dos músculos flexores, sendo possível adoptar-se uma atitude regressiva fetal, vasoconstricção periférica, palidez da face e esfriamento das extremidades, com brevíssima parada dos movimentos respiratórios e dos batimentos cardíacos (2005).

 De acordo com Abreu, as emoções primárias podem ser adaptativas ou desadaptativas. Emoções Primárias Adaptativas são: raiva, tristeza e medo. Tais emoções possuem uma relação com a sobrevivência e ao bem-estar psicológico. São aquelas rápidas quando aparecem e mais velozes ainda quando partem. As Emoções Primárias Desadaptativas, são as emoções das quais as pessoas lamentam tê-las expressado de maneira tão intensa ou equivocada e frequentemente se arrependem (2005).


A Alegria é uma das emoções que engloba o amor, paixão, amizade, bom humor, felicidade. É a emoção mais “procurada” pelo humano. A emoção que ajuda a ultrapassar dificuldades, ódio, rancor, ciúme, e muitos outros sentimentos negativos.

A alegria não se manifesta apenas num sorriso. Por exemplo, as crianças quando estão alegres adoptam um jeito de andar diferente, pulam e saltam, não precisam mostrar um sorriso para mostrarem a sua felicidade.

Por vezes as pessoas quando muito felizes choram. Porquê? Choram porque se sentem extasiadas de tanta felicidade, por exemplo a alegria do reencontro, ou mesmo da vitória num jogo de futebol.

Uma das coisas mais importantes para aceitar ou procurar a felicidade é a personalidade. Tomemos como exemplo uma pessoa extrovertida. Se assim é tem uma sensibilidade maior perante acontecimentos agradáveis e exprime a sua felicidade mais facilmente do que uma pessoa que não seja tão aberta a este nível.

A indução de alegria – resposta à identificação de expressões faciais de felicidade, à visualização de imagens agradáveis e/ou à indução de recordações de felicidade, prazer sexual e estimulação competitiva bem-sucedida – provocou a activação dos gânglios basais, incluindo o estriado ventral e o putâmen.

Além disso, vale relembrar que os gânglios basais recebem uma rica inervação de neurónios dopaminérgicos do sistema mesolímbico – intimamente relacionados à geração do prazer – e do sistema dopaminérgico do núcleo estriado ventral.

Descrições neuroanatômicas de lesões das vias cérebro-pontocerebelares em indivíduos com riso e choro patológicos sugerem que o cerebelo seja uma estrutura envolvida na associação entre a execução do riso e do choro e o contexto cognitivo e situacional em questão; de fato, quando tal estrutura está lesionada há transição incompleta das informações, provocando um comportamento inadequado ao seu contexto.


O Medo é conhecido como a emoção mais estudada entre os cientistas. É a emoção do perigo. Esta emoção causa um forte impacto fisiológico, o coração começa a bater mais forte, a respiração acelera, os músculos contraem, as mãos tremem.

Todas estas sensações derivam do sistema nervoso simpático, adrenalina e noradrenalina que agem sobre o nosso corpo quando temos medo.

Estas sensações vão obrigar-nos a enfrentar o perigo ou a fugir dele. O corpo é preparado para uma acção física, fuga ou luta.

Por vezes a expressão do medo pode ser confundida com surpresa, ou seja quando o indivíduo se assusta também se surpreende. O medo pode ser confundido com ansiedade mas as diferenças são muitas. O medo é uma reacção ao perigo que acontece naquele momento, a ansiedade é o “medo” sentido por antecipar perigos que podem ou não ocorrer. Na emoção medo, este sentimento de medo passa em breves instantes e a ansiedade pode tornar-se crónica. Na ansiedade, enquanto as manifestações são psicológicas (preocupação), no medo são físicas (arrepios).

As relações entre a amígdala e o hipotálamo estão intimamente ligadas às sensações de medo e raiva. A amígdala é responsável pela detecção, geração e manutenção das emoções relacionadas ao medo, bem como pelo reconhecimento de expressões faciais de medo e coordenação de respostas apropriadas à ameaça e ao perigo.

A lesão da amígdala em humanos produz redução da emocionalidade e da capacidade de reconhecer o medo. Por outro lado, a estimulação da amígdala pode levar a um estado de vigilância ou atenção aumentada, ansiedade e medo.

A lesão da amígdala em humanos produz redução da emocionalidade e da capacidade de reconhecer o medo. Por outro lado, a estimulação da amígdala pode levar a um estado de vigilância ou atenção aumentada, ansiedade e medo.

Actualmente se reconhece que projecções da amígdala para o córtex contribuem para o reconhecimento do vivenciamento do medo e outros aspectos cognitivos do processo emocional.


A raiva é uma emoção humana completamente normal, saudável, e uma determinada quantidade dela é necessária a nossa sobrevivência. A raiva surge quando nos sentimos fracos e frustrados ao termos de reconhecer nossos limites internos e externos. Inspira os sentimentos e os comportamentos poderosos e agressivos, que permitem ao ser humano lutar e defender-se quando é atacado.

A raiva pode ser causada por factores externos e internos, e como outras emoções, ao sentirmos esta emoção, o batimento cardíaco e a pressão sanguínea aumentam, além dos níveis das hormonas adrenalina e noradrenalina. Apesar de a raiva se expressar mediante a força da agressividade, ela, pelo contrário, enfraquece-nos tomando conta de todo o nosso sistema nervoso.

Para desfazer a raiva, é preciso saber atravessá-la. O segredo está em observar o incómodo que ela produz em nós, sem nos deixarmos contagiar pela negatividade da autocrítica. Como um cientista que é capaz de analisar uma essência venenosa sem se deixar contaminar por ela.

Uma das primeiras estruturas associadas à raiva foi o hipotálamo, em decorrência de estudos realizados na década de 1920, nos quais se descreveram manifestações de raiva em situações não condizentes, após a remoção total do telencéfalo. Entretanto, esse mesmo comportamento não era observado quando a lesão se estendia até a metade posterior do hipotálamo, levando à conclusão de que o hipotálamo posterior estaria envolvido com a expressão de raiva e agressividade, enquanto o telencéfalo mediaria efeitos inibitórios sobre esse comportamento.


São estados afectivos de estrutura e conteúdos mais complexos que as primárias. Na realidade as Emoções Secundárias, embora levem o nome de "emoções", já se constituem em Sentimentos Sensoriais.

Abreu afirma que:

As emoções secundárias são aquelas que, ao atingirem a amígdala e produzirem uma emoção, sofrem a influência e o possível domínio do córtex cerebral, mudando sua natureza primária. Neste sentido, estas emoções tornam-se respostas ou evitações (intelectualizadas) às emoções primárias (2005).



Diz ainda Abreu:
As emoções secundárias tornam-se então uma categoria de emoções usadas pelo indivíduo para se proteger das primárias que muitas vezes são vergonhosas, ameaçadoras, embaraçosas ou dolorosas por natureza. Por exemplo: uma pessoa pode estar se sentindo deprimida, mas sua depressão pode estar encobrindo um sentimento primário de raiva. Aparecem frequentemente quando ocorrem as tentativas (fracassadas) de controlo ou julgamento das emoções primárias – ou seja, quando se procura evitar ou negar aquilo que se está sentido, acaba-se por sentir-se mais mal ainda. É assim que se tornam desadaptativas, pois levam o indivíduo a se autodesorganizar (2005).


Para Damásio a emoção tem duas funções biológicas: A primeira produz uma reacção específica para a situação indutora e a segunda função é de Homeostase, regulando o estado interno do organismo, visando essa reacção específica. Ou seja, as emoções são a forma que a natureza encontrou para proporcionar aos organismos comportamentos rápidos e eficazes orientados para a sua sobrevivência.

De acordo com Newen, as emoções cumprem funções de grande importância. Podemos citar quatro delas: Prepara-nos e motiva-nos para acções; possibilita avaliarmos os estímulos do ambiente de maneira extremamente rápida, ajuda  no controle das relações sociais; são formas de expressão típicas que indicam aos outros as próprias intenções (quando alguém sorri para nós, automaticamente supomos que tem uma postura amigável) (2009).

Segundo Ballone, essas emoções são capazes de mobilizar o Sistema Nervoso Autónomo, órgãos e sistemas. Conclui-se que, as emoções influenciam a saúde não apenas em decorrência da psico-neuro-fisiologia, mas também através de suas propriedades motivacionais, através de condutas saudáveis, tais como os exercícios físicos, a dieta equilibrada, etc (2007).


A emoção tem sido objecto de várias teorias formuladas desde a antiguidade, cada teoria é defendida por grupos de cientistas, que possuem grandes variações entre elas. De qualquer forma, conhecer algumas destas teorias é importante para nos ajudar a ter uma idéia geral das emoções. As emoções constituem um aspecto muito complexo do ser humano e são objectos de várias interpretações que se organizam em várias perspectivas.

Algumas formulações tiveram início do século passado, e é interessante observarmos que a maioria delas tinha um carácter fisiológico, e também de forma evidente, nenhuma delas foi capaz de abordar todos os aspectos das emoções.




Depois de pesquisa feita, chegamos à conclusão unânime que o estudo das emoções é muito importante com relação a nossa sobrevivência enquanto seres Humanos. Se não mantivermos nossas emoções bem estruturadas, nossas chances de sobrevivência ficam bem reduzidas. Somos seres com uma biologia elaborada e de emoções bem refinadas como altruísmo, solidariedade, compaixão. Mas é imprescindível que essas actividades emocionais sejam harmonizadas e equilibradas com o uso da racionalidade e do pensamento analítico e investigaria. Cultivando a tolerância e respeitando as diferenças individuais, a fim de termos um convívio pacífico, teremos todas as chances possíveis para sobreviver em épocas tão difíceis (como é o caso da crise financeira que o nosso país enfrenta) quanto as que nos aguardam no futuro.


ABREU, Cristiano Nabuco de e-FILHO, Raphael Cangelli. A abordagem cognitivo-construtivista de psicoterapia no tratamento da anorexia nervosa e bulimia nervosa. Rev. bras.ter. cogn. [online]. 2005, vol.1, n.1, pp. 45-58. ISSN 1808-5687.

BALLONE, G. J. Representação da Realidade in. PsiqWeb, 2005. Disponível em http://virtualpsy.locaweb.com.br/index.php?sec=47&art=258. Acesso em 19 de maio de 2017.

BALLONE, G. J. Da Emoção à Lesão - in. PsiqWeb, 2007. Disponível em: http://www.psiqweb.med.br/site/?area=NO/LerNoticia&idNoticia=25. Acesso maio de 2017.

Bear MF, Connors BW, Paradiso MA. Neurociências: desvendando o sistema nervoso. 2a ed. Porto Alegre: Artmed; 2002.

DAMÁSIO, António, (2000). O Erro de Descartes – Emoção, Razão e Cérebro Humano. 21ª ed.,Lisboa, Publicações Europa América.

Gazzaniga MS, Ivry RB, Mangun GR. Neurociência cogntiva: a biologia da mente. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed; 2006.

Kandel ER. Fundamentos de neurociência e do comportamento. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2000.

NEWEN, Albert e ZINCK, Alexandra. O jogo das emoções. Mentes & Cérebro. n. 195, p.38-45, abr. 2009.

PINTO, Amâncio da Costa, (2001). Psicologia Geral. n.a., Lisboa, Universidade Aberta. Disponível em: http://repositorioaberto.univ-ab.pt/bitstream/10400.2/1529/1/Diserta %C3%A7%C3%A3o%20Maria%20Jo%C3%A3o%20Rosa%20Silva.pdf. Acesso em 19 de maio de 2017.



[1] Lanotte M, Lopiano L, Torre E, Bergamasco B, Colloca L, Benedetti F. Expectation enhances autonomic responses to stimulation of the human subthalamic limbic region. Brain Behav Immun. 19(6):500-9, 2005.