quarta-feira, 27 de abril de 2016

HOMEOPATIA - Elaborado por Vieira Miguel Manuel

INSTITUTO SUPERIOR POLITÉCNICO INOCÊNCIO NANGA (ISPIN)
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
LICENCIATURA EM ENFERMAGEM


                                            




TERAPÊUTICA I





HOMEOPATIA























LUANDA
2016
INSTITUTO SUPERIOR POLITÉCNICO INOCÊNCIO NANGA (ISPIN)
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
LICENCIATURA EM ENFERMAGEM







TERAPÊUTICA I





HOMEOPATIA






MAGDA ADELAIDE DOMINGOS





Trabalho apresentado ao Curso de Enfermagem na disciplina de Terapêutica I como requisito parcial para obtenção de notas.

Orientador: Evaristo Baptista
 
 
















LUANDA
2016
SUMÁRIO






 




A ideia de curar assenta em dois princípios diferentes, enquanto um dos princípios defende a cura provocando uma acção diferente no organismo -“contraria contrariüs contantur”-, outro dos princípios salienta a cura provocando uma acção semelhante no organismo – “simila similibus curantur”. É a partir destas leis que vieram a desenvolver-se dois sistemas terapêuticos denominados por alopatia e homeopatia. A homeopatia, fundada por Samuel Hahnemann no final do século XVIII, volta a trazer à ordem do dia a ideia de “curar o mal pelo mal” ou a Lei dos Semelhantes. É Samuel Hahnemann quem descobre o mecanismo de aplicação e a sua utilização científica na cura dos doentes, após experiências e observações frequentemente renovadas, fazendo variar as condições da experiência para um mesmo medicamento: a idade, o sexo, as doses, etc. A homeopatia é controversa por causa do uso de medicamentos altamente diluídos ou os infinitesimais.

Esta torna-se popular no século XIX e em parte deve o seu sucesso às epidemias que aconteceram nessa época, os fracassos da medicina oficial e os êxitos da homeopatia. O seu sucesso diminui durante grande parte do século XX, mas volta à ribalta no final dos anos 20 em muitas partes do mundo. Apesar da longa história da controvérsia científica, a homeopatia tem-se mostrado resiliente e, nos nossos dias, geograficamente muito difundida.








A homeopatia é uma ciência terapêutica baseada na lei natural de cura Similia similibus curantus (sejam os semelhantes curados pelos semelhantes) enunciada por Hipócrates no século IV a.C. Foi desenvolvida por Samuel Hahnemann no século XVIII.

Conhecer a homeopatia é conhecer a vida de seu criador e suas experiências na procura de um sistema médico onde “o mais alto ideal da cura é o restabelecimento rápido, suave e duradouro da saúde ou a remoção e a destruição integral da doença pelo caminho mais curto, mais seguro e menos prejudicial...” (Hahnemann, Organon §2).

A homeopatia é uma palavra inventada por Hahnemann a partir do grego homois «semelhante» e pathos «sofrimento», doença (Chemouny, 2001).

A homeopatia é citada por o Petit Robert, como um “método terapêutico que consiste em tratar os doentes através dos medicamentos (em doses infinitesimais obtidas por diluição) capazes de produzir num indivíduo são, sintomas semelhantes aos da doença a combater (Chemouny, 2001)

Esta nova terapia desenvolvida por Hahnemann cimenta-se em dois princípios tóricos básicos: o princípio dos similares e a utilização de diluições chamadas de “infinitesimais”. Outro factor que estabelece diferenças entre a medicina convencional e a homeopatia é que não importa que várias patologias se apresentem com sintomas idênticos, uma vez que a homeopatia trata de doentes e não de doenças.

A homeopatia é um saber, uma ciência e uma arte médico-farmacêutica específica que se propõe conceder ao ser humano condições físicas e mentais para que de modo livre possa atingir os seus mais altos desígnios por meio de leis e princípios estabelecidos.

A homeopatia trata a pessoa por inteiro e não apenas os sintomas corporais, uma vez que mente e corpo se encontram em estreita ligação. Os sintomas não podem ser tratados sem que se compreenda a constituição do indivíduo, bem como o seu carácter
(Lockie, 2001).

A homeopatia utiliza-se tanto em casos agudos como crónicos, físicos, emocionais ou mentais, apenas mudam as diluições que se encontram em potenciais diferentes. A homeopatia auxilia o organismo a curar-se a si mesmo, não anular os sintomas. Os produtos procuram estimular as autodefesas, reforçando o sistema imunitário, da mesma forma, usando produtos de maior acção e mais diluídos, com menor toxicidade e sem efeitos secundários (Silva, 1999).

É à Grécia e à Roma antigas que remontam as práticas médicas racionais originais da homeopatia (cura pelo semelhante), bem como os seus princípios (Lockie, 2001). Durante séculos, os médicos profissionais procuraram práticas do género da homeopatia, Hipócrates e Paracelso fizeram descobertas que continuam a influir nesta, mas somente no final do século XVIII se verifica um avanço concertado e aprofundado desta disciplina.

Estreitamente ligada ao progresso da investigação está a evolução da homeopatia. Durante muitos anos os homeopatas tinham como objectivo demonstrar a actividade das altas diluições, que com diversos estudos científicos sugerem a eficácia real das doses infinitesimais, mesmo quando teoricamente não contêm nenhuma molécula activa. Tentam também descobrir os mecanismos de acção dos medicamentos homeopáticos, abrindo também o campo a uma farmacologia das altas diluições, área que nos reservará, podemos supô-lo, surpresas que ultrapassarão o enquadramento da homeopatia.

Depois de dois séculos de existência, percebemos que a homeopatia não é uma moda passageira ou uma invenção da imaginação. Quando uma abordagem médica atravessa os séculos e resiste ao teste do tempo, mostra que é sólida e real (INHF, 2010).

Foi sem qualquer dúvida o público que deu à homeopatia a importância de que ainda hoje desfruta. É o público que lhe admira os méritos e lhe descobre as potencialidades e é ainda este mesmo público que prosseguirá esta descoberta na procura do seu próprio bem-estar.



Foi Hipócrates, no séc. IV a.C., quem teorizou a partir da observação, que a cura pode ser provocada quer pela lei dos semelhantes quer pela dos contrários.

Hahnemann, na sequência da experimentação de diversas substâncias[1] e após ter descoberto que a quina, que destrói a febre, a provoca no indivíduo são, concretizou o princípio normalmente referido como “Similia Similibus Curantur”, ou seja, os semelhantes são curados pelos semelhantes.

Os sintomas de uma determinada doença são curados pela substância altamente diluída[2], que produz num corpo são, sintomas artificiais semelhantes aos da doença, quando administrada em dose ponderal[3]. Toda a substância capaz de provocar determinados sintomas num indivíduo são, faz com que estes desapareçam num organismo doente.

Não se trata de combater a doença com a própria doença, mas com algo que se comporta da mesma forma que ela.

O simillimum representa sempre a esperança de cura do paciente e é o medicamento onde os sintomas totais apresentados pelo doente encontram correspondência na respectiva patogenesia[4].

Por vezes, apenas uma parte do quadro sintomático é encontrada na lista de sintomas do remédio mais adequado disponível na Matéria Médica.

A experiência demonstra que se a lei da similitude não for respeitada, os medicamentos homeopáticos são praticamente ineficazes. A doutrina Hahnemanniana é, como já foi aludido, unicista, porquanto é utilizado um único remédio para a obtenção da cura, contrariamente ao que acontece com o pluralismo e com o complexismo.

Na perspectiva do unicismo não existem remédios equivalentes e portanto, não existem substitutos. Por outro lado, o homeopata não deve misturá-los, deixando à sorte a determinação do efeito a ser produzido no paciente.

O simillimum tem um poder de cura quase extraordinário e podemos verificar que o doente lhe é extremamente sensível. Quanto mais perfeita for a similitude, como consequência da escolha criteriosa do medicamento, mais susceptível será o doente aos seus poderes curativos.


A Homeopatia encara o ser humano[5] duma forma global e este é estudado na sua totalidade.

O homem é considerado em todas as suas vertentes. Ele é o medo, a tristeza, a ansiedade, a excitação sexual, a ausência de libido, a astenia e a fadiga, as relações laborais, familiares, sociais, os distúrbios de memória, cognitivos, o sono reparador ou não, a insónia, os sonhos, sensações, ilusões e delírios, a sede e o apetite, as febres, dores de cabeça, estômago, as lesões orgânicas, os transtornos funcionais, os transtornos e traumas recentes e/ou passados. Estes exemplos ambientam-nos na globalidade do nosso ser e consciencializam-nos para o facto de ser esta a totalidade que reage às agressões interiores ou externas. Encará-la como mera acumulação de partes isoladas é uma fuga à realidade com o intuito de facilitar a actividade terapêutica[6]. É também em função dela, que é prescrito o simillimum.

Em homeopatia não há doenças, só há doentes. Por isso, Hahnemann considerava uma verdadeira “heresia” afirmar que damos determinado remédio nesta ou naquela patologia[7], como a Ipeca ou a Drosera para a tosse, a Ignatia para a distonia neurovegetativa e Lachesis  para os distúrbios da menopausa. O que se cura é o paciente com tosse, com distonia neurovegetativa e com distúrbios menopáusicos e não a designação da doença. Praticar a homeopatia nesta última formulação é confundi-la por identificação de métodos, com a medicina alopática.

Considerando o homem no seu centro, digamos impropriamente, na sua essência, nos chamados sintomas da imaginação, biopatográficos ou etiológicos, mentais e gerais, pode ocorrer que o medicamento escolhido, não tenha presente na sua patogenesia os sintomas locais. Caso isto suceda, não constitui um óbice à aplicação do medicamento, visto que o remédio que cura o doente faculta o desaparecimento dos sinais e sintomas particulares.

O organismo funcionando como um todo, pela acção do simillimum, restabelece o seu próprio equilíbrio, caminhando pela vereda da saúde.


A infinitesimalidade é um corolário directo e imediato da similitude. Os medicamentos homeopáticos são essencialmente utilizados em doses de altas diluições, por duas razões fundamentais:

As substâncias utilizadas em dose ponderal, podem nalguns casos apresentar um grau de toxicidade capaz de maior ou menor agressão ao organismo do paciente, pelo que, submetendo-as a diluições sucessivas anulamos os efeitos indesejáveis, enquanto a acção terapêutica se mantém;

Quanto maior a diluição mais profundo e duradouro é o efeito do medicamento, e isto, desde que correctamente prescrito.

Hahnemann, para além de submeter as substâncias medicamentosas a sucessivas diluições, dinamizou-as por intermédio de uma agitação vigorosa e rítmica. As principais doses altamente diluídas – hahnemannianas –, são as decimais e as centesimais.

Para a realização das sucessivas dinamizações, o prático ou o farmacêutico deve dispor de frascos novos, previamente lavados com água e secos posteriormente.

O remédio homeopático é o resultado de um produto inicial submetido a diluições sucessivas, acompanhadas simultaneamente de agitação e ritmo[8].

Madeleine Bastide e Frederic Boudard, procuraram demonstrar num trabalho denominado “Investigação Científica em Homeopatia”, que esta é uma verdadeira ciência face à eficácia real das doses infinitesimais, mesmo quando já não contêm moléculas da substância inicial. Os estudos tendentes a demonstrar que o medicamento homeopático não é um placebo, têm vindo a multiplicar-se com conclusões absolutamente favoráveis.

Não é por se desconhecerem os reais mecanismos pelos quais é veiculada a informação contida nos remédios homeopáticos, que vamos negar a sua eficácia[9]. O conhecido é uma pequena embarcação no oceano do desconhecido e nenhuma mentira, sujeita a constante comprovação, pode sobreviver 200 anos, muito especialmente numa época em que tudo é posto em crise.


A homeopatia consiste num sistema que, de certo modo, se assume como medicina preventiva, e funcional, abrangendo o Homem de forma integral (mente e corpo). As raízes deste domínio da medicina e da farmácia recuam à Antiguidade Clássica nas figuras proeminentes de Hipócrates e Galeno e alguns outros que não estudamos e no renascentista Paracelso. A obra destes foi lida, reconhecida e analisada por S. Hahnemann.

Pode concluir-se que, apesar da polémica em volta do funcionamento dos medicamentos homeopáticos, importa referenciar que os fundamentos teóricos da homeopatia tendem a ser de importância secundária para os utentes, que vêem os medicamentos apenas na perspectiva do seu resultado, negligenciando o conhecimento dos seus princípios activos.

Para nós que somos profissionais de Enfermagem esta é uma das questões essenciais na equação doença-terapêutica e, especialmente, foi esse o principal motivo que nos impeliu a conhecer aprofundadamente os fundamentos práticos e teóricos e a evolução recente desta disciplina.







CHEMOUNY, B.. O livro da Homeopatia - Um guia prático para o uso familiar,
Lisboa, Cetop, 2001.

J. BARBANCEY, Prática Homeopática em Psicopatologia, 2 vols., Editora Andrei, São Paulo. 2000.

LOCKIE, A.. Enciclopedia de Homeopatia - Guia prático: de remédios homeopáticos, Porto, Libraria Civilização Editora, 2000.

SILVA, F. R., CRUZ, M. A., RIBEIRO, J. M. & OSSWALD, H. Estudos em Homenagem a Luís António de Oliveira Ramos, Porto, Faculdade de Letras da Universidade do Porto. 2004.

SILVA, P. Fitoterapia e Homeopatia: a via científica. Farmacia Distribuição. 97
ed. Lisboa: Hollyfar – Marcas e Comunicação, Lda 1999.

TEIXEIRA, Marcus Zulian, Semelhante Cura Semelhante: O princípio de cura homeopático fundamentado pela racionalidade médica e científica – São Paulo: Editorial Petrus, 1998.



[1] V.g. Arsenicum Album, Belladona e Mercurius.
[2] Trata-se de uma diluição homeopática que retira a toxicidade ao medicamento, estimulando concomitantemente as capacidades reaccionais de autocura do organismo.
[3] Dose forte, mas não letal. Verifica-se aqui um efeito de dupla face do medicamento. Como já anotámos, o café que em doses ponderais provoca a insónia, vai curá-la quando altamente diluído.
[4] Conjunto de efeitos desencadeados por um remédio.
[5] Ou o animal, já que existe uma Medicina Homeopática Veterinária.
[6] O equilíbrio do sistema orgânico integral resulta da interacção entre os vários subsistemas.
[7] Actualmente, pelo menos em território Europeu, tende-se à utilização da homeopatia mediante os princípios da Medicina Ortodoxa. É inelutável, que o contributo da prática médica ortodoxa é de um valor inestimável para a homeopatia, embora não seja fundamental, mas o transporte ou impregnação do corpo teórico da Homeopatia pelo da Medicina Ortodoxa só faz com que se passe a ver a doença em detrimento do doente. O complexismo é utilizado maioritariamente de acordo com as patologias tal como são conhecidas na Medicina Ortodoxa. Tal facto, embora não possa permitir que a escolha do medicamento, por muito criteriosa que seja, determine a perfeita cura do paciente – só quando se escolhe o medicamento visando o doente e não a doença é que se pode ter maior certeza de promover a cura e o restabelecimento do enfermo –, permite uma rápida actuação no quadro sintomático imediato, facultando alívios que propiciam no tempo, a ulterior pesquisa do simillimum. Mas é de não esquecer, que embora a utilização dos complexos homeopáticos possa ser aliciante pelo pragmatismo e rapidez de prescrição, o que se cura, ou tende a curar, é o doente e não a doença.
[8] Este processo intitula-se de dinamização.
[9] Para Bastide e Boudard, tratar-se-á de sinais electromagnéticos de reduzida intensidade – sinais não moleculares – veiculadores de informações sob a forma de imagens de patologias – patogenesia do medicamento –, espelhos da sintomatologia apresentada pelo paciente, inteligíveis para o organismo deste, que apresenta a peculiar característica de negativizar o seu próprio quadro sintomático.

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