segunda-feira, 18 de abril de 2016

IST PROVOCADAS POR AGENTES ECTOPARASITAS - Trabalho elaborado por Vieira Miguel Manuel


INSTITUTO SUPERIOR POLITÉCNICO INOCÊNCIO NANGA (ISPIN)
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
LICENCIATURA EM ENFERMAGEM




ENFERMAGEM EM DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS





ITS PROVOCADAS POR AGENTES ECTOPARASITAS
- PEDICULOSE PUBIANA





CRISTINA LUENO MARTINS
EDNA CORREIA FORTUNATO
GRACIETH BENTO
HENRIQUES PEDRO SERAFIM
JOÃO JOSÉ CASSULE
MADELENA FRANCISCO
REBECA MANUEL MARCOS PONTES





Trabalho apresentado ao Curso de Enfermagem na disciplina de Enfermagem em Doenças Transmissíveis como requisito parcial para obtenção de notas.

Orientadora: Guilhermina Guilherme
 
 









LUANDA
2016

SUMÁRIO




 



No presente trabalho, no âmbito das infecções sexualmente transmissíveis (IST), vamos falar sobre os agentes ectoparasitas, isolando assim o nosso estudo na patologia denominada pediculose pubiana. A pediculose é uma doença dermatológica parasitária decorrente da infestação por piolho. É desencadeada no homem por três tipos de parasitas, sendo eles: Pediculus humanus capitis, ou piolho de cabeça; o Pediculus humanus corporis, ou piolho do corpo; e o Phthirus pubis, piolho da região pubiana, vulgarmente conhecido como chato. Estes parasitas alojam-se na base dos pelos, onde depositam seus ovos.

A manifestação clínica é variável para cada hospedeiro, podendo ser assintomática ou polissintomática, apresentando-se inicialmente na forma de coceira e irritação, podendo provocar lesões na pele, predispondo a infecções bacterianas secundárias.




















Infecções sexualmente transmissíveis também conhecidas por IST, são doenças infecciosas que se transmitem essencialmente (porém não de forma exclusiva) pelo contacto sexual. Antigamente eram denominadas de doenças venéreas. O uso de preservativo (camisinha) tem sido considerado como a medida mais eficiente para prevenir a contaminação e impedir a sua disseminação.


Ectoparasita (também chamado de exoparasita) é uma classificação de parasitas do ponto de vista da repartição topográfica no corpo dos hospedeiros. São designados por ectoparasitas ou parasitas externos os tipos de parasitas que se instalam fora do corpo do hospedeiro, como no caso de piolhos, ácaro vermelho, pulgas, carrapatos, sanguessugas e algumas espécies de lampreia. Podem também ser causados por vírus, manifestado em uma espécie de animais.


A pediculose pubiana, conhecida popularmente como chato, é uma doença contagiosa causada pelo insecto parasita Phthirus pubis, chamado também de piolho-do-púbis. A pediculose pubiana é uma infecção semelhante a que ocorre no couro cabeludo quando infestado por piolhos.

O nome piolho-do-púbis não surgiu à toa, pois o Phthirus pubis é um insecto parasita da mesma família do Pediculus humanus capitis, o famoso piolho que infesta o couro cabeludo.

O Phthirus pubis é um ectoparasita, ou seja, um parasita que vive do lado de fora do nosso organismo, ao contrário, por exemplo, dos vermes intestinais, que são endoparasitas, que vivem no interior do nosso corpo.

O Phthirus pubis é um piolho de mais ou menos 1 mm de diâmetro, com o formato parecido com um caranguejo, daí o seu outro apelido: piolho-caranguejo. Ele é transluzente, sendo muito difícil de ser identificado a olho nu, a não ser que tenha se alimentado há pouco tempo, estando cheio de sangue.


O tempo de vida da fêmea deste piolho é de 4 semanas, período em que chega a pôr cerca de 30 ovos (lêndeas). Cada ovo demora em torno de 1 semana para eclodir e dar vida a novos piolhos.

Os piolhos-caranguejo são insectos parasitas que passam toda a vida nos pelos do hospedeiro alimentando-se exclusivamente de sangue de quatro a cinco vezes por dia. O ciclo de vida do ovo ao adulto varia de 22 a 27 dias. Os ovos eclodem, produzindo seu primeiro estágio ninfal que após três mudas evolui para ninfa 1, ninfa 2 e subsequentemente para fêmea ou macho adultos. O período de incubação do ovo varia de sete a oito dias, enquanto o resto do ciclo é finalizado com o desenvolvimento dos estágios ninfais. A vida média de uma fêmea adulta é de 17 dias, e a de um macho adulto, de 22 dias.


A pediculose pubiana é considerada uma infecção sexualmente transmissível (IST). Como a sua transmissão é feita através de contacto directo entre pelos pubianos durante o ato sexual, o uso de camisinha não impede a transmissão, pois o mesmo só recobre o pénis, deixando toda a região púbica exposta.

O chato pode ser transmitido de outras formas que não a via sexual, mas é bem menos comum. Casos de transmissão não sexual podem ocorrer entre pessoas que partilham objectos contaminados, como toalhas, roupas e roupa de cama.

O Pthirus pubis não pula e não voa. Para haver transmissão é preciso contacto intimo entre as regiões púbicas para que o piolho consiga passar de um pelo para outro. O piolho-do-púbis não infesta cães, gatos ou outros animais peludos, não sendo estes, portanto, focos de transmissão da doença.


Os piolhos-caranguejo geralmente infestam um novo hospedeiro somente com o contacto próximo entre os indivíduos. O contacto sexual entre adultos e as interacções pais-filhos são vias mais comuns de infestação do que a partilha de toalhas, roupas, camas ou armários. Os adultos são infestados mais frequentemente do que as crianças.
A pediculose pubiana não apresenta dados populacionais em Angola.


A classificação abaixo procura relacionar as principais ITS com o agente etiológico Ectoparasita.

·         Phthirus pubis: pediculose do púbis.
·         Sarcoptes scabiei: escabiose.


Os sintomas do chato costumam surgir uma semana após o contágio. O principal sintoma é uma intensa coceira na região púbica. Uma sensação de queimação nesta região também é comum. Se o piolho estiver presente em outras áreas do corpo, elas também vão coçar. A coceira é mais intensa durante a noite e o ato de coçar freneticamente pode provocar feridas na pele. Alguns pacientes podem também ter linfonodos aumentados na região das virilhas.

Pequenas manchas escuras de 0,5 a 1 cm podem surgir em pessoas com intensa e prolongada infestação. Elas ocorrem por reacção da pele à saliva do pilho, que contém substâncias anticoagulantes. Alguns pacientes podem também ter linfonodos aumentados na região das virilhas.

De uma forma mais detalhada podemos ordenar o quadro clínico desta infecção da seguinte maneira:

·         Os sintomas surgem de 1 a 2 semanas após a infestação ou em menor tempo, se o paciente apresentou infestação prévia pelo piolho.
·         Prurido intenso é a principal queixa do paciente.
·         O piolho adulto e as lêndeas são encontrados fixados aos pêlos pubianos e também nas regiões pilosas do abdómen inferior, coxas e nádegas.
·         Ocasionalmente, o piolho adulto pode ser encontrado nas axilas, pálpebras e supercílios.
·         Lesões de urticária, vesículas e máculas pigmentadas (azuladas) podem ocorrer após as picadas dos piolhos.


A infestação por chatos geralmente é identificada pelo exame minucioso dos pelos púbicos a procura de lêndeas, ninfas e adultos. Piolhos e lêndeas podem ser removidos com o auxílio de uma pinça ou com a ajuda de uma tesoura para cortar o pelo infestado ou remédios específicos. Uma lupa ou estereoscópio podem ser utilizados para uma identificação precisa.

Por serem de fácil transmissão, se os piolhos-púbicos forem detectados em um membro da família, toda a família precisa ser verificada na teoria. A prática representa que todos os co-habitantes de um mesmo lar em que haja infestação do insecto devem ser examinados e tratados.


A intensa coceira no couro cabeludo pode ocasionar feridas que são portas abertas para infecções bacterianas, como impetigo, além do aparecimento de adenomegalias (aumento dos gânglios) cervicais.


A pediculose púbica pode ser tratada com medicamentos semelhantes aos usados no tratamento do piolho de cabeça. Como o Pthirus pubis é um insecto, o seu tratamento é feito com loções que contenham inseticidas aptos para serem usados na pele humana, como a Permetrina ou a Piretrina.

Habitualmente, o creme ou a loção são aplicados em áreas de pelos e enxaguados após 10 minutos. Deve-se evitar contacto dos insecticidas com mucosas, como a glande ou vagina. Assim como nos piolhos da cabeça, o piolho-do-púbis e suas lêndeas podem ser removidos manualmente.

Ivermectina por via oral pode ser uma alternativa de tratamento, caso as loções não surtam o efeito desejado.

Roupas e toalhas devem ser lavadas com água quente, para evitar a transmissão para outras pessoas ou recontaminação do paciente.


IST em uma população onde exista prevalência de monogamia e religiões que priorizam o matrimônio. Discutir sobre uso de preservativos e doenças sexualmente transmissíveis ainda apresenta barreiras, especialmente para mulheres grávidas, que revogam o uso do preservativo por considerarem desnecessário durante a gestação. O profissional enfermeiro deve utilizar intervenções educativas que promovam o conforto e liberdade para discussão do tema entre a população-alvo, alertando sobre práticas sexuais seguras inclusive no período gestacional motivando o interesse e aplicação do conhecimento adquirido pelos pacientes atendidos para que estes utilizem o novo aprendizado.

Um estudo realizado em duas universidades demonstrou que uma supremacia das mulheres ainda sentem bloqueios em solicitar ao parceiro que utilize preservativo e a maioria relatou outrora, histórico de alguma IST. Actualizar o conhecimento, adianta questões as quais as respostas não são exactamente claras ao momento. O enfermeiro que educa sobre as IST, impulsiona relações de confiança com os pacientes e atenua eventuais preocupações.

O paciente deve conhecer as opções de tratamento e ter as informações necessárias sobre as infecções transmitidas sexualmente. É preciso que tanto a paciente quanto o(s) parceiros sexuais reúnam o conhecimento empírico com o recém-adquirido para que o profissional de saúde articule meios para um tratamento apropriado para casos específicos e generalizados de forma eficaz e compatível como normatiza a secretaria de saúde de cada município.

A implantação de unidades básicas da família em áreas carentes e rurais por enfermeiros coopera para a monitoração e acompanhamentos dos pacientes sujeitos a tricomoníase, aumentando a disponibilidade do exame Papanicolau, interferindo no ciclo do parasito e aumentado a cobertura de usuárias beneficiadas. Mesmo com a Estratégia Saúde da Família, a adesão de usuárias em fase sexual activa é baixa, fato que pode ser explicado devido aos mitos relacionados à monogamia e baixo conhecimento sobre a tricomoníase.

O tratamento da parasitose deve ser acompanhado pela equipe de enfermagem, que deve atentar-se aos factores carcinogênicos que podem ser instalados devido ao uso do fármaco metronidazol, bem como o surgimento de cepas resistentes (LIMA, 2013).


A única forma de evitar a pediculose pubiana é impedir o contacto com os piolhos e a fixação das lêndeas. Podemos também nos prevenir da pediculose pubiana se adoptarmos os seguintes hábitos:

·         Trocar de roupas diariamente. Fazer o mesmo com a roupa de cama e de banho todos os dias;
·         Lavar as roupas em água quente ou mandar lavá-las a seco se não puderem ser imersas em água;
·         Procurar certificar-se de que todas as pessoas da família estão tomando os mesmos cuidados;
·         Não se esquecer de repetir a aplicação do remédio sete dias depois da primeira aplicação, em caso de diagnóstico positivo da pediculose pubiana.






Este trabalho nos mostrou que a maioria das infecções sexualmente transmissíveis, como é o caso da pediculose, é uma infecção que pode ser facilmente evitada com hábitos simples, considerados acima. De uma forma geral, o acompanhamento regular nos serviços de saúde reduzem o risco de IST, incluindo a pediculose pubiana, e suas complicações. Portanto, a adesão é fundamental para a efectividade do tratamento.



3.    REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


AMATO-NETO, V. ; AMATO, V. S. ; GRYSCHEK, R. C. ; TUON FF . Parasitologia - Uma abordagem clínica. 1. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008. 400 p.
DE CARLI, G.A. et al. Métodos de coloração para coccídios intestinais. In: De CARLI, G.A. Parasitologia clínica. 2.ed. São Paulo: Atheneu, 2007. p.213-264.

HEUKELBACH, J; OLIVEIRA, F. Ar. S.; FELDMEIR, H. Ectoparasitoses e saúde pública no Brasil: desafios para controle. Caderno de Saúde Pública. Rio de Janeiro. v.19. n. 5. p. 1535-1540, set./out. 2003.


LIMA, GERALDO RODRIGUES de; Girão, Manoel J.B.C.; Baracat, Edmund Chada. Doenças Sexualmente Transmissíveis. In: Ginecologia de Consultório. 2003.1ª Edição. P.193-210. Editora de Projetos Médicos. São Paulo-SP.

MINISTÉRIO DA SAÚDE, Protocolo Clínico e Directrizes Terapêuticas, Infecções Sexualmente Transmissíveis, Editora CONITEC, Brasília, 2015.

MINISTÉRIO DA SAÚDE, Protocolo Clínico e Directrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis, 2ª edição revisada, Editora MS/CGDI, Brasília, 2016.

NEVES, D. P.; MELO, A. L.; LINARDI, P. M.; VITOR, R. W. A. Parasitose Humana. Ed. Atheneu. São Paulo. 11ª Ed. p.423-427. 2005.


ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, Orientações para o Tratamento de Infecções Sexualmente Transmissíveis, Genebra, Suíça, 2005.



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