terça-feira, 16 de junho de 2015

AS CONSEQUÊNCIAS DO TRÁFICO DE ESCRAVOS - Elaborado Por Vieira Miguel Manuel

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REPÚBLICA DE ANGOLA
GOVERNO DA PROVÍNCIA DE LUANDA
DIRECÇÃO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE CACUACO
ESCOLA DO ENSINO PRIMÁRIO E DO Iº CICLO DO ENSINO SECUNDÁRIO
COLÉGIO FUTURO GARANTIDO













AS CONSEQUÊNCIAS DO TRÁFICO DE ESCRAVOS







Caixa de texto: Grupo n.º: 03
Classe: 8ª
Sala: 06
Turma: F
Período: Tarde

 













O DOCENTE

___________________
      João Ngoma





LUANDA
2015

    
ESCOLA DO ENSINO PRIMÁRIO E DO Iº CICLO DO ENSINO SECUNDÁRIO
COLÉGIO FUTURO GARANTIDO














AS CONSEQUÊNCIAS DO TRÁFICO DE ESCRAVOS











INTEGRANTES DO GRUPO

Francisco Pacheco
Rosa de Jesus Vasco
Mampassi Luawa
Gilda Alfredo
Helena Ganga Paliares



 
 























LUANDA, JUNHO DE 2015
SUMÁRIO









No âmbito da disciplina de História, neste trabalho abordaremos sobre as Consequências do Tráfico de Escravos. O tráfico de escravos era uma das formas de comércio, altamente lucrativa, já exercida pelos mercadores fenícios. Nas sociedades mediterrâneas grega e romana, os escravos constituíam um importante “artigo” comercial. Os indivíduos eram capturados em incursões noutros territórios, nas guerras ou vendidos pela aristocracia tribal. Os seres humanos, incluindo crianças, eram negociados nos mercados como animais ou qualquer outra mercadoria. Em alguns centros de comércio havia mercados especiais de escravos.





No início do transporte de escravos para o Novo Mundo, eram utilizados vários tipos de embarcações, desde charruas às caravelas, com arqueações também variáveis de 100 à 1000 tonelada. Entretanto, com o passar do tempo, o tráfico foi empregado embarcações mais específicas. Passando de naus de apenas uma cobertura (neste caso os escravos eram transportados nos porões dos navios), para naus de 3 coberturas permitindo uma distribuição dos escravos por categoria (homens, adultos, crianças, mulheres e grávidas).

O tráfico experimenta ao princípio uma primeira fase reveladora da situação de alguns países europeus: Portugal, Espanha e também a Veneza. Esta última, apesar de professar a fé cristã, não carente da agressividade dos dois primeiros, não rejeitava absolutamente o emprego de escravos como criados, agricultores e inclusive gondoleiros.

Por outra parte, nos primeiros tempos da invasão espanhola do Caribe, também os índios foram transportados à Espanha como escravos, mas sucumbiram rapidamente. No entanto, este primeiro tráfico negreiro, por deplorável que fosse, não poderia ter ganho a mesma gravidade que a que seguiu. Mas teve como consequência que se inaugurasse a segunda onda de tráfico por meio da deportação de escravos africanos ao Haiti e Cuba, não partindo da África, mas de Espanha, onde eram empregados nos campos.

A mudança de escala a partir do momento em que as posses espanholas necessitavam mão-de-obra para as minas, traz o extermínio dos índios do Haiti, é um elemento determinante da mudança de relações entre os europeus, militares e traficantes estabelecidos em seus fortes e postos do litoral, os chefes de estado africanos.

Aparentemente, estas relações não são de tipo abertamente colonial. As potências negreiras se instalam com concessões outorgadas pelos que detêm o poder local e sob certas condições, como se estivéssemos falando de um aluguer, o mesmo que lhes é concedido o direito ao tráfico de escravos em troca do que se chamam os 'costumes', uma espécie de imposto, variável segundo os lugares e as épocas.

Este intercâmbio é já um intercâmbio desigual, enormemente desigual. Os produtos com os que se paga o 'costume' -contas, telas, barras de ferro, álcool, fuzis, tem para os africanos o valor do uso, enquanto calculado em função do valor de câmbio que reinava já na Europa, o seu valor em si é ridículo e mais ainda em relação com o valor de câmbio dos escravos, por não falar dos produtos proporcionados pela mão-de-obra escrava.

Nestes intercâmbios, os africanos são, de fato, estafados sob as aparências de um mercado de igual a igual. Isso não é ainda o mais grave.

As exigências dos negreiros, que vão aumentando sem parar, sobretudo quando se passa da necessidade de mão nas minas às plantações açucareiras e de outro tipo, geram uma profunda desestruturação de toda a vida política, económica e social da maior parte do continente, pois a caça da matéria-prima que virou o escravo (para o capitalismo europeu) vai deixando-se sentir cada vez mais longe, nas terras do interior.

As guerras vão multiplicar-se para assegurar o abastecimento de escravos e os postos negreiros não deixam de alimentá-las, proporcionando armas e fomentando intrigas políticas. Uns estados vão desintegrar-se, enquanto outros basearão o seu poder e a sua (relativa) riqueza no controle do comércio escravista.

As estruturas de intermediários são cada vez mais importantes para a sua vida e existência. Assinalemos que isto concerne aos povos dotados de uma certa estrutura estatal mais ou menos desenvolvida.

Os negreiros não ignoram que existem povos africanos sem estado, os balantes da Guiné Bissau, por exemplo, mas apenas lhes interessam porque precisam de um poder com o que tratar, quer dizer, no qual influir.


Para estudar as consequências do tráfico de escravo, comecemos por um dado evidente. Enquanto os intercâmbios da África ocidental se orientavam até então para o norte e nordeste através do Saara e os impérios africanos estavam implantados no coração do continente, de repente, tudo se altera: os intercâmbios se orientam para o Atlântico em vez de para o Índico e os grandes estados do interior se decompõem.

A Europa (e junto com ela, as colónias da América do Norte, mais tarde, os Estados Unidos da América) só está interessada no litoral para o seu próprio desenvolvimento.

Somente ao final da época do tráfico de escravos, quando alguns se preocupam de repente pelo despovoamento da África guiados pelo interesse uma Europa que já entrou na revolução industrial; vai ficar interessada pela exploração do interior do continente.

O fato de voltar-se para o mar, em função das necessidades e exigências europeias, é já uma boa prova do fenómeno da dependência, que submete a vida da África a interesses externos.

As consequências demográficas são talvez as mais estudadas pelos investigadores. A matança é, obviamente, enorme. Tem-se trabalhado no cálculo, mais ou menos aproximado, do número de africanos e africanas, estas talvez um pouco menos numerosas todos jovens, que foram deportados à América.

Coincide-se mais ou menos em admitir uma cifra aproximada de 12 a 15 milhões em quatro séculos. Mas a África perdeu muito mais, em primeiro lugar, porque esta chacina de homens e mulheres em idade de procriar, posto que os africanos de mais idade careciam de interesse para os negreiros, reduziu necessariamente o crescimento demográfico normal numa proporção que sem dúvida não poderá ser estabelecida nunca com exatidão.

As consequências políticas do tráfico não foram menos importantes. As antigas estruturas políticas do Sudão nigeriano, do Chade e do Congo entraram em decadência ao não poder se adaptar à situação criada pelo tráfico. O Congo, que se encontrava em seu apogeu, não logrou resistir à pressão dos portugueses, que desde sua base de Santo Tomé vinham a tirar escravos em seu território para sua colónia Brasil, apesar da boa disposição de uma parte da aristocracia dirigente, que tinha-se convertido ao catolicismo.

Para consolidar seus negócios, os portugueses fomentaram a dissidência dos chefes de províncias e estimularam a luta das facções que se disputavam o poder, até que o país caiu na anarquia. A mesma sorte correu os reinos de Oyó e Benim, que tinham atingido um certo equilíbrio institucional antes da chegada dos europeus. Não puderam resistir as guerras constantes alimentadas pelo tráfico. Muito cedo as províncias viraram principados independentes.

Aos finais do séc. XVIII, uma cultura brilhante, de mais de dois séculos de vida, tinha-se transformado num vasto campo de confrontos contínuos, que ganharam para Benim o triste apelido de ‘sangrento’. Os estados do litoral e os que estavam relativamente perto deles, lograram uma remodelação institucional e instauraram poderes fortes. Na região de Senegâmbia, por exemplo, as estruturas políticas tradicionais sofreram profundas transformações.


Na África, o resultado do sistema escravagista foi devastador. Comunidades que antes conviviam pacificamente se militarizaram e travaram guerras infindáveis. Enquanto durou a escravidão, os escravos, assim "produzidos", eram vendidos em feiras e exportados. Depois, os antagonismos étnicos entre os capturados e os captores se acentuaram, de forma que mesmo após a retirada dos últimos colonizadores, já no final do século XX, as guerras continuaram ocorrendo.

Houve mais interferências externas. O empresário inglês Cecil Rhodes, por exemplo, investiu largamente em mineração, e fundou o estado da Rhodésia, depois dividido em Rhodésia do sul e Rhodésia do norte, hoje Zâmbia e Zimbábue. Queria formar um império inglês.

Mais tarde, o problema foi agravado, e generalizado, pelo fato de a África ter sido dividida em países artificiais, forjados pela régua dos burocratas da Organização das Nações Unidas (ONU) após a Segunda Guerra Mundial. Sem levar em conta a cultura local, a ONU subjugou ao tacão de líderes não reconhecidos como tal, povos com hábitos, idiomas e economias diversas.

Outras circunstâncias contribuíram para que a África chegasse ao século XXI como o continente mais pobre, injusto e desigual do planeta. Uma delas foi a introdução de mercadorias estrangeiras, ainda no tempo colonial, que provocou a ruína do sistema de produção local.

Em Angola, o sistema do sobado entrou em decadência com a implantação de plantations. Outros centros comerciais próximos ao Rio Kwanza, como o Dongo, passaram a comercializar borracha, cera, café, amendoim e outros produtos demandados pelos europeus – em detrimento da produção de bens de subsistência essenciais para a população.

O resultado dessa história milenar de exploração e injustiça são as guerras civis e a extrema pobreza em que o continente chafurda até os dias atuais.






Depois de termos feito uma pesquisa deste trabalho com o tema acima mencionado, chegamos à conclusão que a escravidão foi uma instituição presente na maior parte do mundo. Na África, ela surgiu antes mesmo da era dos descobrimentos marítimos dos europeus. Desde a antiguidade clássica, escravos negros eram vendidos para os mercados da Europa e da Ásia através do Deserto do Saara, do Mar Vermelho e do Oceano Índico. Eles eram vendidos entre os egípcios, os romanos e os muçulmanos, mas há notícias de escravos negros vendidos em mercados ainda mais distantes, como a Pérsia e a China, onde eram recebidos como mercadorias exóticas. Na própria África, os africanos serviam como escravos em diversas funções, desde simples trabalhadores até comandantes ou altos funcionários de Estado. Portanto, tanto a escravidão como o comércio africano de escravos precederam à chegada dos europeus e à abertura do comércio marítimo com o Novo Mundo.

E ainda concluímos que a escravatura foi determinante na conformação das sociedades africanas. Na África, a exploração da mão-de-obra escrava, primeiro pelos árabes e depois pelos europeus, provocou uma desestruturação de enormes proporções. Nesse movimento, muitos dos povos africanos perderam sua cultura, sua liberdade, suas riquezas. A história mostra que há pontos de inflexão, em que as transformações se mostram inevitáveis, e ocorrem em processos pacíficos ou por revoluções. Nos últimos momentos, com o advento da paz, com a estabilidade e reconstrução nacional, Angola entrou finalmente numa fase que o seu presidente já teve oportunidade de caracterizar como a da "conquista da paz, consolidação da economia nacional e devolução da dignidade e da esperança a todos os angolanos".






A manila e o libambo. A África e a Escravidão de 1500 à 1700, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: Fundação Biblioteca Nacional, 2002, *Cap. 9, O Benin e o delta do Níger, pp 309 – 357; *Cap. 11, Angola, pp 407– 450; *Cap. 18, Na Zambézia, pp 657–701.

História Geral da África - Volume V: África do século XVI ao XVIII.

KI-ZERBO, Joseph. História da África Negra, 3ª edição, ed. Universitária, 1999.

MONTEIRO e ROCHA, Fernando Amaro ao século XIX. O testemunho dos manuscritos, impérios subsaharianos, pp 15–50.

SALVADOR, José Gonçalves - Os Magnatas do Tráfico Negreiro, Ed. Pioneira/Edusp - 1981, SP.


SILVA, Alberto da Costa. A Enxada e a Lança: A África antes dos Portugueses, 2ª edição, ed. Nova Fronteira, 1996.

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