sexta-feira, 12 de junho de 2015

CLASSIFICAÇÃO HIERARQUIA E POLARIDADE DOS VALORES - Trabalho Elaborado Por Vieira Miguel Manuel

Trabalho Elaborado Por Vieira Miguel Manuel 



ÍNDICE






 





O homem vive, toma partido, crê numa multiplicidade de valores, hierarquiza-os e dá assim sentido à sua existência mediante opções que ultrapassam incessantemente as fronteiras do seu conhecimento efectivo. No homem que pensa, esta questão só pode ser raciocinada, no sentido em que, para fazer a síntese entre aquilo que ele crê e aquilo que ele sabe, ele só pode utilizar uma reflexão, quer prolongando o saber, quer opondo-se a ele num esforço crítico para determinar as suas fronteiras actuais e legitimar a hierarquização dos valores que o ultrapassam. Esta síntese raciocinada entre as crenças, quaisquer que elas sejam, e as condições do saber, constituí aquilo que nós chamamos uma "sabedoria" e é este que nos parece ser o objecto da filosofia.





2.1 Valores

Podemos definir os valores partindo das várias dimensões em que usamos:

a) Os valores são critérios segundo os quais valorizamos ou desvalorizamos as coisas;

b) Os valores são as razões que justificam ou motivam as nossas acções, tornando-as preferíveis a outras.

Os valores reportam-se, em geral, sempre a acções, justificam-nas.

Exemplo: Participar numa manifestação a favor do povo timorense, pode significar que atribuímos à Solidariedade uma enorme importância. A solidariedade é neste caso o valor que justifica ou explica a nossa acção.

Ao contrário dos factos, os valores apenas implicam a adesão de grupos restritos. Nem todos possuímos os mesmos valores, nem valorizamos as coisas da mesma forma.


Os valores não são coisas nem simples ideias que adquirimos, mas conceitos que traduzem as nossas preferências. Existe uma enorme diversidade de valores, podemos agrupá-los quanto à sua natureza da seguinte forma:

Valores éticos: os que se referem às normas ou critérios de conduta que afectam todas as áreas da nossa actividade. Exemplos: Solidariedade, Honestidade, Verdade, Lealdade, Bondade, Altruísmo.

Valores estéticos: os valores de expressão. Exemplo: Harmonia, Belo, Feio, Sublime, Trágico.

Valores religiosos: os que dizem respeito à relação do homem com a transcendência. Exemplos: Sagrado, Pureza, Santidade, Perfeição.

Valores políticos: Justiça, Igualdade, Imparcialidade, Cidadania, Liberdade.

Valores vitais: Saúde, Força.





Hierarquia é a ordenada distribuição dos poderes com subordinação sucessiva de uns aos outros, é uma série contínua de graus ou escalões, em ordem crescente ou decrescente, podendo-se estabelecer tanto uma hierarquia social, uma hierarquia urbana, militar, eclesiástica etc.

A hierarquia é uma ordenação contínua de autoridades que estabelece os níveis de poder e importância, de forma que a posição inferior é sempre subordinada às posições superiores.

Originalmente o termo hierarquia possuía um significado religioso, onde a organização social das igrejas levou à formação de hierarquias cuja graduação era intangível por derivar da autoridade transcendental de cada camada social. Esse sentido religioso perdeu-se nas demais estruturas hierarquizadas, mas nelas sobreviveram a rigidez da graduação e a observância estrita das atribuições de cada autoridade.


 Não atribuímos a todos os nossos valores a mesma importância. Na hora de tomar uma decisão, cada um de nós, hierarquiza os valores de forma muito diversa. A hierarquização é a propriedade que tem os valores de se subordinarem uns aos outros, isto é, de serem uns mais valiosos que outros. As razões porque o fazemos são múltiplas.

Exemplo:

A maioria da população mundial continua a passar graves carências alimentares. Todos os anos morrem milhões de pessoas por subnutrição. Não é de querer que hierarquia dos seus valores destas pessoas a satisfação das suas necessidades biológicas não esteja logo em primeiro lugar.

Os valores têm a particularidade de se distinguirem uns dos outros, de estabelecerem entre eles uma relação de polaridade que os faz distinguir em negativos e positivos, de se distinguirem entre eles como valores mais altos e mais baixos, encontrando-se ao mesmo tempo numa relação de hierarquia uns com outros.

À problemática da hierarquia dos valores dedicou-se sobretudo Max Scheler, que nos forneceu cinco critérios para determinar a altura dos valores:

a) Em primeiro lugar, os valores são tanto mais altos quanto maior for a sua duração. Duradouro é o valor que se prolonga no tempo. Dos valores faz parte o fenómeno de duração e perdurabilidade. Os valores mais baixos são os mais transitórios e de menos duração e os mais altos são os eternos.

b) Em segundo lugar, os valores são tanto mais altos quanto menos divisíveis forem. Enquanto os bens materiais para podendo ser participado por todos, têm de ser divididos, (tal acontece com os recursos alocados à saúde, para todos poderem participar deles, têm de ser distribuídos), com os valores espirituais tal não se passa, uma vez que é da sua essência serem ilimitados, não sofrendo divisão; a contemplação do divino é algo que pode ser realizado por uma pluralidade de sujeitos, não sofrendo por isso qualquer tipo de divisão ou diminuição.

c) Em terceiro lugar o valor, que serve de fundamento a outros é mais alto que os que se fundam neles.

d) Em quarto lugar, os valores são tanto mais altos quanto mais profunda é a satisfação que a sua realização produz em nós.

e) Em quinto lugar, os valores são relativos. Existem valores que só podem ser praticados por determinados seres. O valor saúde (valor vital) só é relativo aos seres com vida.

Estes critérios para determinar a altura dos valores foram alvo de algumas críticas, sobretudo da parte de Hartmann, que considerou que originavam uma escala muito grosseira e que as distancias entre os vários valores se encontram esboçadas ainda de uma forma muito sumária. Em todo o caso é nossa opinião que o trabalho feito por Scheler foi muito importante, na medida em que já permitiu com alguma objectividade determinar a altura das diferentes classes de valores relacionando-os uns com os outros.

É evidente que não valoramos toda a acção moral da mesma maneira, mas a nossa consciência valorativa consegue atribuir mais valor à acção de um profissional de saúde que, com uma decisão ponderada, conseguiu salvar a vida a um doente, do que a um acto de dar esmola a um pobre.

Depois desta breve reflexão sobre as classificações os valores, podemos extrair os seguintes princípios gerais acerca duma escala dos valores.

1 – Os valores espirituais prevalecem sempre sobre os valores sensíveis.
2 – Se exceptuarmos aos valores religiosos, na classe dos valores espirituais o primado pertence aos valores éticos.
3 – Para aqueles que os admitem, os mais altos de todos os valores, são os valores religiosos; todos os outros se fundam neles.


       Hierarquia empresarial

A hierarquia empresarial é representada pelos diferentes níveis de comando encontrados dentro de uma organização. Apesar de possuírem autonomia, estão em parte, interligados entre si.

A hierarquia empresarial é geralmente estabelecida obedecendo a três diferentes áreas: estratégica, tática e operacional.

A área estratégica, ocupada por presidentes, directores e demais gestores da alta cúpula, decidem as políticas e as directrizes da empresa. A área táctica, ocupada por gerentes e chefes de sessões, é responsável pelas acções do quotidiano da empresa, como também pela motivação dentro de cada sector. Por fim a operacional, ocupada por chefes de equipa e supervisores, responsáveis pela execução e realização das actividades de produção.


       Hierarquia da Igreja católica

A hierarquia da Igreja católica é uma forma de definir a função de cada membro da Igreja:

·         Papa – posto máximo da Igreja Católica. Resolve problemas legais da Igreja, estabelece dioceses, elege bispos, canoniza santos etc.

·         Cardeal – escolhido pelo Papa, compõe o “colégio episcopal”, em conclave, para eleição do papa.

·         Arcebispo – é o bispo de uma Arquidiocese, o titular da sede metropolitana, formada pelo conjunto de diversas dioceses.

·         Bispo – é o responsável pelos ensinamentos da palavra de Deus. É obrigado a fazer visita ao Papa, de quatro em quatro anos, para apresentar à Santa Sé um relatório de sua diocese.

·         Padre – é o responsável por uma paróquia e pelos serviços sacerdotais. Pode exercer a missão secular, fixo em sua paróquia, ou ser missionário.

·         Diácono – é o religioso que está no último dos sete anos de estudos que o leva à carreira clerical. O diácono já pode realizar algumas celebrações religiosas, como baptismo e casamento.

       Hierarquia dos anjos

Os anjos, mensageiros de Deus, simbolizam a mais elevada espiritualidade e estão presentes em momentos cruciais das histórias sagradas. Dionísio, um teólogo do século V ou VI criou uma hierarquia angélica de nove categorias que se tornou muito influente na Igreja Católica:

·         Serafins – são os anjos mais próximos de Deus. Cercam o trono divino cantando “Santo, Santo, Santo”.

·         Querubins – no Génesis, são os guardiões que impedem os homens de retornar ao Paraíso. Na iconografia moderna ganham a forma rechonchuda de um menininho com asas.

·         Tronos – não aparecem na Bíblia, mas são referidos em lendas de rabinos. Sua função é obscura. Muitos teriam caído do céu, junto com Lúcifer.
·         Dominações – seriam os anjos mais antigos. Têm papel muito pequeno na tradição religiosa.

·         Virtudes – sua função seria fazer milagres no mundo humano. Seriam os anjos da guarda citados por Jesus em Mateus.

·         Potestades – seria uma espécie de polícia do céu. São Paulo fala dos potestades com especial desconfiança.

·         Principados – defensores da religião, geralmente associados a um país ou continente em particular.

·         Arcanjos – em Enoque I – livro dito apócrifo, pois não foi recolhido na Bíblia hebraica nem na cristã. São listados sete arcanjos: Uriel, Raguel, Seraquael, Haniel, Miguel, Gabriel e Rafael.

·         Anjos – categoria mais baixa e mais próxima dos homens, seriam simples portadores de mensagens de Deus para os homens.

       Hierarquia das Leis

A hierarquia das leis estabelece a importância que cada lei representa. A hierarquia significa que as leis inferiores não podem ir contra o que está escrito nas leis superiores. A hierarquia segue a seguinte ordem: Constituição, lei complementar, lei ordinária, decreto regulamentar e ato administrativo.

Assim, a lei em seu sentido estrito (ordinária ou complementar) tem que estar conforme a Constituição. O decreto que regulamenta as leis tem que estar de acordo com essas leis e directamente de acordo com a Constituição. O ato administrativo tem que estar conforme a lei e também conforme a Constituição.

       Hierarquia Social

Hierarquia social são os níveis e posições de cada indivíduo dentro de uma sociedade. A hierarquia social faz com que as pessoas sejam divididas em grupos, de acordo com uma estrutura, entre as classes mais ricas, a classe média e as classes mais baixas.

A hierarquia social pode ser exemplificada com uma pirâmide, onde, a parte de baixo concentra as camadas mais pobres da sociedade, e quanto mais perto chega do topo da pirâmide estão concentradas as classes mais ricas, como milionários, por exemplo. Essa classificação existe há muito tempo, desde a época do feudalismo, que caracterizava as sociedades como escravos, artesãos, plebe, exército e os reis.


       Hierarquia Urbana

Hierarquia urbana nada mais é do que a escala de subordinação entre as cidades, que ocorrem quando as pequenas cidades se subordinam as cidades médias, e estas cidades médias, se subordinam às cidades grandes.

Hierarquia urbana também é a forma como é organizado o espaço nacional, em termos de influência de certos centros urbanos sobre outros. Funciona como um indicador da importância de uma cidade, importância que nem sempre depende do seu tamanho e é exercida numa escala regional ou nacional.

Esta teoria da hierarquia urbana está relacionada com o ranking de cidades, desde a menor até à que tem maior população. Dentro da hierarquia urbana as cidades podem mudar de posição, uma vez que existem transferências de população entre as cidades podem fazer variar a sua posição bem como a sua posição hierárquica.

O conceito de hierarquia urbana está baseado na noção de rede urbana, que é um conjunto integrado de cidades que estabelecem relações económicas, sociais e políticas entre si.


Polaridade é uma característica dos valores que consiste em que cada valor tem um contra-valor/oposto, o contra-valor pode ser positivo ou negativo. É possível classificar os valores considerando a sua polaridade.

Os nossos valores tendem a organizar-se em termos de oposições ou polaridades. Preferimos e opomos a Verdade à Mentira, a Justiça à Injustiça, o Bem ao Mal, a beleza à fealdade, a generosidade à mesquinheis. A palavra valor costuma apenas ser aplicada num sentido positivo. Embora o valor seja tudo aquilo sobre o qual recaia o acto de estima positiva ou negativamente. Valor é tanto o Bem, como o Mal, o Justo como Injusto.







Ao culminar com este tema posso dizer que não falei de tudo porque tudo não sei, e tudo não encontrei, mas acredito que falei o necessário sobre o tema em questão. Aurindo conhecimentos alheios retirando os meus formando uma ideia única e construtiva, portanto, há, como dissemos atrás, uma forma constitutiva dos valores, um ser dos valores que se entranha no homem e lhe dá uma consciência de si, o ilumina e lhe mostra o sentido acerca da realidade. É também este ser dos valores que se embrenha no homem fornecendo-lhe a capacidade de decisão. Os valores criam no homem uma potencialidade de factos capazes de o modificar tornando-o pessoa com uma finalidade de acção e intenção.









MAFFESOLI, MICHEL - Entre o Bem e o Mal. Compêndio de subversão moderna. Lisboa. Inst.Piaget.2004

BARATA-MOURA, JOSÉ, Para uma Crítica da Filosofia dos Valores, Lisboa,
Livros Horizonte, 1982.

NEVES, M. C., Bioética ou Bioéticas, Gráfica de Coimbra, Coimbra, 2ª edição, 2004.

VALADIER, PAUL, A Anarquia dos Valores, Lisboa, Piaget, 1999.

KARLI,PIERRE - O Cérebro e a Liberdade,Lisboa.1997

BACH, J. Marcos - Consciência e Identidade Moral. São Paulo.Ed.Vozes.1985



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